Como escolher pisos de madeira de demolição

Piso à moda antiga. Alguns apreciam as marcas de sua história, outros a ideia de resgatar um material fadado ao descarte. Veja como acertar na compra e na colocação da madeira de demolição e conheça as opções que imitam os sinais do tempo.

Por Deborah Apsan e Raphaela de Campos Mello Fotos: André Fortes

Quando todos parecem ter olhos para o novo, ele surge na contramão. Proveniente de casarões e galpões antigos, encanta pelos vestígios impressos na superfície - riscos, veios profundos, restos de tinta. "A sustentabilidade fez despertar o interesse pelo reúso de madeiras que seriam descartadas", diz o designer de interiores paulista Fábio Galeazzo. Muitos elegem o piso de madeira de demolição pelo aspecto rústico. "Deixa o ambiente aconchegante", opina a arquiteta Karina Afonso, também de São Paulo. A intensa procura, inclusive, estimulou a indústria a criar exemplares novos que imitam a textura do material antigo. Clique nos itens abaixo para conferir as dicas de como comprar e instalar, depois encante-se com ambientes que exibem este belo piso.

Compra segura

 

Nesse cenário, é preciso atenção para não ser enganado e levar gato por lebre. Segundo Elias da Rosa, proprietário da Natufloor, de São Paulo, peças originais possuem furos de pregos, ranhuras inconstantes e bitolas diferentes. Por isso, é mais seguro adquirir o material antigo ou novo de empresas que respondem pelo revestimento e também pelo preparo, instalação e assistência técnica. Quem preferir arrematar o lote fechado de depósitos e demolições deve ter em conta uma perda de entre 15 e 30% (peças deterioradas, que acabam inutilizadas). Além disso, é preciso contar com um marceneiro de confiança, já que a instalação desse tipo de piso requer grande habilidade.

Soluções sob medida

 

Segundo o arquiteto paulista Fabio Levi, a madeira mais comum em demolições é a peroba-rosa de velhos pisos ou vigamentos. Estes últimos oferecem comprimento e bitolas maiores - e por isso mesmo costumam custar caro. Na percepção do arquiteto Gustavo Dias, especialista na renovação de construções históricas de Tiradentes, MG, a peroba é artigo escasso; o cedro, raríssimo. Ele trabalha usualmente com canela-parda e canela-preta. E, assim como outros profissionais, prefere repetir a função inicial: assoalho segue assoalho, viga continua viga. "Os pisos antigos são gastos de uma maneira própria, cuja beleza é difícil de reproduzir", justifica. Vale lembrar que nesse mercado não existem apenas peças centenárias e espécies raras. Depósitos e casas em demolição também dispõem de madeiras extraídas mais recentemente, caso do ipê.

Preparo cuidadoso

 

Tudo começa pela limpeza (feita preferencialmente com máquinas de água e alta pressão, em vez de substâncias químicas corrosivas, que podem danificar a madeira). Uma vez secas, as réguas precisam ser aplainadas para ficar com a mesma espessura. Há quem utilize apenas a face desgastada pelo tempo. Outra opção é aproveitar também o lado liso para evitar perdas. Só então as peças são cortadas na lateral para ganhar encaixes do tipo macho e fêmea (o mais comum) ou empena (espécie de chanfrado). Se planejadas como junta seca, elas ficarão lado a lado, sem encaixes - de efeito mais rústico. Nesse caso, costuma-se dispensar posteriormente a massa de calafetação (aplicada no encontro das réguas) e adotar cera no acabamento. Todas essas tarefas cabem ao fornecedor do material, ao depósito ou ainda ao marceneiro e são feitas numa oficina. "Retiro os pregos e tampo os buraquinhos o mínimo possível, com massa F12 , para não alterar as características da madeira", diz Getúlio José dos Santos, da Antigão Demolições, de São Paulo. Ele também tinge ou mantém restos de tinta, de acordo com o gosto do cliente. Se necessário, faz-se ainda a descupinização preventiva - embora espécies como peroba-rosa, ipê, canela e jatobá sejam naturalmente resistentes.

Segredos da instalação

 

O contrapiso precisa estar totalmente seco - no mínimo, 25 dias - e nivelado. "A umidade mancha a madeira", alerta Elias da Rosa. Em nome da praticidade, cada vez mais usa-se cola do tipo PU ou epóxi para fixar as tábuas. Peças longas, de 2 a 5 m, pedem também bucha e parafusos de aço (além de cavilhas, acabamento que oculta a cabeça do parafuso). O piso pode ainda ser pregado sobre barrotes (base de madeira chumbada no contrapiso). Segundo o arquiteto Fabio Levi, esse é o método mais seguro e estável. "Mas o ambiente precisa acomodar 3 a 5 cm extras de espessura do piso, o que é raro em apartamentos", alerta. Outra dica: como a madeira de lotes diferentes costuma apresentar variação de cor e medidas - ou mesmo de espécies -, é importante planejar a disposição das réguas no ambiente a fim de evitar zonas mais claras ou escuras. "E, quanto às emendas no comprimento das réguas, estude pontos discretos no ambiente para fazê-las, pois ficam feias se concentradas", ensina o marceneiro José Antônio Frausto, da Wood Floor.

