Eu posso pagar por um decorador? Sim (e nós explicamos como!)

Os profissionais já oferecem formas tão diversas de atuação que uma delas certamente caberá em seu bolso.

Texto Cecilia Arbolave (SP) e Daniela Arend (RJ) (Colaboração) | Ilustrações Marcelo Badari (SP)

Para contar com as soluções inteligentes de um profissional, não é preciso encomendar um projeto completíssimo, para a casa inteira. Hoje, você pode focar em suas necessidades e contratar alguém apenas para auxiliar na escolha de um imóvel, ajudá-lo a decorar ou redecorar um espaço, reformar um ambiente, projetar a marcenaria, a iluminação e o gesso ou até mesmo acompanhá-lo nas compras em lojas. Tudo isso pagando por hora, consultoria ou preço fechado. (Conheça alguns profissionais que trabalham com orçamentos mais acessíveis em todo o Brasil).

Marcelo Badari

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Conheça a história de um casal que apostou em profissionais para decorar a casa

 

Hoje aposentados, a professora Vera Lucia Santos da Rocha e o dentista José Alfredo Faria da Rocha passam muito mais tempo de casa do que na época em que estavam na ativa. Sendo assim, concluíram que era hora de deixar seu lar mais agradável, sobretudo depois de verem o projeto que as arquitetas Patricia Franco e Claudia Pimenta fizeram para a casa da filha, na mesma cidade, o Rio de Janeiro. Resultado: chamaram as moças para uma consultoria. “Eu queria mudar somente o sofá e algum adorno na sala, porém recebi várias outras sugestões”, conta Vera. O estar e o canto de leitura ganharam aconchego com papel de parede florido, iluminação especial, móveis e objetos decorativos. “Elas preservaram meu estilo, e tive abertura para opinar durante todo o processo”, revela a moradora, que ficou ainda mais feliz com a assessoria para escolher os tecidos dos estofados. “Eu gosto muito de decoração, estudei belas artes e fiz um ano de pós-graduação em design de interiores, mas não fazia ideia de como os profissionais são bons nisso!” Para prestarem consultoria, cobrando R$ 1 500 por ambiente, Patricia e Claudia visitam o local e, na sequência, desenham a planta, com os itens já existentes e os futuros, além dos revestimentos recomendados. Também indicam mão de obra e apresentam opções de produtos e de pontos de venda adequados ao bolso do morador. Depois, tudo corre por conta do cliente. “É como uma consulta médica: o paciente fala os sintomas, o médico faz o diagnóstico e sugere o tratamento. Aí a pessoa cuida de tomar a medicação”, compara Patricia. Caso deseje o acompanhamento das arquitetas às lojas, paga-se a hora técnica (de R$ 150 a R$ 200). O jeito de trabalhar da dupla carioca não é isolado. “Esses novos serviços surgiram porque há muita gente demandando projetos, na expectativa de ter um lar acolhedor, mas sem poder pagar por uma proposta muito personalizada”, afirma Renata Amaral, vice-presidente da Associação Brasileira de Designers de Interiores (ABD). Mas há quem pergunte: “Por que contratar um profissional se acompanho as tendências do setor, compro revistas especializadas e tenho bom gosto?” Afonso Celso Bueno Monteiro, presidente do recém- criado Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), responde: “O morador pode fazer o trabalho sozinho, porém um profissional trará qualidade e economia. E não confunda uma obra econômica – aquela que você faz uma vez só – com uma obra barata – que precisa de várias alterações depois de acabada”. Renata Amaral lembra, ainda, que alguém que vivencia a decoração e a arquitetura diariamente e tem conhecimento técnico pode sugerir soluções criativas, inusitadas e com baixo custo. “É provável que você nunca tenha imaginado, por exemplo, que o forro de PVC do posto de gasolina pode ser usado na sala de estar”, diz. Segundo ela, a contratação de um profissional é um investimento que pode baratear uma reforma ou decoração em até 25%. “Também minimiza-se o risco de comprar itens impróprios, como um tecido 100% algodão para um espaço onde bate sol o tempo todo.”

Antes de contratar, faça a lição de casa

 

Quanto melhor se preparar, mais proveito tirará do trabalho de um decorador ou arquiteto. Antes de tudo, calcule quanto pretende gastar na reforma ou decoração – e, para seu próprio bem, não tenha vergonha de dizê-lo ao especialista, pois esse valor orientará a sugestão de soluções dentro de suas possibilidades financeiras. Pense se vai mexer em um ambiente ou em vários e se fará tudo de uma vez ou não. Sim, porque você pode reunir orientações para toda a casa e implementá-las aos poucos, uma área após a outra. Pesquise os trabalhos realizados por diferentes profissionais até encontrar um com o qual se identifique. Elenque suas necessidades e ideias. Separe fotos e matérias de revistas especializadas que revelem suas preferências. É essencial que o arquiteto conheça o máximo de detalhes para entender seu estilo, pois assim crescem as chances de um resultado certeiro. Se for demolir ou construir paredes, além de substituir revestimentos, é preferível encarar tudo de uma vez. Avalie, portanto, se terá tempo para tocar a reforma ou se precisará de um engenheiro ou arquiteto que compre materiais, lide com pedreiros, pintores e outros empregados e se responsabilize pelos serviços – ou seja, ele fará a administração da obra, que custa de 10% a 15% do valor da reforma, segundo o CAU.

