Uma casa de vila de 135 m² com luz e amplitude de sobra
Por fora, esta casa de vila dos anos 30 recuperou o visual da época em que foi construída. Internamente, conquistou espaços iluminados e fuidos.
Reportagem Danilo Costa (texto) e Mayra Navarro (visual) | Design Renata Rise | Fotos Evelyn Müller | Ilustrações Campoy Estúdio
A experiência na Europa, a especialização em conforto ambiental e o mestrado em cenografa contribuem para o jeito incomum com que o arquiteto Gianpaolo Granato concebe os espaços.
Como o arquiteto concebeu este projeto
“Não vejo o preço do metro quadrado construído como o resultado mais valioso de um projeto. Importante são os valores intangíveis, como o prazer de compartilhar as áreas ou contemplar o céu”, revela o coordenador do Studio GGA, de São Paulo. Por isso, quando reformou esta moradia de 135 m2, original dos anos 30, ele sugeriu reconfgurar o pátio, ocupado pela lavanderia e um banheiro – ideia logo encampada pelo cliente, o administrador André Martins. “Extensão da cozinha, esse local é gostoso para servir churrasco e paella. Agora tem até limoeiro e horta”, revela. Sua paixão pela boa mesa explica por que a cozinha ocupa grande parte do térreo, todo integrado. Essa operação exigiu reforços na estrutura. Entenda, a seguir, como isso aconteceu.
Entenda o esforço estrutural
Distribuída num terreno de 5 x 15 m, esta casa geminada dos dois lados tinha as paredes internas de alvenaria estrutural (sem vigas nem pilares de sustentação). Antes de derrubá-las, um cálculo estrutural determinou como seriam os novos reforços para suportar o peso do pavimento superior. A laje do térreo ganhou três vigas de aço chumbadas nas paredes laterais de tijolos de barro maciços. Nelas, embutiuse uma coluna de aço na área próxima da escada. “Retiramos as alvenarias e instalamos as peças metálicas gradativamente, sempre trabalhando com um sistema de escoramento de madeira para liberar a carga”, explica o arquiteto. “Elegemos a armação de aço, em vez do concreto, pois buscávamos rapidez e facilidade de instalação. As peças [Gerdau] chegam prontas à obra”, fala o arquiteto. “Tomamos o máximo de cuidado ao mexer na estrutura. Mesmo assim, pequenas trincas nas construções adjacentes são inevitáveis. Por isso, é importante conversar com os vizinhos antes de iniciar os trabalhos.”
Evelyn Müller
As grandes portas de garapeira, com folhas de abrir e de correr, estão constantemente abertas para tornar cozinha, pátio e edícula um espaço contínuo. Banquetas de cortiça da Vitra by Riccó.
A porta de pinho-deriga foi restaurada. Do tipo guilhotina, a janela de garapeira (Mercosul) pode ser fechada por duas folhas de madeira pintadas de branco. Antes usada para proteger a parede daumidade, a base de pedra voltou à cena, bem como a calçada de paralelepípedos.
Na sala de estar, fcaram aparentes os novos pilares e vigas de aço, pintados de esmalte branco. Também está à vista a tubulação de elétrica, pois o arquiteto preferiu não rasgar as paredes para embuti-la. Tapete da Phenícia Concept
Deste ângulo, notam-se outros benefícios do fechamento da escada: o nicho do telefone, ao lado do sofá, e a adega. Escondida por uma porta, ela armazena 162 garrafas. No piso, réguas de pínus protegidas por resina (Bona). Cadeiras da Danish Design e, sobre a bancada, fruteira da Conceito: frmacasa.
A passarela de ligação entre o closet e o terraço emprega estrutura de vigas de aço e concreto. Destaque para a porta, que desliza externamente pelo trilho metálico em U chumbado na caixa de concreto da fachada revestida de pínus. Atrás do vaso, casa de passarinho da Decameron.
Antes. O térreo estava bastante compartimentado. Nos fundos do lote, a edícula era subutilizada e se conectava à casa por um espaço (lavanderia e banheiro) coberto de telhas. No superior, osquartos não traziam atrativos.
Aqui, fcam a lavanderia e o lavabo, ocultos pelas portas de vidro leitoso (Decorpisos). Elas correm de um lado para o outro na hora de dar acesso aos espaços. Esquadrias de garapeira da Mercosul.
Aqui, fcam a lavanderia e o lavabo, ocultos pelas portas de vidro leitoso (Decorpisos). Elas correm de um lado para o outro na hora de dar acesso aos espaços. Esquadrias de garapeira da Mercosul.
A fachada recebeu pínus autoclavado, mesmo material do piso (fornecido por José Motta). “Para conseguir réguas uniformes, com tons e nós parecidos, selecionamos peça por peça”, fala Gianpaolo.No centro do pátio está o jovem pé de limão-siciliano.
Antes. O térreo estava bastante compartimentado. Nos fundos do lote, a edícula era subutilizada e se conectava à casa por um espaço (lavanderia e banheiro) coberto de telhas. No superior, osquartos não traziam atrativos.
Depois. Livre das divisões, o térreo integra sala e cozinha. Sem a lavanderia e o banheiro, acomodados na nova edícula, surgiu o pátio, que contribui para a ventilação e a entrada de luz. No superior, um terraço liga-se ao quarto principal, dotado de closet. Área: 135 m2. Ano do projeto: 2011. Conclusão da obra: 2012. Pprojeto, gerenciamento e fscalização da obra: Studio GGA. Paisagismo: Kel Levy