Com o tema Sustentabilidade, menos CO2, os arquitetos, paisagistas e designers usaram e abusaram da criatividade.
Por Ingrid Calderoni e Natália Garcia
Começa nesta segunda-feira a segunda edição brasileira da CAD Casa Arte & Design. O evento de arquitetura e decoração apresenta 44 ambientes com o tema "Rumo à sustentabilidade Menos CO2". A proposta para esse ano é mostrar que materiais reciclados e idéias para aumentar a qualidade de vida e produzir menos lixo para o meio ambiente podem ser aplicados em casa com criatividade e sem perder o charme. A sede da CAD Brasil é uma mansão de 2 500 m² da década de 60 que teve algumas características preservadas, como pisos e plantas. O evento ainda promoverá ainda o fórum 4 Semanas de Design(ers), que recebe os arquitetos Ângela Carvalho, Giulio Iacchetti, Paula Dib e Peter Marigold. As inscrições podem ser feitas pelo site. E, no fim do evento, o Prêmio CAD 2008 será concedido aos melhores ambientes nas categorias Áreas Externas, Áreas Internas Públicas, Áreas Internas Privadas e Áreas Internas Molhadas.
Assista ao vídeo com a cobertura completa do evento. Quer saber como era a mansão antes das obras começarem? A gente mostra para você. Na nossa prateleira, um produto que tem tudo a ver com a mostra.
A Sala de Almoço da Melhor Idade teve os móveis desenhados pela própria arquiteta Clélia Regina Ângelo, com marcenaria da BM Decorações (11 5588-0433). Todas as prateleiras deslizam para frente, para facilitar o alcance de objetos. O piso de madeira laminada Eucafloor é da Eucatex, a persiana de fibra de bambu foi fornecida pela Uniflex, a mesa e as cadeiras são da Christie.
Na Suíte da Melhor Idade, a arquiteta Beatriz Dutra utilizou um tapete de lã indiano da Cor e Forma e espelhos da IMI (11 3081-4699). O piso de bambu é da Indusparquet, as almofadas e roupas de cama da Windows (11 3814-2411) e a cama box king size é da Probel.
O Lavabo da Melhor Idade, das arquitetas Renata Cipriano e Patrícia Vidigal foi feito com inspiração nos países do oriente médio. Daí as cores escolhidas pela artista Taís Peres (11 3846-3524) para pintar a parede do fundo. A cortina laranja foi feita de linho tingido da Mucki. Da Deca, as arquitetas utilizaram as louças e metais e a válvula Hidra Duo, com botões para descarga com menos ou mais água.
O Home Theater da arquiteta Sandra Picciotto teve o piso original da casa, de parquet, preservado. O tapete de sisal que cobre parte do chão é da Empório Beraldin. A parede ganhou um visual retrô com adesivos da Tergoprint, que é complementado pelas lâmpadas penduradas em fios pretos pela arquiteta e os discos reaproveitados de sebos que ficam dispostos no fundo do ambiente. Todos os móveis foram desenhados pela Sandra Picciotto e executados pela Marcenaria Cordeiro Lopes.
Na sala de jantar, a arquiteta Clarisse Reade desenhou uma estante de madeira executada pela Marupá Móveis iluminada com um tubo de lâmpadas xenon da La Lamp. A mesa de madeira laqueada preta é da Éria (11 3082-9177), o lustre de cristais com estrutura de ferro revestido de tecidos é da Escato (11 3082-9177) e o quadro na parede é do artista Luis Paulo Baravelli.
No restaurante do arquiteto Sérgio de Oliveira (11 3887-8255), as mesas de madeira laqueada e as cadeiras de fibras são da Breton e as luminárias orientais da Punto Luce. As camélias já pertenciam à casa e foram aproveitadas pelo arquiteto para compor o ambiente.
A cozinha da arquiteta Camilla Matarazzo teve as cadeiras de madeira revestidas com tecido de chita. As bancadas e o revestimento da parede são de madeira certificada. A luminária central foi feita com garfos e facas pendurados e spots de leads no centro. No alto do ambiente, adesivos da Art Fix imitam um skyline.
O Jardim do Restaurante das arquitetas Lina Idoeta e Eurídice Saltini teve o chão revestido o piso de madeira da Brastom (11 4028.6968) que pode ser aplicado direto sobre a terra batida e possui encaixe macho e fêmea. Os bowls da fonte do centro do ambiente foram feitos com restos de garrafa de cerveja fundidos. As espreguiçadeiras e os vasos de fibra são da Breton.
O Home Office da decoradora Lidia Damy (11 3078-9629) é um verdadeiro show room de obras de arte alinhadas com a sustentabilidade. O tapete utilizado no ambiente foi produzido com resíduos de garrafas pet pela designer Cláudia Araújo. As poltronas de crochê estão à venda no Empório Beraldin. O painel decorativo vermelho na parede foi feito com papel reciclado pela oficina Boracea (11 3533-3307). Sobre a mesa de madeira certificada da Artefacto está uma antiga máquina de escrever da arquiteta.