Mas o que faz um decorador ou designer de interiores?

 

Eleger o profissional certo passa, primeiro, por entender sua função. Um designer de interiores ou decorador (são dois nomes para a mesma profissão, segundo a ABD) cuida do conforto e da estética. Ele pode propor alterações nos pontos de elétrica e de hidráulica, além de sugerir a quebra de paredes – mas apenas um engenheiro ou um arquiteto têm capacidade técnica para avaliar se essas sugestões são executáveis e seguras. Se o decorador, por exemplo, aconselha a troca do carpete por um porcelanato, mais moderno, cabe a pergunta: a estrutura do imóvel aguenta a sobrecarga que ocorrerá? “O revestimento original pesa menos de 1 quilo por m². Já um porcelanato pesa 30 quilos por m². Você sobrecarregará 30 vezes o piso!”, explica Afonso Celso, do CAU. Caso o arquiteto conclua que a estrutura é imprópria para tamanho esforço, poderá recomendar um jeito de reforça-la. Em tempo: ele também pode criar projetos de interiores.

A seleção do profissional

 

Lembre-se de quando precisou escolher um cabeleireiro. Você pediu indicações a amigos? Perguntou se o profissional correspondeu às expectativas? Conferiu se o estilo dele é tradicional ou descolado? A metáfora usada por Afonso Celso, do CAU, é perfeita para explicar como se elege um arquiteto ou um decorador. Mas é preciso um pouco mais ainda, como verificar se o arquiteto está inscrito no CAU, o que significa que é formado em arquitetura e está apto a fazer intervenções em um imóvel. Se for um designer, cheque o cadastramento na ABD: “Na decoração, algumas pessoas com talento natural acabam se aventurando sem muito conhecimento técnico, porém só credenciamos profissionais formados por faculdades e escolas reconhecidas pelo Ministério da Educação”, diz Renata Amaral, da ABD.

Organizada pelo maior portal de decoração do país, o Casa.com.br, da Editora Abril, a rede social CasaPRO tem o cadastro de mais de 11 mil arquitetos, decoradores, engenheiros e paisagistas em todo o Brasil. Navegar nessa comunidade é um bom jeito de conhecer os trabalhos desses especialistas e encontrar aquele com o qual você se identifique.

Encantou-se por um site que oferece projetos? Além de tomar os mesmos cuidados necessários à escolha de um profissional, pesquise no Reclame Aqui para ver se a empresa virtual tem reclamações e como agiu para resolvê-las.

Se eu estiver em dúvida entre dois imóveis, um especialista pode me orientar na escolha?

 

Sim. Decoradores e arquitetos enxergam problemas que leigos podem deixar passar facilmente, como falta de luz natural, defeitos em instalações hidráulicas ou infestação por cupins. Também são capazes de avaliar se aquela reforma com a qual você tanto sonha é possível ou não. Em São Paulo, a designer de interiores Antonia Mendes, do escritório Caza Narciso, já se acostumou a acompanhar interessados em adquirir um imóvel, cobrando R$ 350 por 90 minutos de assessoria. Nas visitas, ela destaca os pontos positivos e negativos do lugar, sempre partindo das necessidades e expectativas do cliente. Mas, como as dúvidas atrozes não se encerram na compra do lar, doce lar, Antonia também presta consultoria de decoração, pelo mesmo valor. “Ainda que passe horas em um home center, a pessoa pode fazer combinações erradas de materiais”, observa. “Realizo um trabalho preventivo, auxiliando o cliente para que gaste com inteligência.”

Quanto custa para alguém me ajudar a decorar um espaço vazio?

 

É comum se sentir perdido ao ver ambientes pelados, brancos... Que móveis coloco? Essa cadeira combina com aquela mesa? Uso tinta para trazer cor ou é melhor um papel de parede? Como resolver um banheiro minúsculo? São muitas as dúvidas dos recém-casados, como já notou a arquiteta brasiliense Maria Mahmoud, da Nuvem Arquitetura, com escritórios no Rio e em Brasília, além da atuação a distância. Maria conta que jovens casais compradores de apartamentos na planta buscam ideias para fugir dos revestimentos básicos e personalizar seu futuro lar. “Todos querem casas bonitas, práticas e funcionais, contudo muitos não sabem nem por onde começar.” Por duas horas de consultoria no endereço do cliente, a moça cobra R$ 500. O preço sobe para R$ 1 500 ou mais se for preciso tirar as medidas no local para elaborar uma planta com a disposição dos móveis (layout).