Acabamento e manutenção

 

Para proteger a madeira, os profissionais indicam resina à base de água (do tipo Bona, Synteko Vitta, Skania). A opção prescinde do toque aveludado da cera, mas em compensação é inodora e não mancha em contato com água. Além disso, dispensa a enceradeira mensalmente. A versão fosca é a que menos altera o aspecto natural da madeira. E não se esqueça: "Pisos com sulcos fundos não são práticos onde vivem crianças e cães", diz Elias.

Onde Comprar

 

Confira a seguir empresas que comercializam piso de madeira de demolição, indicadas por arquitetos de nove estados brasileiros.

São Paulo

- Hydrotech - tel. (11) 3832-1924, São Paulo.

- Lauro Murakami - tel. (11) 3097-9812, São Paulo.

- O Relicário Antiguidades - tel. (11) 4412-4644, Atibaia.

- Velho Brasil - tel. (11) 3894-5700, São Paulo.

Rio de Janeiro - Aroeira - tel. (11) 2513-1648, Rio de Janeiro.

- Arte Oficina Móveis e Madeira de Demolição - tel. (21) 2512-9704, Rio de Janeiro.

- Galo Vermelho - tel. (24) 2222-5090, Itaipava.

- Rio Novo Demolições - tel. (21) 2293-3395, Rio de Janeiro.

Minas Gerais - Atelier Isaura Kallas - tel. (31) 3541-6038, Nova Lima.

- Francisco Rodrigues Antiguidades - tel. (32) 3355-1216, Tiradentes.

- Gustavo Dias - tel. (32) 3355-1702, Tiradentes.

- Hermes Ebanesteria - tel. (31) 3435-1455, Belo Horizonte.

- Lisboa Demolições - tel. (31) 3494-6240, Belo Horizonte.

Espírito Santo

- Canto Encanto - tel. (27) 3235-9681, Vitória.

- Solar de Maria Demolições - tel. (27) 3227-9793, Vitória.

- Zuccolotto Marcenaria - tel. (27) 3339-7645, Vila Velha.

Bahia - Armazém de Época - tel. (71) 3334-4425, Salvador.

- Garimpo do Brasil - tel. (71) 3379-8033, Salvador.

- Nino Nogueira Decor - tel. (71) 3334-6760, Salvador.

Pernambuco - All Revest - tel. (81) 3326-5744, Recife.

- Marconi Chaves - tel. (81) 9971-1242, Recife.

- Olinto Madeira Ecológica - tel. (81) 3075-3000, Recife.

Paraná

- Arara Azul Móveis - tel. (43) 3251-0123, Cambé.

- Guaraúna - tel. (41) 3274-2814, Curitiba.

- Regina Klass Movelaria de Demolição - tel. (41) 3015-3830, Curitiba.

Santa Catarina - Mercatto - tel. (48) 3224-6652, Florianópolis.

- Pau Canela - tel. (48) 3338-2328, Florianópolis.

- Usina das Artes - tel. (48) 3235-2422, Florianópolis.

Rio Grande do Sul - Antiquário Terra Brasil - tel. (51) 3226-1686, Porto Alegre.

- Espaço do Piso - tel. (51) 3330-3063, Porto Alegre.

- Forster Pisos de Madeira - tel. (51) 3028-0947, Porto Alegre.

- Luiza Pilau Estudio de Revestimento - tel. (51) 3222-0183, Porto Alegre.

 

* Preços pesquisados em agosto de 2010. Os valores de instalação citados são referentes à cidade de São Paulo.

Divulgação
A peroba de demolição foi a escolhida da arquiteta paulista Bia Prado. “Po...
A peroba de demolição foi a escolhida da arquiteta paulista Bia Prado. “Por ser um elemento rústico, ela contrasta com o desenho contemporâneo da casa, além de aquecer o ambiente”, afirma. As réguas de 20 cm (Parquet SP) receberam acabamento ebanizado marrom.

Comentários (2)

Gustavo Wentz 23:38 - 21 de Abril de 2012

Vi que nessa foto do Assoalho de demolição feito pela ParquetSP está bem selecionado e com acabamento muito bom. veja mais em http://www.parquetsp.com.br www.blogdogustavo.com

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Gustavo Wentz 23:35 - 21 de Abril de 2012

O assoalho de demolição da ParquetSP se transformou em um dos produtos mais nobres do mercado através da larga utilização pelos profissionais de arquitetura. Isso demonstra além do bom gosto, uma preocupação em utilizar materiais renováveis. No entanto, sua escolha deve ser bastante criteriosa, pois não são todas empresas que sabem selecionar e tratar a madeira de forma adequada, afim de não levar sustos. Sua instalação também deve ser avaliada, sabendo quais critérios e insumos que serão usa... veja mais

O assoalho de demolição da ParquetSP se transformou em um dos produtos mais nobres do mercado através da larga utilização pelos profissionais de arquitetura. Isso demonstra além do bom gosto, uma preocupação em utilizar materiais renováveis. No entanto, sua escolha deve ser bastante criteriosa, pois não são todas empresas que sabem selecionar e tratar a madeira de forma adequada, afim de não levar sustos. Sua instalação também deve ser avaliada, sabendo quais critérios e insumos que serão usados. Vejam alguns exemplos: http://www.parquetsp.com.br Gustavo Wentz Consultor de materiais http://www.blogdogustavo.com

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