Apartamento de 170 m² acomoda ensaios e apresentações da pianista
Fluidez é ponto alto na repaginação do apartamento de um arquiteto italiano e sua esposa, uma pianista paranaense.
Reportagem: Ana Weiss (texto) e Eliana Medina (visual) Fotos: Carlos Piratininga
“Embora morássemos em Paris, uma cidade relativamente tranquila e, em diversos aspectos, mais agradável de viver do que São Paulo, queríamos estar no Brasil. Na época eu trabalhava com a equipe de Massimiliano Fuksas [arquiteto e urbanista italiano], mas já tinha em mente o desejo de abrir escritório próprio nessa metrópole brasileira. Uma das nossas principais questões ao comprar o imóvel era acomodar os ensaios e as apresentações da Danieli, que é pianista. Enfim, achamos este apartamento de 170 m² erguido nos anos 60 com alvenaria tradicional e bom isolamento acústico. Embora não tivesse passado por nenhuma reforma, ele seguia conservado. Nosso trabalho foi sobretudo o de abrir os espaços, tornar os ambientes integrados e valorizar a sensação de amplitude. São Paulo é tão agitada que faz Paris parecer uma província, mas aqui, mesmo estando perto da avenida Paulista, não ouvimos nada que venha da rua.”, diz Enrico Benedetti, arquiteto.
Fotos Carlos Piratininga
O bolonhês Enrico Benedetti e a paranaense Danieli Longo, no balcão que divide a cozinha e a sala de estar. “Um dos cuidados neste espaço foi criar uma iluminação adequada. Spots com lâmpadas halógenas AR 70 conferem uma luz agradável que preserva a cor dos alimentos”, diz Enrico. Nas paredes, ele usou plafons em vez de arandelas.
Cozinha acolhedora. Com a demolição parcial da parede da cozinha, as portas social e de serviço passaram a servir ao mesmo ambiente. “Então decidi abrir mão de uma das entradas e revesti a parede onde ela estava com as antigas réguas de madeira que cobriam o piso original da sala”, conta o arquiteto. Novos pontos de luz (também equipados com plafons no lugar de arandelas) foram criados nessa superfície, responsável pelo ar aconchegante deste que é um dos espaços mais utilizados do apartamento. “mantivemos as marcas e ranhuras das madeiras antigas”, acrescenta Enrico.
Uso múltiplo. Nada de forro rebaixado: as vigas ficam aparentes, assim como os pilares – um deles engastado no balcão da cozinha (ao fundo na foto).Tanto o balcão quanto a pia foram moldados com alvenaria durante a obra e depois cobertos com cimento queimado branco. Sob a bancada, vê-se o gabinete (dellano) com acabamento de laminado. Cooktop e forno convivem com esse armário de portas de correr, que acolhe temperos e chás. o piso da área foi todo revestido de porcelanato em tom areia (Gyotoku) – sala, estúdio de piano e quartos receberam tacos do tipo palito da madeirarte.
Grandes aberturas Para que o piano de cauda possa ser deslocado para a sala sempre que houver apresentações em casa – um desejo havia muito acalentado pelos moradores –, o arquiteto desenhou uma porta dupla para o estúdio, fechada com vidro laminado acústico. “essa solução praticamente eliminou uma parede, tornando a passagem mais luminosa e ampla”, explica ele.
Solução em branco. O banheiro também recebeubancada e pia de concreto armado coberto de cimento queimado branco, criando uma linguagem comum para as áreas molhadas da casa. Atrás dos espelhos, as lâmpadas fluorescentes de 3 mil k (de tonalidade amarelada ) criam um ambiente agradável e discreto. Nas paredes, tinta epóxi (Suvinil). “Não deixei nenhum azulejo na casa”, diz Enrico.
Jogo de espelhos. Para ganhar mais espaço no lavabo, o arquiteto investiu num truque que, à primeira vista, dá a impressão de pé-direito duplo. “Apliquei espelhos de espessuras idênticas na parede e no teto Gosto de brincar com esses efeitos”, conta.