Consultorias são geralmente rápidas. Envolvem a visita do profissional e a entrega de referências, fornecedores, sugestões de produtos e pontos de venda. Caso tenha de encarar mudanças mais significativas, como a reforma de um ambiente, o ideal é encomendar um projeto. Esse processo demora alguns meses, tem várias etapas e, consequentemente, custa mais. De acordo com o presidente do CAU, Afonso Celso, o preço de um projeto arquitetônico gira em torno de 3% a 5% do valor estimado para a obra.

Já os designers de interiores, segundo a ABD, costumam cobrar por m², baseando-se na tabela da associação. O ruim é que, quanto menor o espaço, maior o custo do m², como lembram as decoradoras Rosangela Pimenta e Tereza Bissoto, do escritório paulistano Estilo Próprio, onde o m² sai, em média, por R$ 110, valor que sobe ou desce conforme a complexidade do projeto e a metragem. Há quatro anos, elas começaram a pensar em uma alternativa economicamente mais acessível e organizaram o serviço “projeto participativo”, destinado a quem acabou de adquirir um imóvel. Clientes que embarcam na ideia têm de se envolver verdadeiramente na elaboração do projeto, pois, em diferentes reuniões (que somam um total de nove horas), decidem junto com as decoradoras a respeito da planta baixa, da distribuição dos móveis, do desenho do gesso e da iluminação. “Conseguimos uma redução fantástica no tempo de criação tendo o cliente a nosso lado em cada etapa”, afirma Rosangela, contando que o “projeto participativo” para um imóvel de 60 m² sai por R$ 3 600, enquanto o convencional vale R$ 7 mil. Outra forma de baratear custos é trabalhar pela internet. Depois de ser procurada por vários interessados que moram fora de São Paulo, onde mantém seu escritório, a arquiteta gaúcha Cristiane Dilly decidiu oferecer, há dois meses, projetos online. O cliente envia um e-mail com fotos do ambiente a ser decorado, suas dimensões, a descrição do que existe no espaço e informações sobre aquilo que gostaria de mudar. A equipe do escritório faz o orçamento e, depois da aprovação, manda em até sete dias a planta baixa, as vistas e o croqui em 3D (uma maquete feita no computador), além da indicação de fabricantes. “Até a finalização, vamos aprovando com o cliente fase por fase do desenvolvimento”, esclarece Cristiane. Economiza-se tempo e, consequentemente, dinheiro: “Como não há deslocamentos, o valor do projeto online fica cerca de 40% inferior ao de um projeto-padrão, ou seja, o m² sai em torno de R$ 60”.

Como faço se quiser redecorar um ambiente?

 

Normalmente, em consultorias cobradas por hora, o cliente tem a liberdade de pedir dicas para vários ambientes. Às vezes, a casa já está mobiliada, no entanto há elementos aqui e ali que não agradam. Ou você tem uma questão específica para resolver, como a iluminação no quarto. O olhar profissional está apto a apontar soluções simples, porém precisas, como um rearranjo dos móveis, o acréscimo de um tapete, a remodelação de uma cortina... É com situações assim que a arquiteta paulistana Juliana Savelli se depara em suas assessorias de duas horas (R$ 350). Após visitar o local e conversar com o morador, ela relaciona sugestões de produtos, pontos de venda e prestadores de serviço. “Não desenho a planta porque, como é um trabalho mais elaborado, inviabilizaria o valor e meu tempo”, justifica. De modo semelhante atuam outras paulistanas, Debora Racy e Nicole Sztokfisz, do escritório Arquitetura Paralela. A consultoria intitulada “Paralela90” – com preço a partir de R$ 300 – divide-se em três blocos consecutivos, de 30 minutos cada um. O primeiro destina-se ao briefing (o cliente aponta o que o está incomodando), o seguinte é para o diagnóstico, e o terceiro abarca as soluções, com direito a marcações de fita-crepe no chão e nas paredes. “Não cronometramos o tempo, só fazemos essa segmentação para que o processo fique claro”, conta Nicole. Prova de que o método tem seus atrativos é que a dupla já prestou serviço até fora de São Paulo: procuradas por vários clientes no Rio de Janeiro, as arquitetas agendaram todos eles para um mesmo fim de semana. Há profissionais que preferem definir os serviços por cômodo, como fazem a catarinense Juliana de Castro e a gaúcha Aline Zomer, idealizadoras da Architettura Espresso, em Florianópolis. Os valores são tabelados: por um ambiente de até 20 m², cobram-se R$ 500; de 20 a 40 m², R$ 700. Na primeira reunião, o morador explica suas necessidades e são feitas as medições na área. Na segunda, apresenta-se a proposta, que inclui planta baixa com layout de mobiliário, desenhos de marcenaria, memorial descritivo (indicações de revestimentos, materiais e produtos), amostras de tecidos e revestimentos, orçamentos de custos e indicação de fornecedores. “O cliente sabe que pode tocar a obra sozinho, com a segurança de um especialista por trás de todas as propostas”, diz Juliana de Castro.

