O ar antigo desapareceu. Depois de uma reforma geral na planta e nos acabamentos, esta casa dos anos 70 atualizou-se sem perder seu maior trunfo: a marcante fachada de concreto. Para aguçar ainda mais seu desejo por uma casa dessas, mostramos uma morada em plena cidade com ares de casa de campo.
Por Edson G. Medeiros e Marianne Wenzel
Fotos: Luis Gomes
Pode ser difícil imaginar, mas esta casa paulistana, apesar das linhas modernas que caracterizam sua fachada, internamente lembrava uma sede de fazenda. Junto com a sócia, Alice Martins, Flávio Butti comandou uma reforma de oito meses que promoveu a troca total de revestimentos e recuperou a linguagem do projeto original, expressada no concreto aparente (que, depois de lixado, recebeu nova camada de resina). Muito comprometidas, a hidráulica e a elétrica foram totalmente refeitas. Dos materiais originais, manteve-se apenas o piso que forra a maioria dos ambientes do térreo. De primeira qualidade, a madeira não apresentava fissuras. Com ebanização, tratamento químico que escureceu sua cor, ela ficou como nova. E essa escolha gerou uma economia significativa, afirma Flávio.
Divulgação
Plataformas revestidas de placas cimentícias da linha Etrusco (Castelatto) conduzem à entrada.
No hall, a porta pivotante (Marcenaria Ipê) tem puxador da Open. Piso de travertino romano bruto com filetes de granito preto absoluto (Portoro). A abertura envidraçada que ilumina o ambiente já existia apenas perdeu a vegetação volumosa em prol do jardim de vasos.
Incorporada à área social, a varanda passou a ser fechada com esquadrias de correr de alumínio (MGM). Os vãos que a separavam da sala, ampliados, revelaram um pilar impossível de remover. Como não tínhamos o projeto estrutural original, ficamos sujeitos a surpresas como essa, explica o arquiteto Flávio Butti.
A existência do pilar não impediu a criação de vãos generosos entre a sala e a varanda. Assim, o campo visual atravessa o jardim e alcança o muro atrás da piscina, revestido com um painel de cumaru (Madezonia).
A piscina teve seu formato preservado, ganhou um sistema de aquecimento e novas bordas (linha Atérmica, da Castelatto, que reveste toda a área externa). No piso superior, a cor cereja (ref. 50 RR 15/400, da Tintas Coral) demarca as paredes externas de um closet. Em contraste com ela, o branco e o cinza aparecem mais, diz Flávio Butti.
Antes isolada, a área da churrasqueira transformou-se numa segunda cozinha, conectada tanto à piscina quanto à sala de almoço. O espaço ficou muito iluminado. É dos lugares mais agradáveis da casa, usado pelos moradores para trabalhar no laptop, comer, receber pessoas..., conta o arquiteto.
O piso cimentício (linha Basic, da Solarium) e o acabamento da bancada central (iluminada pelo pendente Fit, da Lumini) remetem ao concreto aparente que tanto marca a linguagem do projeto original. Na parede, revestimento da linha Crystalli Fino (Castelatto).
A cozinha cresceu sensivelmente com a eliminação de um pequeno depósito, agora desnecessário com os armários planejados (Delta Cozinhas), e pôde abrigar a ilha com fogão (coifa da Suxxar). A bancada de Silestone (Mont Blanc) ocupa o trecho abaixo da janela, que se abre para um pequeno jardim lateral. No piso, porcelanato Portinari (Soluzione).
Descompartimentar a planta, principalmente no pavimento superior, foi o desafio do projeto. Havia uma quantidade enorme de portas que interligavam os quartos e fragmentavam demais o espaço disponível, explica Flávio Butti.