Casa geminada ganhou cobertura arborizada após a reforma
Reportagem Ana Sant’Anna (texto) e Deborah Apsan (visual) Design: Renata Rise Fotos: Cacá Bratke Ilustrações: Campoy Estúdio
Morar perto do trabalho, numa região cheia de árvores e valorizada pelo mercado imobiliário, era prioridade para o arquiteto paulistano Gil Mello e sua mulher. Por isso, eles decidiram comprar e reformar este sobrado no bairro Alto de Pinheiros, em São Paulo. “Do projeto original, além da implantação, que preservava os recuos exigidos por lei, restaram apenas as lajes, alguns ladrilhos e parte dos tijolos maciços”, diz Gil, sócio das arquitetas Fernanda Neiva e Fernanda Palmieri na Galeria Arquitetos. Para conquistar luminosidade e aproveitar melhor os 160 m², ele abriu as fachadas com vidro e ergueu a cozinha no lugar da antiga garagem. No térreo, a sala de estar ficou voltada para os fundos do terreno. Dois quartos e um escritório redesenharam o andar superior. “Como muitas paredes foram retiradas, reforçamos as estruturas com vigas metálicas”, explica. Isso estava previsto. Já a substituição do telhado por uma laje plana onde fica um solário foi de última hora. “Achávamos que esse custo não valeria a pena. Hoje, a cobertura é nossa praia particular”, conta.
Cacá Bratke
Esta casa geminada passou por uma reforma radical. Com fachadas atualizadas, ambientes redistribuídos e revestimentos novos, ela ganhou muita luz, ventilação e uma cobertura arborizada.
Tudo novo. O espaço da antiga garagem deu lugar à cozinha, no térreo, e permitiu estender o quarto e o banheiro do casal, no andar superior. Como a face norte coincide com os fundos e a moradia não recebe muito sol, Gil compensou envidraçando as três fachadas livres (a outra é geminada). A cobertura ganhou um solário(não é área construída). Área: 160 m2. Ano do projeto: 2009. Reforma: de agosto de 2009 a janeiro de 2011. Projeto e coordenação da obra: Galeria Arquitetos. Construção: Construsil. Serralheria: Marquelon. Caixilharia: SD marcenaria. Impermeabilização da cobertura: Alwitra. Paisagismo: Mariana Soares
Preservada atrás da caixa da escada (de concreto moldado na obra), a sala de estar conquistou privacidade. As esquadrias vão do piso ao teto para permitir a entrada de luz natural e brisa. De freijó com batentes de cumaru, correm pelo lado de fora da casa – exceto a porta dos fundos, pivotante. Os toquinhos de madeira encaixados nos batentes foram criados pelo arquiteto para travar os caixilhos e evitar que abram.
Na sala de jantar, assim como nos outros ambientes sociais, o arquiteto aplicou tacos de cumaru (ZR Pisos). “O conceito de unidade permanece em toda a reforma”, diz ele.
Uma ampla porta de correr marca a passagem para a cozinha. Ali, os armários de compensado naval são revestidos de laminado melamínico na mesma cor da fachada e os ladrilhos hidráulicos cinza acompanham a tonalidade dos muros externos e da parede de concreto da escada. Iluminação da Reka.
No banheiro do casal, a porta de correr revestida de espelho e a bancada (com apenas 38 cm de profundidade) de mármore branco espírito santo (Amazonas Pedras) ampliam o espaço. A janela generosa é um convite à claridade. Cuba, pastilhas e piso são da Stella Ferraz Cerâmica.
No primeiro andar, os armários guardam roupas, objetos pessoais e fazem mais: localizados junto à parede fronteiriça da casa vizinha, também servem como barreira acústica.
Espécie de solário, essa área fica protegida por um guarda-corpo de cumaru em toda a extensão. Os caixilhos das janelas exibem um traçado igualmente horizontal.
Os decks de cumaru apoiados na laje impermeabilizada saem facilmente para a limpeza, assim como os vasos com rodízios. Estão repletos de árvores frutíferas, florese ervas variadas.