O living dos arquitetos Frederico Morán e Haroldo de Barros Rodrigues tem como destaque as poltronas de fibra natural com e a escultura utilizada como mesa de centro feita com madeira de descarte do Atelier Hugo França.
As arquitetas Ana Marinho e Manuela Gonçalves (11 3596-7278) levaram o conceito de sustentabilidade tão a sério que fizeram a Garagem com meios alternativos de locomoção: os skates elétricos que possuem acelerador por controle remoto da Electron, a bicicleta Aluminium, da Caloi e as bicicletas dobráveis Dahon. Os móveis de madeira de descarte são do Atelier Hugo França e os equipamentos de aventura da Kailash. Toda a garagem foi revestida com virok, uma chapa de cimento com madeira de reflorestamento que será vendido no ano que vem no Brasil. Quer saber onde foi parar o carro? Então veja a próxima foto...
Na Garagem Sustentável, o carro mudou de função. Em vez de utilizá-lo como meio de transporte, as arquitetas Ana Marinho e Manuela Gonçalves (11 3596-7278) revestiram um fusca antigo com grama e fizeram uma horta dentro do capô. No chão, latas de molho de tomate viraram vasos com plantação de tomates orgânicos. E, no fundo, restos de garrafas plásticas viraram vasos para uma horta vertical.
O Espaço CorArrastão foi feito para divulgar o projeto social CorArrastão, que capacita famílias carentes na produção de obras de arte com objetos reciclados. O ambiente é conceitual e foi construído com restos da obra da CAD. As latas de tinta doadas por diferentes fornecedores estão vazias: a tinta foi aproveitada em projetos da ONG. Os pufes no centro do ambiente são feitos com restos de lona doada recheada com garrafas PET. Acredite, é super confortável.
No Playground da arquiteta Idália Daudt, a reciclagem de pneus é o grande destaque. Além da balança, o piso foi feito com sobras de pneus pintados. Da Piso Leve ele é misturado a uma resina e aplicado sobre qualquer superfície com uma desempenadeira. O acabamento fica sem emendas ou rejuntes. Os equipamentos de playground são da Lao Engenharia que também fez as esculturas de madeira certificada que imitam regadores no chão.
Os banheiros públicos da área externa foram feitos com a mesma linguagem pela arquiteta Marcela Pelosini. No Banheiro Público Feminino, as cabines foram isoladas com paredes de vidro da Vidrotil e as cubas deram lugar para tinas de madeira da Roca.
Na Lavanderia Electrolux, a arquiteta Kátia Perrone teve a idéia de imprimir adesivos com o logo da marca na ArtfixStore (11 5098-3434) e aplicar sobre os azulejos da Vitralle (11 3819-0282). Outro destaque do ambiente é a lavadora Turbo Acqua Jet, novidade no mercado, que consome menos água e possui ciclos de lavagem diferenciados.
O Café Gazebo, da arquiteta Karina Korn, teve as bancadas revestidas com pastilhas de coco Ekobe, piso e parede revestidos de madeira certificada Eucafloor Carvalho Córdoba, da Eucatex e móveis de fibra e madeira da Artefacto. Também chama a atenção os quitutes da padaria Dona Deôla que serão vendidos no café.
O Jardim do Café dos arquitetos Celso Bergamasco e Jeane Calderan (11 5543-9599) foi revestido com o piso de cerâmica e restos de lâmpadas halógenas da Lepri, vasos da arquiteta Paula Unger (11 5561-5707) e espreguiçadeiras com futons de tecido da Cinerama (11 3168-5455).
O Jardim do Bem Estar do arquiteto Ricardo Pesuto ganhou um spa Versati de 2 x 2 m com lugar para cinco pessoas coberto por uma estrutura de dormentes de madeira reaproveitados. Os pufes da Badecó House (11 2671-5627) são revestidos com restos de tecidos de tênis. A mesa é da MAC Design e o piso que baliza o caminho do jardim é feito de casquiero, sobra de granito, pela Brasigran.
A arquiteta Sabrina Baukelmann Matar quis mostrar no Bicicletário que materiais reciclados e sustentáveis podem ser usados tanto no revestimento, quanto na estrutura da construção. O piso drenante de borracha é da Braston e pode ser aplicado direto sobre a terra batida sem a necessidade de rejunte. O painel do fundo é feito com tijolos ecológicos, também da Braston, compostos de terra, cimento e água que não são queimados, apenas prensados, evitando a emissão de CO2. Com encaixe macho e fêmea, eles dispensam a utilização de rejunte e podem ser usados em estruturas de até 6 metros de altura. A parede da esquerda foi revestida de pastilhas Organic Coton da Lepri, feitas de cerâmica e restos de lâmpadas halógenas.
Luminotécnica da fachada e calçada
Nas paredes do muro da fachada se destacam os 18 painéis reciclados de antigas portas de armários, com a temática natureza, criados pelos jovens do Projeto Arrastão. À noite, a iluminação da fachada, criada pelo arquiteto Rafael Serradura, propicia um "show de luzes", mas sem desperdício de energia. Para isso, foram utilizados 30 projetores de leds, que reduziram em 87% o consumo de energia.
