Segredo de família. Voltada para dentro, esta casa de veraneio reserva o seu melhor para os proprietários, uma família numerosa que gosta de se reunir nos fins de semana. No centro do terreno, a ampla área aberta reúne piscina, sauna, hidromassagem e cozinha gourmet.
Por Eliana Medina e Joana Lehmann Baracuhy Fotos: Pedro Rubens Ilustrações: Campoy Estúdio
Das conversas com o empresário que o contratou para projetar esta casa no Guarujá, litoral de São Paulo, o arquiteto paulista José Ricardo Basiches levou uma certeza. As necessidades eram muitas e o terreno (dois lotes de 1 000 m2), grande, mas nem tanto foram encomendadas nove suítes. Era preciso agir com leveza, concluiu ele, ou o resultado poderia descambar para o labiríntico. Como a praia fica longe, José Ricardo saiu-se com um plano engenhoso: a construção se organizaria em dois blocos: um na frente e outro nos fundos e um pátio no meio com todos os recursos necessários a um fim de semana de descanso. Para dar privacidade, ele desenhou um volume fechado diante da rua (exceto pela garagem) e concentrou ali os ambientes de serviços. O que viria atrás seria privilégio dos donos e convidados: Até mesmo a altura das janelas foi calculada para que os pedestres não enxerguem nada no interior da casa, diz ele. Deixar a casa voltada para a área de lazer È uma tendência e os moradores cuidam cada vez mais do seu quintal, como você viu em outra reportagem, chamada Jardim das sensações, também da revista Arquitetura & Construção.
Divulgação
Três elementos desenham a arquitetura da construção: o bloco branco no térreo, o ripado de madeira que cobre as janelas e a cobertura de linhas retas. Essa forma se repete na fachada e na ala dos fundos, de onde se vêem o pátio com piscina e a sala de estar
No andar de cima estão os quartos, resguardados por brises de madeira (ripas de freijó da Oficina de Marcenaria). Por trás deles, há esquadrias de duas folhas: uma de alumínio e vidro (Holt Esquadrias), outra com tela mosquiteira.
Os acabamentos se repetem por toda a casa e ajudam a dar unidade ao conjunto. No térreo, o piso de travertino romano bruto se estende da sala até a cozinha (ao fundo na foto). A escada leva degraus de madeira ebanizada e a parede, mosaico português bege.
O ambiente de estar forma um salão sem barreiras, aberto inclusive ao exterior. Para conseguir esse vão livre, conta com uma enorme viga de concreto apoiada em pilares delgados, de aço pintado de branco.
Para evitar que a construção, grande, ficasse fragmentada demais ou mesmo desconjuntada, o arquiteto investiu na proporção entre as partes e na transparência dos espaços. Recurso notado já na porta principal, alinhada com a raia da piscina e a hidromassagem da sauna o olhar de quem chega atravessa um vidro incolor e vai até o fundo da casa.
Acompanhe na planta: a cozinha não chega até a lateral envidraçada, preservando a leveza visual da varanda. Na foto acima, vê-se o passa-pratos de granito preto são gabriel e vidro temperado jateado que une o espaço à sala de jantar.
O espaço gourmet oferece churrasqueira, forno de pizza, chapa todos os itens para uma refeição ao ar livre. O acesso é confortável mesmo quando chove: uma passarela coberta de vidro incolor.
No fundo do lote, a edícula abriga duas suítes para hóspedes, além de sala de jogos e saunas seca e úmida. A piscina de tom azul-profundo é revestida de pastilhas de vidro (Colormix) 2 x 2 cm.
Na sala íntima, futons espalhados sobre um deck de itaúba dão um ar de descontração. Com as esquadrias abertas, vê-se o terraço que acompanha todos os ambientes deste andar.
Clarinho, o banheiro ganhou revestimento de mármore branco piguês. As pastilhas que forram externamente suas paredes são de coco (2 x 2 cm). O ofurô de cedro-rosa mede 1,20 m de diâmetro.