Cobogós fashion: cores, modelos e novos usos do elemento vazado
Assim como a moda resgata memórias para lançar tendências, os arquitetos também se valem de ícones do passado para atualizar nossa casa. Confira aqui a volta dos elementos vazados, em releituras supercontemporâneas.
Por Deborah Apsan, Juliana Sidsamer e Lucila Vigneron Villaça Fotos: Eduardo Pozella (cobogós) e Victor Affaro
As tramas vazadas de madeira, chamadas de muxarabiês pela arquitetura moura, levaram três engenheiros brasileiros a criar uma peça com a função semelhante de dar privacidade ao interior das casas, sem comprometer a luminosidade nem a visão do mundo exterior. Batizada com o nome de cobogó, resultado da soma das iniciais do sobrenome dos inventores (Coimbra, Boeckmann e Góis), a peça começou a ser produzida com cimento. Aos poucos, no entanto, esses elementos vazados deixaram de embelezar as fachadas e migraram para espaços menos nobres, quando passaram a ser usados como divisórias de áreas de serviço, perdendo todo o glamour inicial. A versatilidade na aplicação também ajuda a difundir o cobogó, uma vez que ele pode vedar uma fachada inteira ou um pequeno vão na parede, e sua instalação é relativamente simples. Mas requer cuidados: "Como o elemento vazado é mais frágil que o tijolo, deve ser assentada uma fiada de cada vez, com intervalo para secagem. É aconselhável colocar uma barra de metal a cada duas fileiras para estruturar o painel", ensina Fernando Teixeira da Silva, da São Francisco Pré-Moldados, de São Paulo. A argamassa para assentamento é comum, e recomenda-se uma junta de cerca de 3 cm entre as peças para melhor sustentação.
Divulgação
Com a arquitetura inspirada nos anos 50, a Lanchonete da Cidade, em São Paulo, exibe um amplo painel (5,20 x 7,80 m) de cobogós na fachada. Para estruturar a composição, as arquitetas Carla Caffé e Carol Tonetti usaram armações de ferro nas juntas (5 cm) e pilares nas laterais. Estes cobogós, modelo Folha, podem ser encontrados na Cerâmica Martins.
A trama da palhinha sempre atraiu o arquiteto Cícero Ferraz da Cruz, da Brasil Arquitetura, que decidiu transpô-la para o cobogó, unindo dois elementos bem brasileiros. Fabricadas pela Neo-Rex, as peças de cimento (39 x 39 x 7 cm) formam um painel de 5 x 6 m na Marcenaria Baraúna, em São Paulo.
Manter o estilo mesmo na área de serviço deste apartamento foi a intenção da arquiteta Renata Pedrosa, do escritório Sub Estúdio, de São Paulo. Para isso, colocou um painel de cobogós amarelos (20 x 20 x 7,2 cm, da Elemento V), assentados em posições aleatórias para dar movimento à superfície.
A cozinha integrada com a sala no apartamento da arquiteta Jovita Torrano ganhou um painel de 1,60 x 1,80 m de cobogós esmaltados (Elemento V ), que permite a passagem de luminosidade e ventilação para a lavanderia . À noite, a luz cria um bonito efeito de bolinhas na parede logo atrás, diz.
1. Feito de cimento, o modelo Veneziana (30 x 30 x 7 cm), da Facital, pesa 7 kg e pode receber diversos tipos de pintura. Custa R$ 4,60 cada um.2. Uma flor vazada figura na peça de cimento da São Francisco Pré-Moldados (40 x 40 x 6 cm). Para um acabamento natural, use apenas resina impermeabilizante. Vale R$ 18 a unidade, na Mosaicor.3. Flor é o nome deste cobogó (18 x 18 x 8 cm) fabricado pela Cerâmica Martins. De porcelana esmaltada, cada peça sai por R$ 12.
1. De cerâmica esmaltada, esta peça (18 x 18 x 7 cm) está disponível em cinco cores, além do azul-céu. Na Telhanorte, R$ 9,10 cada uma.2. O modelo Flor, de cerâmica (18 x 18 x 7 cm), pode ser assentado com argamassa comum. À venda na Leroy Merlin, sai por R$ 1,59 a unidade.3. Criação do arquiteto Felipe Protti, este cobogó (22 x 22 x 9,5 cm) é feito de alumínio fundido. As peças têm encaixe do tipo fêmea e devem ser coladas em barras do mesmo material. R$ 440 cada uma, na Dbox.