Port Cochere
Num pergolado coberto por painéis de acrílico coloridos, a arquiteta Flávia Ralston criou o Port Cochere, misturando peças de design com criatividade e reciclagem.
Espaço conceito bilheteria
A bioarquitetura foi o ponto alto do projeto de Graciela Piñero: telhado verde para dar conforto térmico, materiais de demolição e muitas fibras naturais na decoração.
Keko Ferraz lançou mão do bambu que, além de sustentável, reforça o estilo balinês do projeto. Os decks são feitos de madeira Biosintética da LíneaEco. Entre um e outro, cascas de madeira certificada da Laska Viva.
O Banheiro do Casal, criado por Luciana Tomas, leva materiais sustentáveis em seus acabamentos como o espelho Guardian, que não tem metais pesados em sua composição , além de comportar um sistema de reúso de água: a água do banho é tratada e é utilizada no vaso sanitário ou para regar as plantas do jardim.
Jardim das palmeiras
Neste jardim, a paisagista Alice Rocha reuniu trabalhos feitos com restos de vidro de antigos moradores de rua, junto a uma cooperativa de reciclagem.
Spazio K
A designer Bya Barros usa o estilo de Mondrian, pintor modernista holandês, para contar a história da construtora Kauffmann , tanto nas paredes quanto nos pufes de couro ecológico da Amazônia Fibras Naturais. O imenso lustre de cristal Baccarat arremata com glamour a composição.
Alpendre
Alpendre é um local de passagem, como um grande corredor. Aqui, o cômodo ganha ares de sala de estar. As designers de interiores Cris Moura e Bia Mendonça acomodam no espaço poltronas neutras, que harmonizam em cor e textura com as pastilhas de vidro Vidrotil do piso e com os painéis de madeira ecológica da Taedda.
Hall de entrada
Para a arquiteta Marina Alcoba, um aparador de madeira certificada e um tapete já bastam para compor o hall de entrada, destacando a escada da construção original e o piso de bambu sustentável da Bamboolook, em réguas que lembram madeira, instalado no piso do living.
Lavabo
O ponto alto do Lavabo, projetado pelo arquiteto Musse Stefan, são as paredes revestidas de pastilhas de vidro gota da Lepri, feitas com resíduos de lâmpadas fluorescentes.
Escada e galeria de arte
O antigo guarda-corpo da escada e galeria de arte de jacarandá restaurado e o piso de cacos de mármore original do casarão fazem um contraste interessante com o lustre feito com galhos de árvore e as esculturas de EVA da galeria Vera Simões.
Sala de ginástica
O principal desafio de Alessandra Ribeiro e Robert Weight foi conciliar materiais rústicos de demolição com equipamentos de fitness ultra hi-tech na Sala de ginástica. A sauna seca do spa da Heaven é feita com madeira de Pinus reflorestada. De frente aos equipamentos da Queens, um painel de vidro da Tergoprint reproduz uma imagens do Rio Amazonas.
No Quarto do jovem alérgico, os estofados e até o papel de parede são recomendados por médicos. No piso, o porcelanato Ecotech da Neostone traz facilidade na hora de limpar e reflete a luminosidade natural. Na cama, o colchão Eco da Serta Store tem controle de temperatura nos dois lados e tratamento anti-ácaro.
O grande destaque do Quarto da Menina, projetado por Ana Cristina Tavares e Claudia Krakowiak Bitran são as fibras naturais usadas nos revestimentos como o papel de parede reciclado, que é feito de fibra de bananeira.
O clima praiano e as cores fortes da Bahia marcam presença no Banheiro dos filhos, assinado pelos arquitetos de Salvador, Ana Paula Guimarães, Raoni Nakamura e Thiago Manarelli (projetos@mgarquitetos.com). A peça mais bacana é a banqueta estofada, forrada com chita da Cinerama, que antes era uma mesa de centro, adquirida num brechó.
Todo mundo vai querer ser hóspede dessa suíte, criada por Renata Coppola. Espaçoso, o quarto abriga a majestosa cama com cabeceira de fibras naturais da Artefacto e móveis de madeira reaproveitada.
No Banheiro dos Hóspedes, a arquiteta Carolina Travaglini usa e abusa da madeira de reflorestamento, dos painéis de resina ecológica e das pastilhas de vidro feitas de material reciclado da Gyotoku.
Na Suíte do casal, os móveis da Todeschini levam madeira reciclada e MDF, e os objetos, itens do dia-a-dia encontrados em qualquer lojinha da esquina, como o a cúpula do abajur feita com linha de costura.
A palha de Buriti que reveste as paredes da Sala Íntima e do Closet do Casal é a estrela do ambiente criado pela decoradora Rosa May Sampaio. Os móveis da Passado Composto contrastam com a rusticidade dos objetos reciclados, como a mesa do abajur.
O banheiro do Tio Solteiro segue a linha esportista da suíte, projetada por Clara Fernandes e Suelem Monteiro. O balcão inferior do gabinete leva compensado de madeira reciclada. A bacia com caixa acoplada da Deca economiza água e ainda tem um visual super moderno.