Arte indígena influencia as cores do apê paulistano
A arte plumária indígena brasileira inspirou a decoração deste apartamento, que explora as tonalidades mais vivas em meio às texturas neutras da madeira
Reportagem Visual Zizi Carderari | Texto Luciana Benatti | Fotos Marco Antônio | Ilustração Carlos Campoy
Admirador da arte plumária, o casal não hesitou em transportar os tons dos cocares indígenas para as paredes e os móveis de seu novo apartamento. "As cores caminham pela casa e se distribuem em nuances diferentes na sala e no quarto do casal", explica o designer de interiores Fabio Galeazzo. Localizado no 20º andar, o imóvel passou por uma reforma completa, na qual alguns ambientes foram remanejados e ganharam novos revestimentos. O uso de materiais de demolição, como a madeira do piso e os tijolos na parede, é uma marca do trabalho do designer. "Gosto de compor esses materiais com os pontos de cor", afirma. O jogo de texturas que aparece quando a madeira do piso avança pelas paredes é outra característica. "Para ampliar esse efeito, procuro dispor as tábuas no sentido em que a luz entra pelo ambiente.
Divulgação
Sobre a lareira, o nicho abriga uma coleção de cristais alemães (Teo). O relógio de parede leva a assinatura do designer George Nelson para a Vitra (Micasa).
O hall de entrada é valorizado pela pintura num tom de roxo. De latão oxidado e vidro jateado, a porta de entrada remete ao desenho dos biombos orientais (Galeazzo Design).
Na sala de estar, o piso de madeira avança sobre a parede de tijolos, criando um apoio para a fotografia de Marcio Scavone. Desenhado por Galeazzo, o sofá no estilo dos anos 1950 foi revestido de veludo e ganhou um charmoso detalhe de seda (Donatelli). Poltrona da Dpot, mesa de centro da Conceito Firma Casa, luminária da Kartell e tapete da By Kamy.
A mesa de jantar com base de tora de Angelim certificado ganhou um tampo de vidro com cantos arredondados. Ao redor do móvel, alternam-se cadeiras de couro (Dpot) e acrílico marrom (Kartell). Centro de mesa e lustre de estilo retrô da Galeazzo Design.
Ao lado, o sofá da sala de TV ganhou pés de madeira que remetem aos móveis consagrados de Joaquim Tenreiro (Galeazzo Design). Feito de tiras de couro, o tapete lembra folhas secas (By Kamy).
Com a privacidade garantida pela altura e pela ausência de prédios vizinhos, os moradores fizeram um pedido ao designer: um ofurô na varanda (Multiforma). Ele é a estrela do terraço, que tem projeto de paisagismo de Paula Galbi. Presas à parede, bolinhas de pedra-sabão dão o toque charmoso e ainda servem para pendurar toalhas e roupões. Banco de Sérgio Rodrigues (Dpot), espreguiçadeira da Saccaro e piso de cacos da Mazza Cerâmicas.
Com a eliminação de um dos quartos, a suíte de casal ganhou um espaço extra: um canto de leitura com estante. Cabeceira de palha de seda com couro da Nani Chinellato, manta da Collectania e almofadas da Celina Dias.
Protegida por uma moldura de latão que reveste a boca da lareira a gás (LCZ Lareiras), a peroba de demolição requer poucos cuidados. O designer recomenda apenas a aplicação de cera a cada três meses. Um detalhe faz toda diferença no visual: as tábuas foram instaladas na vertical, seguindo a paginação do piso.
Na cozinha, a mesa alta serve de apoio para refeições rápidas e também funciona como aparador. Os armários ganharam acabamento de laca cinza. Repare como o piso de pastilhas (Vidrotil) invade o espaço da sala de jantar, integrando os ambientes. Banquetas da Dpot. Com ambientes integrados, a área social tem uma distribuição pouco usual, com a mesa de jantar na posição central. Uma porta de correr abre a cozinha para a sala de jantar, o que torna o living um ambiente propício para receber, diz o designer Fabio.
A planta sofreu poucas alterações: o local onde hoje fica a estante do home theater era um quarto. Com a eliminação do cômodo, foi possível crescer também a suíte do casal.