Estrutura de madeira, telhas de concreto, panos de vidro e pedra canjiquinha compõem esta casa de campo
Por Eliana Medina e Joana L. Baracuhy
Fotos: Célia Mari Weiss
Ilustrações: Campoy Estúdio
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Um casal que mora em Praia Grande, SP, tinha um terreno de 7 500 m² em Monte Verde, estância serrana de Minas Gerais, e sabiam o que queriam: de imediato, uma cabana e, para o futuro, uma pousada. Em 2002, eles pediram aos arquitetos paulistas Paulo Elias e Leandro Alegria um projeto com estrutura de madeira, telhas de concreto e pedra do tipo canjiquinha. Quanto ao visual da cabana, a proposta foi fazer algo diferente dos chalés alpinos, que pipocam na região, emenda Leandro. Os profissionais estudaram a melhor implantação no lote, buscaram materiais e recursos para aquecer a construção, além de valorizarem a vista e a privacidade. A obra durou cerca de um ano e incluiu várias melhorias no terreno: cortes e aterros, abertura de acessos, infraestrutura elétrica e hidráulica. No fim dos trabalhos, a proprietária ficou grávida e a lavanderia no subsolo virou uma suíte para a criança. Ficou tão personalizado que eles desistiram de posteriormente alugar o chalé, conta Leandro. Mas não abandonaram a ideia da pousada, hoje concluída: os donos conheceram os pais de Leandro e os convidaram para tocar o negócio. Estas 28 fachadas de chalés e casas de madeira são pura inspiração para você também realizar esse sonho.
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Um deque de 7 x 4 m amplia o espaço de estar. O desenho da cobertura privilegiou o uso de vigas robustas (de 28 x 6 cm) em lugar de tesouras, que atravessariam o teto no ambiente interno. Essa solução permitiu sustentar o peso das telhas de concreto (Tégula), mantendo a sensação de que o pé-direito é elevado no interior. Projeto de Paulo Elias e Leandro Alegria.
A casa fica apoiada sobre uma caixa oca de 50 cm de altura, de concreto e alvenaria, que impede a subida da umidade. A exceção ocorre na sala de estar, que incorpora esses centímetros visando atender ao desejo do cliente de um pé-direito mais alto (4,20 m). As esquadrias de cumaru foram desenhadas e produzidas pelos arquitetos, donos da marcenaria Arteoficina. Alternei painéis fixos e folhas de correr para simplificar e baratear, diz Leandro. Os deques são de ipê. Projeto de Paulo Elias e Leandro Alegria.
O spa tem iluminação zenital (vinda do teto), uma cobertura de policarbonato translúcido fixada acima do pergolado. Uma grelha no alto deixa o ar quente sair e evita o gotejamento do vapor condensado, diz Leandro. Projeto de Paulo Elias e Leandro Alegria.
Nas paredes do quarto de casal, pedra são tomé em três tons (branco, amarelo e vermelho), da Arquitetura do Mármore. Projeto de Paulo Elias e Leandro Alegria.
Como a construção foi planejada para o relax do casal, é muito envidraçada e integra visualmente o quarto, o spa, a sala e o bosque. Projeto de Paulo Elias e Leandro Alegria.
A casa tem estrutura de peroba-mica (encaixada e parafusada), exceto no conjunto formado por banheiros, cozinha e sauna de alvenaria. Esse bloco, bastante vedado, barra a visão das construções mais abaixo. Sobre ele incide o sol da tarde. As pedras acumulam o calor e o irradiam para o interior quando esfria, explica Leandro. Projeto de Paulo Elias e Leandro Alegria.
Parte do morro foi cortada para encaixar o quarto das crianças no subsolo (o casal tem hoje dois filhos). As vigas do telhado têm as pontas chanfradas, garantia de um visual mais leve (sem reduzir a capacidade de suportar peso). O fechamento de vidro ajuda nessa tarefa. Vista de certos pontos do terreno, ao longe, a cobertura parece flutuar. Projeto de Paulo Elias e Leandro Alegria.