Apesar de só terem reaproveitado duas paredes da estrutura, o visual original foi recuperado.
Por Araci Queiroz e Analu Fernandes (assistente)
Texto: Simone Raitzik
Fotos: Leonardo Costa/Mca Estúdio
Ilustrações: Carlos Campoy
A baiana Ludmila Leal e o inglês Robert Lancaster se conheceram em Londres. Viajantes por profissão são donos de uma loja de móveis e objetos trazidos da Índia , há quatro anos resolveram escolher um lugar do mundo para morar e optaram pela Zona Sul carioca. Mais precisamente uma vila operária da década de 1920, próxima ao Jardim Botânico. No local, as casas, apesar de compactas, têm jardim, pré-requisito essencial para um inglês que se preze. Logo que iniciaram a reforma, projetada pelo arquiteto Maurício Nóbrega, Ludmila e Robert descobriram que pouco da estrutura poderia ser aproveitado. Só restaram duas paredes, mas houve a preocupação em recuperar o visual original da casa. A decoração, feita de peças da história do casal, deu origem a ambientes gostosos, que levaram os dois viajantes a passar mais tempo em seu refúgio. Conheça outros dois sobrados que refletem o jeito de ser de seus moradores.
Na entrada, a porta de folha dupla, de pinho-de-riga de demolição, refaz o estilo original da construção. O tapete de sisal (Casa Júlio) cobre o piso de tábuas corridas de cedro, resgatadas de uma fazenda. Sofás, poltronas e lustre vieram de casas anteriores dos proprietários, enquanto a mesa de centro (Lattoog) é uma aquisição recente. O quadro ao fundo, que reproduz a estética do cordel, é do paulista Flavio Morais.
A estátua de são Jorge (acima), junto à porta, veio da Bahia, e livros cobrem o banco rente à janela. Na cozinha, as cristaleiras são da loja do casal, a Rupee Rupee. Uma escada de muiracatiara, completada por degraus de cimento na base, leva ao quarto no mezanino. As cadeiras de alumínio foram um presente do arquiteto Maurício Nóbrega.
Na cozinha (acima), tudo fica à vista. "É mais prático, mas tem que manter arrumado", diz Robert, que aproveitou um antigo tecido da casa da mãe para fazer a cortina sob a bancada
O quarto mostra o aconchego da colcha colorida e das almofadas bordadas (Rupee Rupee). Cama de brechó e luminária da Tok & Stok. Os tacos do piso foram encontrados pelo mestre-de-obras Acyr Zebende numa caçamba de entulho.
Em quase três anos de obra, todas as paredes internas foram demolidas. No térreo, apenas um balcão separa a cozinha das salas de estar e jantar. A reforma também fez surgir o mezanino, de 27 m², onde fica a suíte do casal.