Fotos de casas brasileiríssimas

Da palafita cercada pelos verdes leques dos pés de açaí, numa localidade a uma hora de barco de Belém, às casas de pedra talhada do Rio Grande do Sul, a gente do Brasil cobre sua moradia de mimos e delicadezas e acolhe bem quem chega.

Texto Liane Alves | Fotos Valdemir Cunha/Divulgação

 

Valdemir Cunha/Divulgação

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<p> Cercanias de Belém, PA</p>
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Cuidar da casa faz parte da nossa alma

Dizem que decorar é coisa de quem tem dinheiro. Bobagem. A palavra decoração vem mesmo de onde ela diz: do coração. Decorar é uma expressão de amor, sensibilidade e cuidado. “Para o brasileiro, a casa simboliza um lugar de felicidade. O lar é onde dorme o companheiro ou a companheira, onde se criam os flhos, onde se saboreiam o peixe pescado no rio ou a linguiça defumada feita no fogão a lenha”, diz o fotógrafo Valdemir Cunha, que, por 100 meses, percorreu o território nacional à procura de um Brasil invisível, intimista, e registrou muito do nosso jeito de morar. Por amor ao lugar em que vivemos, decoramos cada cantinho com esmero, mesmo que seja com páginas de revista, retratos de santos e toalhas de plástico. “É impressionante como as habitações são bem-arrumadas, ainda que a gente apareça de surpresa. Depois de um papo breve, somos imediatamente convidados a entrar”, conta ele. A moradia brasileira tem portas abertas, como se estivesse à espera de um convidado ilustre. É ofertado à visita o melhor da casa: a xícara mais bonita, o prato mais inteiro. E a hospitalidade, para ser verdadeira, não pode deixar de ter cafezinho passado na hora. Mesmo que falte pó para a dona de casa no dia seguinte.

Paixões são mostradas com orgulho

Da doceira de Canela, a vaidade é o fogão antigo de ferro e porcelana, onde ela fabrica geleias e estrudel de maçã. Ter a cozinha cintilante é a alegria da descendente de japoneses, que cozinha todos os dias para 50 pessoas na comunidade yuba, no interior de São Paulo. Violas e violões lembram que a família da viúva de Elpídio dos Santos, compositor que fazia as trilhas dos flmes de Mazzaropi, é totalmente dedicada à música (com a morte da matriarca, a casa virou museu em São Luís de Paraitinga, SP). A casa brasileira é muito mais do que um abrigo seguro. É ponto de encontro e convivência. E lugar para mostrar aos convidados um pouco da vida e das paixões dos moradores.

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