Posso contratar um arquiteto somente para desenhar a marcenaria e projetar a iluminação e o gesso?

 

Quem dispõe de pouco espaço sabe que, às vezes, é preferível mandar fazer móveis sob medida para que não se desperdice nenhum centímetro. A saída também empolga aqueles que desejam peças personalizadas. Por esses e outros motivos, o desenho de mobiliário é uma das tarefas às quais se dedica a arquiteta carioca Cristiane Passos, cobrando de R$ 350 a R$ 500 por um projeto detalhado de marcenaria. Com desenhos e especificações em mãos, o cliente pode orçar a execução com um marceneiro já conhecido ou com alguém indicado pela profissional. E, quando prefere que a arquiteta visite a casa e dê outras sugestões de decoração, o morador paga R$ 200 pela hora. O que está gritando por socorro é a iluminação de um ambiente? Pois a decoradora carioca Renata Rocha começa a oferecer solução para esse tipo de problema exclusivamente pela internet. No site, o projeto luminotécnico para uma sala de 15 a 30 m² custa R$ 800. Caso o cliente deseje acrescentar detalhamento de marcenaria, Renata cobra mais R$ 500. E o cliente ganha um cupom de desconto de 5% em lojas parceiras.

Não me encaixo em nenhuma dessas situações...

 

Se você estiver perto de se mudar para um apartamento comprado na planta, pode, por exemplo, juntar-se a alguns dos futuros vizinhos para contratar coletivamente um arquiteto, que oriente a finalização dos apartamentos, planejando revestimentos, gesso, iluminação e marcenaria. É esse tipo de serviço que a arquiteta alagoana Ana Paula Guimarães e seu sócio, o paulista Thiago Manarelli, do escritório MG Arquitetos, de Salvador, pretendem começar a prestar em breve. A ideia é conseguir baixar o valor do projeto quando contratados por vários moradores de um empreendimento novo. Nada do que foi falado até agora responde às suas necessidades? Não se intimide e vá atrás de gente disposta a entrar em acordo. O caso da técnica em eletrônica Simone Carneiro Freitas, de Belo Horizonte, é inspirador. Ela e o marido, Claudio Leite, não estavam felizes com a cor das paredes da sala de seu novo apartamento. Porém, pelo que trocar? Pesquisando na internet, Simone descobriu um bate-papo no site Arquitetura + Interiores e começou a conversar com a arquiteta Natália Shinagawa, dona do escritório. “Falei da minha insatisfação e mandei fotos do cômodo”, conta a moça. “No dia seguinte, Natália me retornou com opções de cores, marcas de tintas e lojas. E ainda me deu outras dicas para deixar o ambiente mais aconchegante.” Tudo isso sem cobrar nada – o atendimento online oferecido pela arquiteta é gratuito! Se quiser, o internauta pode fazer uma doação ao escritório no valor que achar justo. Também pode agendar uma consultoria virtual de até 60 minutos (R$ 125) ou encomendar um projeto online.

Quando chega a hora de ir às compras, só tenho dúvidas...

 

Imagine que um decorador foi à sua casa e apontou que, substituindo os tecidos dos estofados, a sala ganharia vida. Se você não se sentir seguro para escolher os cortes, é melhor pedir que o profissional o acompanhe até a loja, onde ele poderá mostrar e explicar as diferenças entre os tipos de tecido e ajudar a combinar estampas. Em São Luís, alguns dos clientes da designer de interiores maranhense Érica Rocha passaram a solicitar esse serviço – com preço de R$ 100 a R$ 150 a hora – depois de contratarem a consultoria da moça, que custa de R$ 600 a R$ 800 por ambiente. Em Florianópolis, as profissionais da Architettura Espresso pedem R$ 200 pela primeira hora de visita e R$ 150 pelas demais.

Fique esperto!

 

Os valores de projetos, consultorias e horas técnicas mudam de região para região. A complexidade dos serviços requeridos também influencia o preço. É por isso que o trabalho fica mais caro quando são exigidos muitos desenhos (plantas, croquis em 3D...) ou um levantamento das medidas de um ambiente ou imóvel. Além dos serviços descritos nesta matéria, os profissionais também trabalham de modo convencional.

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