Moradias de pescadores serviram de modelo para esta casinha, erguida em 1981, em São Sebastião, litoral de São Paulo, pelos pais dos arquitetos Caio e Beatriz Andreazza.
Há 30 anos, os pais dos arquitetos Caio e Beatriz Andreazza se encantaram com a paisagem que cerca o terreno de mil m², abraçado pela mata Atlântica e de onde se avista o canal de São Sebastião e Ilhabela. Ao observar a simplicidade das casas de pescadores do lugar, que têm piso de tijolos, telhas de barro e venezianas, o casal decidiu erguer um refúgio com esse mesmo espírito.
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A cortina de linho delimita o closet do quarto principal e deixa entrever o canal de São Sebastião e Ilhabela.
Na parede, caixotes de peixe, tratados com verniz náutico fosco, servem de prateleira. Almofadas de Ana Luiza Wawelberg e tapete da Oka Design. O ventilador e a poltrona são da Casual Exteriores.
Forrado de grama são-carlos (Odara Jardins), o jardim convida a ler sob as árvores. Poltrona de cipó trazida do Ceará e pufe de cordas de polipropileno (Tidelli).
Com 17 m² e vista para o mar, a suíte de hóspedes ganhou a cabeceira feita com uma porta. Enxoval da Buddemeyer (Casa Almeida), tapete da Botteh e garden seat do Espaço Til.
Inspirados nas vivendas da Toscana, na Itália, Beatriz e Caio pintaram a fachada de terracota e as portas de azul-hortênsia, substituindo a antiga combinação de branco e azul-marinho. Os irmãos também trouxeram mais plantas para o jardim: hibiscos, primaveras e bromélias. Até hoje, a casa não tem TV, o que estimula longas conversas e, às vezes, reflexões silenciosas. "À noite, bebemos chá de capim-cidreira na varanda, ouvindo o canto das cigarras e observando a Lua", conta o arquiteto. O refúgio de alma caiçara é onde a família resgata os prazeres simples da vida.
Em 90 m², o espaço reúne duas suítes, sala, cozinha e varanda. Um bangalô separado acomoda os hóspedes. "Na época, meus pais contrataram um empreiteiro local e usaram materiais da região", conta Caio. As transformações na construção foram acontecendo conforme o uso dos espaços mudou. Quando a cozinha-balcão ficou pequena para acolher todos (além de Caio e Beatriz, há a irmã do meio, Gilda), ergueu-se um anexo de 15 m². "Passamos horas em volta da mesa", diz Caio. Eliminada a antiga cozinha, a sala foi ampliada, e a tarefa de atualizar a decoração coube aos arquitetos. "Beatriz e eu fizemos desse projeto um experimento para criar", afirma. Em busca de afinidade visual com a paisagem, a dupla apostou em peças de materiais naturais e com texturas atraentes.