Estante suspensa para CDs, DVDs e livros ancorou a reforma no apê
Louco por música, o morador precisava de espaço para guardar sua coleção de CDs. Na reforma, paredes foram substituídas por estantes suspensas.
Reportagem Ana Weiss (texto) e Deborah Apsan (visual) | Design Júlia Blumenschein | Fotos Salvador Cordaro | Ilustrações Fabio Flaks
Louco por música, amante de flmes e convicto de que é preferível levar trabalho para casa a morar no escritório, o casal de advogados de São Paulo sentia falta de conjugar esses afazeres num mesmo ambiente. Assim, nesta reforma, prevaleceu a vontade de estarem juntos em momentos nem sempre coincidentes de lazer e labuta.
Princípios das mudanças
A abertura de um quarto para a sala e a substituição da parede do corredor por estantes suspensas criou um ambiente arejado, onde computadores, TV, som e mesa de jantar convivem sem tumulto nem bagunça. Só a cozinha não pertence ao combinado. “Eles não faziam questão de um espaço gourmet”, conta a arquiteta Clara Reynaldo, uma das autoras do projeto. “Não gosto do cheiro da preparação das refeições invadindo a sala”, atesta a moradora. Já a invasão de luz natural e música era mais que desejável. Assim, a abertura entre a sala de estar e a de jantar contribuiu para espalhar a claridade vinda das varandas e o som ambiente no estar, coroado por um painel de ladrilhos hidráulicos desenhado especialmente para o casal.
Salvador Cordaro
Para criar um espaço em que o casal compartilhasse trabalho e tempo livre, um dos quartos teve a parede derrubada e deu lugar ao escritório integrado à sala. O piso das áreas sociais foi revestido de tábuas de cumaru (Pau-Pau). Estantes suspensas e prateleiras guardam a coleção de DVDs e CDs.
O projeto de iluminação, resolvido pela combinação de luz natural e luminárias embutidas no forro de gesso (Lumini), reservou o centro da cena na sala de jantar para o pendente futurista comprado na Lustres Yamamura.
Numa planta típica dos anos 80, o apartamento apresentava paredes curvas, algumas desnecessárias para a organização dos ambientes. “Mas, além da abertura de um dos quartos para a sala, nenhuma outra intervenção mudou a distribuição do apartamento, que fcou bem mais arejado”, diz Clara.
Arquiteto que enveredou para as artes plásticas nos anos 90, o paulistano Fabio Flaks bebe na tradição dos muralistas brasileiros, como Athos Bulcão (1918-2008). Seu trabalho usa como matéria-prima o tradicional ladrilho hidráulico. Ele cria o desenho no projeto e acompanha toda a instalação. “Nunca repito uma imagem”, garante o artista, que cobra entre R$ 5 mil e R$ 7 mil pelo trabalho. “A fabricação e o assentamento feito por profssionais habilitados são cobrados à parte”, emenda Fabio. o painel acima é composto de 759 peças realizadascom um único motivo. A composição das unidades dá corpo à obra de arte fnal, de 14 x 2,70 m, que levou cerca de uma semana para fcar pronta.
Parece um desafo à gravidade, mas os nichos que dão conta dos muitos livros e discos do casal é uma solução de marcenaria simples, realizada com MDF cinza e branco, o que amplia a sensação de leveza dos ambientes. “o peso das estantes é suportado por ganchos engastados na laje do teto pela equipe de marcenaria no dia da entrega da mobília”, conta Clara Reynaldo. Cabos de aço costuram cada um dos nichos de 55 cm de profundidade nos quatro cantos. “Eles estão presos no chão apenas para ajudar na estabilidade e evitar que a estrutura balance”, completa a arquiteta. o investimento na marcenaria das estantes suspensas, do bufê-aparador e do nicho da sala de jantar foi de R$ 55 100. A montagem foi realizada num único dia.
Os proprietários desejavam preservar o corredor, que era muito escuro. A proposta de estantes “futuantes” demarca o espaço, permitindo a passagem de luz e uma boa visão do painel de Fabio Flaks, que camufa a porta de entrada e a do lavabo.