Vãos livres com até 11 m de comprimento desenham uma casa que parece se sustentar em apenas um pilar aparente.
Por Cristina Bava e Marianne Wenzel
Fotos: Luis Gomes
Ilustrações: Campoy Estúdio
Dois anos de obra é uma perspectiva que costuma desanimar quem quer construir. Não o dono desta casa, localizada na capital paulista. Paciente o suficiente para passar oito meses em contato com o proprietário do terreno que o agradou, tentando e, enfim, conseguindo convencê-lo a vender, ele acompanhou todas as etapas da construção. Durante a preparação do terreno, que sofreu cortes e terraplanagem, aluguei uma grua para checar qual seria a vista do meu quarto, conta o ex-estudante de engenharia que acabou se formando administrador. Propôs mudanças, olhou obras que empregam os materiais especificados no projeto, pesquisou fornecedores. Ele se envolveu bastante com o processo, atesta o arquiteto Mario Biselli, que também observou tudo de perto. Afinal, num projeto que evidencia a estrutura, a confecção das paredes de concreto aparente requer atenção. Na execução, faz-se uma amarração interna para que a parede fique reta. Eu mesmo determinei por onde passariam os arames, porque esses furinhos ficam à vista, fala Biselli. Logo depois do ponto final, colocar: Grandes nomes da arquitetura brasileira são adeptos do concreto em seus projetos. Conheça melhor esse material na reportagem em que respondemos as 8 principais dúvidas sobre o uso do concreto.
Divulgação
A laje mantida à vista se impõe na fachada, também marcada pelo painel de perobinha. Instalado rente à parede, ele está fixado numa estrutua de alumínio (Metalatut). A tinta azul-petróleo aplicada sobre a alvenaria a diferencia claramente do concreto.
A parede de concreto estrutural (ao fundo) ganhou acabamento liso graças à confecção com fôrmas de madeirite plastificado. Integrada à varanda, a sala se isola por meio das portas de correr com vidros duplos. Caixilharia de alumínio da JMAR.
Localizada 6 m acima da rua, a área social se beneficia da vista para um parque. Na varanda, o piso de perobinha (Madeireira Pau Pau) foi calafetado com Sikaflex 290 (Sika), produto indicado para aplicações em convés de barcos que deixou o deck bem nivelado.
Na cozinha, a bancada de Corian (DuPont) foi posicionada logo abaixo da janela que se abre para o jardim dos fundos. O branco predomina nos armários e gabinetes (fornecidos pela SCA) e no piso de porcelanato (Incepa). A cor fica por conta da parede vermelha.
Tubos de aço de duas polegadas compõem as mãos-francesas que fixam os painéis laterais de madeira na parede de concreto armado. A abertura de 3,50 x 0,40 m fica na altura de quem passa por este corredor, que é o principal acesso à casa.
Na face virada para a rua, chamam a atenção os caixilhos do andar superior (Metalatut). Trata-se de esquadrias de alumínio protegidas por venezianas de chapa perfurada. Para quem está do lado de dentro, o efeito é de transparência, mesmo com as janelas fechadas.
Solta da laje, a piscina está localizada numa espécie de meio-nível entre a garagem, no térreo, e o primeiro pavimento. A pastilha cerâmica azul (Jatobá) repete a cor escolhida para a fachada.
Estrutura1. As duas metades da laje de cobertura, inclinadas em direção ao centro, direcionam a água da chuva a uma única calha central, que desemboca numa gárgula. Isso evita a profusão de tubulação aparente, fala Mario Biselli. Impermeabilizada, a área foi coberta com manta Bidim e brita.2. Fixos na laje e na lateral da casa a 1,50 m da parede, dois painéis de alumínio fechados com madeira (6,30 x 6 m e 5,30 x 4,20 m) funcionam como beiral e protegem a entrada principal, além de tapar a vista menos interessante do lote.3. As janelas e portas de correr empregam vidros duplos de 12 cm, que garantem total isolamento acústico no interior da casa.4. As três lajes são do tipo nervurado e empregaram concreto protendido sistema que permite grandes vãos livres e, ao mesmo tempo, resulta numa estrutura delgada (0,50 m de espessura).