Antes mesmo de mergulhar nos desenhos de sua casa em Ubatuba, SP, a arquiteta Rita Martinussi já sabia as feições dela: estrutura metálica, paredes externas de tijolos maciços, caixilharia de madeira e telhado com telhas cerâmicas. Por quê? “Meu pai, dono do terreno e da construção já existente no lote, me pediu para desenvolver um projeto semelhante ao dele”, justifica. Até aí, nenhuma dificuldade. Mas, muito próximo da praia e inserido na mata nativa, o lote de 880 m2 impunha outras restrições: a preservação de uma faixa de 33 m junto ao mar (exigência do Patrimônio da União), a supressão de, no máximo, metade da vegetação (normas da Cetesb), a obrigatoriedade de manter 1,50 m de recuos laterais (regra do condomínio) e uma rua de acesso que dividia a área total ao meio. Além disso tudo, o terreno chegava a 77% de inclinação. “A solução foi aproveitar o espaço vertical e distribuir os ambientes em três pavimentos”, diz a arquiteta. Para integrar a casa à natureza e conferir ao conjunto uma sensação de amplitude, ela lançou mão de amplos painéis de vidro temperado.
Eduardo Pozella
Seguindo os traços da casa paterna existente no lote, a arquiteta encarou as restrições da área e ergueu este refúgio no meio da mata. Na fachada virada para o mar, as esquadrias de vidro e ipê e as portas de correr envidraçadas deixam salas, cozinha e quartos integrados ao exuberante cenário natural.
Um balcão de alvenaria com tampo de ipê divide sala e cozinha. No alto da parede, o vidro fixo instalado abaixo da viga metálica permite a entrada de luz. Do lado esquerdo, a porta de correr de freijó leva à despensa. Fruteira e louças da Regatta Tecidos.
A segunda porta de correr da cozinha conduz à área externa. “De ipê, ela é mais resistente ao tempo”, justifica a arquiteta.Os armários, feitos sob encomenda pela SCA, empregam laminado melamínico. Piso de porcelanato de 50 x 50 cm.
Dois lances de escada interligam a garagem, na parte alta do terreno, à sala. Mãos-francesas metálicas fixam cada um dos degraus de ipê na parede. Sobre o piso de tijolos, tapete da By Kamy.
No limite exato permitido para a construção no lote, o banco de madeira também faz as vezes de guarda-corpo. O deck de ipê (da Marcenaria Libanesa, assim como todo o trabalho com madeira) se abre para o mar e a natureza ao redor. Contínua a ele, a piscina faz parte da casa vizinha, do pai da arquiteta, mas é compartilhada pelas duas famílias. Espreguiçadeiras de Fernando Jaeger.
Toda envidraçada, a área social tem pé-direito de 8,40 m. Isso significa que as árvores e o mar podem ser vistos desde a entrada da casa. Para demarcar a sala de jantar, requadro de ladrilhos hidráulicos (Fábrica de Mosaicos).
1. O telhado de uma água é coberto com telhas de barro do tipo francesa (Olaria Dois Córregos). 2. Com 35 cm de altura, as vigas metálicas (Serralheria Vitromorth) exibem formato em I. 3. As paredes externas empregam tijolos maciços. 4. Revestido de granito verde da Brito Pedras (visível na foto à dir.), o muro de alvenaria estrutural ancora a casa no terreno.
Praticamente engastado no morro, este refúgio aproveitou o espaço vertical do terreno. o pavimento térreo, com garagem, mezanino e hall de entrada, fca no mesmo nível da rua.
No andar inferior, além da sala de estar e de jantar, da cozinha, da despensa, da lavanderia e de uma suíte de hóspedes, há ainda um deck, de 88 m2, que dá acesso à praia e à casa do pai da arquiteta. Área: 190 m2. Ano do projeto: 2007. Conclusão da obra: 2008. Projeto: Rita Martinussi. Projeto estrutural: Ricardo Yazigi. Projetos elétrico e hidráulico: Instalmax. Administração: José Jorge Ribeiro do Valle