Casa em condomínio no interior paulista chama a atenção pela bela vista
Na medida para o descanso em família, esta casa reúne áreas social e íntima num único nível, de onde se pode contemplar um belo lago, colinas e um campo de golfe.
Reportagem Ana Weiss (texto) e Eliana Medina (visual) Design: Renata Rise Fotos: Carlos Piratininga Ilustrações: Fabio Flaks
Não bastassem as normas rígidas do luxuoso condomínio no interior paulista, o terreno adquirido para a casa de fim de semana somava uma adversidade: o melhor da paisagem ficava no lado menos solar, a face sul. A criação de ambientes transparentes de modo a captar luz e vista – e, ao mesmo tempo, capazes de filtrar interferências como os fundos das outras construções, ocultadas estrategicamente pela caixilharia – resolveu o impasse no projeto do escritório Gálvez & Márton Arquitetura, de São Paulo. “O cliente queria a sensação de casa térrea,no nível da paisagem”, conta Andrés Gálvez. “Por esse motivo, a construção se organizanum grande patamar permeável em relação aos fundos e à frente do terreno, protegendo a área íntima com visão controlada na lateral.”
Com três filhos adultos e um caçula ainda na infância, o proprietário queria proporcionar lazer coletivo sem comprometer a privacidadede cada um. “Mas, além do recuo de 10 m da rua exigido pelo condomínio, devíamos incorporar a quadra de tênis, o que nos limitou muito espacialmente, apesar de termos em mãos um terreno de 3 mil m2”, observa Andrés. A ideia de promover a circulação pelas varandase de distribuir os acessos entre a entrada principal e o jardim lateral permitiu criar cenáriosdiferentes e privilegiados em todas as faces da casa, a despeito dos desníveis do lote. A sensação de amplitude ganhou força com a horizontalidade das vigas metálicas e dos painéis de cumaru que desenham a fachada. Internamente, portas pivotantes e outras de embutir conectam generosamente os ambientes. Felizes com o resultado, os donos começam no próximo ano a construção de um segundo refúgio de veraneio, que terá a mesma linguagem desta casa, de acordo com os arquitetos.
Carlos Piratininga
No térreo, réguas de cumaru fecham completamente as áreas de serviço, depósito, maquinaria e vestiário (no fundo da garagem), dando a impressão de que a construção se resume ao piso de cima.
O projeto com estrutura metálica permitiu traçar um vão livre de 18 m que, na varanda da frente, incorpora uma escadaria, também de aço, e funciona como elemento de conexão entre a garagem e as áreas sociais. Os beirais de 1,50 m protegem as esquadrias de alumínio (Arteal) da chuva e sombreiam o madeiramento.
O piso principal serve de cobertura para a garagem, que tem acesso direto para as áreas de lazer: piscina, quadra e varanda gourmet, localizadas nos fundos do terreno.
Falso térreo. No patamar mais alto, os arquitetos dispuseram um grande corredor com as cinco suítes enfileiradas numa lateral e, no lado oposto, pérgula, piscina, spa, salão de jogos e sala de TV – também concentrados. As duas alas, perpendiculares à área social, terminam da mesma maneira: em caixas de vidro suspensas e voltadas para a frente. ocupados pela suíte principal e pelo salão de jogos, esses ambientes têm uma das vistas mais disputadas do condomínio: o lago e o campo de golfe. “Transparentes e em balanço [sem o apoio de pilares], eles contribuem com a sensação de que a casa ‘flutua’ no espaço”, considera Andrés. Os pouco mais de 7 m de declive foram resolvidos concentrando-se o bloco principal num único nível. Tudo isso para preservar a vista e o desejo de uma casa plana.
A varanda dos fundos abriga o deck com banheira de hidromassagem. Janelas e portas de correr de vidro promovem a vista para o jovem jardim (acima), piscina e quadra de tênis.
A pérgula delimita a área de convivência nesse espaço. “A ideia é não fechá-la completamente, mas criar um filtro natural com uma planta trepadeira”, conta Andrés. A espécie escolhida foi um jasmim, que já começa a subir pelas laterais da estrutura de aço (Useaço) e cumaru (Amarante Madeireira).
Quando cai a noite, as paredes de tijolo sem rejunte aparente são iluminadas por spots do tipo up light, desenhando fachos paralelos às réguas de cumaru.