Arquitetos famosos assinam projetos de casas de cachorros
Casas para os pets terão ventilação cruzada, jardins no teto e até proteção com lã de garrafa PET
Por Nilbberth Silva
Eles já projetaram milhares de metros quadrados, ganharam prêmio de arquitetura e criaram obras que estamparam capas de revistas pelo mundo afora. Mas agora arquitetos paulistas como Isay Weinfeld, Ruy Ohtake e Carlos Bratke se engajaram em um novo desafio: projetar casinhas de cachorro. A causa é nobre. Duas mulheres paulistanas, a artista plástica Ana Cordeiro e a protetora animal Birgit Kherlakian, pretendem construir e vender as casas e leiloar as maquetes. Parte dos lucros irá para três movimentos de proteção animal: a Divers for Sharks, que divulga a necessidade de preservar os tubarões, a SOS Fauna, que atua contra o tráfico de animais, e a Amor aos Animais, em Barueri (SP), responsável por adotar e castrar cães e gatos. Acostumados a lidar com os refinados consumidores de design do Brasil, os arquitetos ganharam “clientes” que se satisfazem com pouco. Basta um lugar seco, arejado e com comida para arrancar latidos satisfeitos. Mesmo assim, os profissionais capricharam e criaram casas mais bonitas e confortáveis do que alguns lançamentos imobiliários brasileiros.
Nilbberth Silva
Essa casa criada pelo arquiteto Siegbert Zanettini terá formato de caracol. “É costume do “usuário” se enrolar para deitar”, justifica o arquiteto. Suspensa a 4 cm do solo, a moradia terá ventilação cruzada e isolamento térmico feito com lá de garrafa PET. O dono poderá retirar o “teto” para lavar e permitir a entrada de sol. A casa medirá 80 cm X 60 cm.
Assim como a casa de cachorro, essa residência em Ilha Bela, de Zanettini, tem formas curvas dialogando com planos retos. Construída em um terreno com 12 m de desnível, a casa foi premiada pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) de São Paulo em 1992.
O cachorro de Zanettini faleceu há um mês e o arquiteto disse que deve começar a procurar outro. Pirata era um boxer branco com uma mancha roxa nos olhos. “A casa dele era meu quarto“, conta o arquiteto. “Boxer é muito companheiro e dócil”.
A Casa Bola, de Eduardo Longo, ficou famosa pelo mundo. O arquiteto projetou a casa em formato de esfera para conseguiu construir em um terreno apertado de São Paulo e ainda assim ter quintal.
Pedro Paulo de Melo Saraiva criou essa casa esférica pensando em cães da raça border collie, pela qual é apaixonado. Sem cantos, a casa permite que o bicho se enrole sem esbarrar em nada – e acomoda outro pet, como um gato. A porta tem duas possibilidades de abertura e sombreia a casa quando está aberta.
A sede do Confea, em Brasília, foi projetada pelo escritório PPMS, encabeçado por Pedro Paulo de Melo Saraiva. O edifício não tem pilastras no meio dos andares. A fachada de tela perfurada torna-se transparente à noite, quando os usuários acendem as luzes.
A casa de cachorro projetada pelo arquiteto Ruy Ohtake terá formas arredondadas e tampo removível – assim é mais fácil deixar a casa limpa e fazer o sol entrar.
A casa criada por Roberto Loeb terá três pontos de apoio e será levantada a 4 cm do chão. No topo, terá uma almofada colorida e um sombreador, que também a protegerá da chuva. Além disso, a casa terá uma porta dupla perfurada e almofada interna no chão.
A casa criada por Júlio Katinsky tem uma varandinha (“é vício do arquiteto”, contou Júlio). Também terá uma tampa deslizante para o cachorro tomar sol. Projetada para ser feita com material barato, medirá 80 x 60 x 50 cm e estará suspensa 4 cm em bases de borracha.