Abóbada de tijolo molda o teto desta casa de campo
Protegida pelos arcos: milenar na história da arquitetura, presente em catedrais e aquedutos, a abóbada de tijolo molda o teto e define os espaços desta casa de linhas contemporâneas e materiais simples em Cotia, SP
Por Cristina Bava e Marianne Wenzel
Fotos: Eduardo Pozella
Ilustrações: Campoy Estúdio
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Pouco se vê da casa que fica entre as árvores, abaixo do nível da rua. A surpresa se reserva apenas aos que entram. O olhar se dirige para cima, atraído pelo alaranjado do tijolo, intrigado com esse material tão associado à terra estar no teto - que, além do mais, é curvo. Tradicional, essa técnica foi retomada pelos arquitetos modernos numa nova linguagem, como fez Guilherme Paoliello nesta casa da jornalista Lorena Calábria e do roteirista Maurício Arruda. Quando comprou o terreno num condomínio a 25 km de São Paulo, o casal pensou em construir e se mudar. "Aí, desistimos da ideia. Concluímos que seria loucura conciliar o endereço com a rotina de trabalho na cidade", fala Maurício. Guilherme, então, adaptou o projeto ao novo programa, mantendo as duas premissas principais de seu desenho: a forma de pavilhão e a cobertura abobadada. Agora, a casa é o destino certo da família nos fins de semana. Se você gosta do ar rústico do revestimento da abóbada, o tijolo à vista faz bonito nestas 23 fachadas.
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Na entrada, a caixa da lareira parece flutuar sobre o espelho dágua. Como fica fora de casa, o duto não rasga a cobertura, o que evita infiltrações. Melhor mantê-la intacta, explica o arquiteto.
O diâmetro do arco (6,50 m) quase equivale à largura da casa, totalmente aproveitada na área social. Ali, o piso é um cimentado lixado, com acabamento de verniz PU. Na cozinha, bancada e prateleiras de mármore. O painel de vidro fixo garante luz natural.
Feita de concreto e alvenaria, com 1,85 m de largura, a caixa da lareira possui um nicho para guardar lenha. O outro, para acender o fogo, é pré-fabricado e emprega tijolo refratário.
As paredes de alvenaria estão soltas dos pilares metálicos (14 cm de diâmetro) estruturais. Assim, fica mais simples alterar a planta no futuro, caso os proprietários voltem atrás e queiram viver aqui definitivamente.
Suporte para a iluminação, os tirantes metálicos têm função estrutural: anulam o esforço lateral que as abóbadas fazem sobre os pilares, impedindo-os de abrir. O cálculo estrutural estabeleceu o espaçamento entre eles, que pontuam todos os ambientes.
O piso cimentado da sala avança até a varanda. Mas, aqui, foi mantido rústico para não provocar escorregões. Em primeiro plano, a bancada de concreto embute a discreta grelha da churrasqueira (que os moradores pretendem cobrir em breve).
O detalhe mostra um raio X da abóbada, fechada com platibandas de concreto e coberta com terra. Ali, o paisagista André Paoliello, irmão do arquiteto, plantou furcreias e agaves.
Poupado durante a obra, o bosque nos fundos do terreno recebe com frequência a visita de saguis e esquilos. Na piscina, uma fina borda de concreto arremata o revestimento de pastilhas de vidro (Colortil). O deque é de ipê.
Organizada como um pavilhão, a planta reservou duas possibilidades para acomodar hóspedes: no quarto situado em uma das pontas e no módulo sob o deque.