Casa térrea no campo faz releitura de casa de fazenda
Memória afetiva: durante a infância, o empresário paulista desbravava a região na companhia dos familiares. Agora, ele resgata as boas lembranças com esta casa, uma releitura das tradicionais construções rurais brasileiras
Por Ana Paula Mourão e Cristina Bava
Fotos: Luis Gomes
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Aos 40 anos de idade, o empresário paulista não se esqueceu da infância passada na fazenda da família paterna, localizada na região de Campinas, SP. Saía com meu pai, meus tios e primos desbravando as terras, conta. Há dois anos, ele resolveu arrematar parte da gleba da fazenda para erguer seu refúgio de 760 m² no campo. A decisão coincidiu com a morte do pai e do tio, que cuidavam do lugar com apreço. Fazer esta casa foi uma forma de preservar a memória afetiva de um lugar muito importante para nossa família, afirma. O proprietário convocou uma amiga de adolescência, a arquiteta Vanessa Féres, para desenhar o projeto, executado por uma construtora. Fiz uma releitura da casa de fazenda sem abrir mão de varandas e telhas de barro, define a profissional. Construímos uma estrada para que o material chegasse à obra, e também levamos eletricidade e água encanada ao lugar, que fica no meio do nada, explica o proprietário. Valeu! Hoje, o empresário faz da casa seu recanto preferido, compartilhando-o com a esposa e os amigos. E todos elogiam a hospitalidade da Vila Santo Antônio do Cambará. Cambará porque é uma árvore comum na região e Antônio em homenagem ao meu saudoso pai, explica o empresário. Conheça outras 23 fachadas revestidas de tijolo aparente.
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A vista privilegiada é um dos grandes atrativos desta casa localizada no topo de um morro. O piso é forrado com tijolos de demolição trazidos de uma antiga fazenda que pertencia a um amigo do proprietário. Projeto de Vanessa Féres.
As referências arquitetônicas são brasileiras. Mas a fachada, discreta como desejava o morador, revela outra influência: a das construções mexicanas. Prova disso são o pátio de chegada, com muros bem fechados, os pátios internos e o uso de tijolo antigo e madeira. Projeto de Vanessa Féres.
Para criar um clima rústico e despojado, a arquiteta Vanessa Féres optou por poucos acabamentos. É o caso dos tijolos aparentes (protegidos por Acquela, da Otto Baumgart), um dos elementos recorrentes no projeto. Já o forro de cumaru faz dobradinha com o piso da mesma madeira.
A presença de varandas na área externa do living escureceu o interior. Para driblar o problema, dois pátios envidraçados abrigam jardins-de-inverno assinados por Alex Hanazaki. Projeto de Vanessa Féres.
A cozinha integrada à sala de jantar ganhou armários e revestimento de cumaru na parede feitos sob medida pela Marcenaria DeLabelle. Luminárias da Itaicy e coifa Criss Air. Projeto de Vanessa Féres.
Uma das boas sacadas do projeto é esta bancada que fica na suíte do casal, servindo também de cabeceira da cama. Feita de freijó e mármore, sob encomenda, ela traz gavetas e abriga o lavatório. Já a área de banho se localiza em uma ala privativa do quarto. Assim não tem risco de briga na hora de passar os cremes ou de fazer a barba, diverte-se a arquiteta Vanessa Féres.
Amplos painéis de vidro e cumaru presos em um vão de 10 m de largura garantem a integração da ala social com a varanda. Para que isso fosse possível, usou-se uma viga metálica que sustenta o conjunto. O restante da casa tem estrutura de concreto. Repare que o forro da varanda segue a mesma inclinação do telhado. Projeto de Vanessa Féres.
Uma base de concreto dá corpo à lareira (Construflama), que é alimentada com troncos de madeira. Note que graças à localização central ela aquece tanto a sala quanto a varanda. Para garantir um visual leve, a estrutura de ferro da chaminé foi soldada na laje. Caixilhos Uliana. Projeto de Vanessa Féres.
Erguida ao longo de um ano e meio, a casa térrea de 760 m² tem ambientes integrados e está dividida em dois blocos: íntimo e social. Uma parede separa as alas e também protege a construção dos ventos que assolam o local. Isso porque o terreno está localizado no alto de um morro. A vista privilegiada da região determinou a implantação, explica a arquiteta Vanessa Féres. Mas antes de construir fizemos uma terraplanagem para evitar que a casa ficasse no topo de um barranco.