21 fachadas com alma brasileira
Inspiradas em ocas, abrigos de pescadores e casas coloniais.
Por Helene Zaro Koller
Como definir um estilo de construção tipicamente brasileiro? Difícil, já que são tantas as influências que este país abriga de ocas indígenas e abrigos de pescadores a casas coloniais e em estilo eclético. Assim, fica mais fácil perceber uma alma brasileira, que permeia a variedade de estilos das residências que trazem em si os traços da nossa história. Viaje por estas 21 fachadas, que são um belo exemplo dessa diversidade. E se você é louco por chalés e casas de madeira, não deixe de ver 28 opções.
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A ideia que norteia este projeto é confundi-lo com a paisagem do litoral de Pernambuco. Tarefa realizada pela cobertura de capim santa-fé, amarrado no madeiramento do telhado e mantido ao natural. A varanda é sustentada por vigas e pilares roliços de maçaranduba, reforçando o aspecto rústico da construção. Composto por um único bloco, e com uma cobertura grande e pesada, ela lembra uma oca indígena. Projeto de Cláudio Bernardes e Paulo Jacobsen Associados.
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O clima de construção antiga resulta de uma minuciosa pesquisa: o arquiteto procurou e selecionou materiais de demolição característicos do colonial mineiro para conceber este refúgio em Tiradentes, MG. Telhas antigas forram o telhado, com quatro águas. As esquadrias simples com os vidros para fora são típicas daquele período. A pintura também respeita os hábitos da época: as paredes são cobertas de cal e as portas e as janelas têm a coloração inspirada nas tintas disponíveis, feitas com pigmentos naturais. Projeto de Gustavo Dias.
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Pintura caiada, cacos de azulejos e elementos vazados, recursos da nossa tradição, foram valorizados num projeto engenhoso de reforma, que acrescentou 62 m² a esta casa de linhas contemporâneas no litoral norte paulista. A construção original contava apenas com o bloco da sala (à direita). Hoje a fachada exibe a pintura caiada rosa e os cobogós. Voltada para a face nordeste, ela recebe o sol da manhã. Projeto de reforma de Joan Villà e Silvia Chile.
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Decidida a salvar a centenária construção no litoral do Paraná, a proprietária empreendeu uma reforma de fôlego. O rosa-esmaecido, que outrora tingia as paredes, foi substituído por um vermelho-vivo, mais a ver com o atual espírito da casa, hoje palco de animados encontros nos finais de semana. Durante a obra, portas e janelas carcomidas pelos cupins foram reconstruídas segundo o desenho original, e os caixilhos receberam tinta verde. Insuficientes para cobrir o telhado, as telhas antigas também serviram de molde para um novo lote de peças. Projeto de Marcelo Willer e Luiz Alberto Grosso.
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Concebido de acordo com os princípios do estilo eclético, que foi moda no começo do século 19, este casarão, em Recife, foi salvo das ruínas pela reforma que recuperou suas feições originais. Na fachada, os lambrequins (enfeites de madeira) foram reproduzidos e voltaram a adornar os beirais. A caiação vermelha original também recuperou sua coloração viva. Esquadrias, tramelas e gradis de ferro foram recuperados. O estilo eclético, muito usado em casas do Nordeste do começo do século 19, era marcado pela funcionalidade, higiene e adaptação ao clima local. São comuns as casas e os chalés elevados sobre porão. Projeto de reforma de Roberto Salomão e Ney Dantas.
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Por todo o canto, encontram-se elementos da arquitetura colonial nesta construção numa região serrana. A fachada pintada de tom terra e azul dá boas-vindas aos visitantes. Outra referência é a varanda com cobertura de caibros aparentes sustentada por uma estrutura de maçaranduba pintada de azul. Lembranças desse estilo estão também no telhado com águas prolongadas pelos beirais (90 cm). Isso faz com que a chuva seja jogada para longe dos alicerces, dispensando a instalação de calha. Projeto de Francisco Hue e Jorge Hue.
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Erguido originalmente em 1978 e restaurado em 1999, este sítio, nos arredores da capital amazonense, mantém suas feições originais. Foi construído sobre imensos pilares de madeira e quase sem paredes como uma legítima palafita amazonense. Assim, não há barreiras para a vista, a casa fica afastada dos bichos da mata e protegida das chuvas. Na reforma, o telhado, coberto com cavacos (lascas de madeira), recebeu uma versão atualizada desse material: telhas de pínus, tratadas contra cupins e fungos. Projeto de construção de Severiano Porto e reforma de Roberto Moita.
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Diferente dos demais chalés típicos da região serrana do Rio de Janeiro, este é mais descontraído. Basta notar a cobertura intrincada. A água principal faz um contraponto com o caimento do telhado da torre de 6,90 m de altura. Os materiais utilizados também reforçam o visual relaxado: as paredes receberam tinta fosca amarela e esmalte azul. Janelas e portas de ipê e pintadas de esmalte branco, cerâmica e pedra no piso e textura nas paredes remetem a um estilo rústico e bem brasileiro. Projeto de Eduardo Horta e Andréia Fiorino.
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Inspirada nas cabanas de pescadores do litoral sul da Bahia, esta construção se caracteriza pelo aproveitamento da madeira, com a utilização de recursos e técnicas nativas. Com alicerces de eucalipto e telhados aparentes, o avarandado é coberto por troncos de biribá, árvore comum nas redondezas. O deque fica incorporado à sala por meio de portas largas, com venezianas que exploram ao máximo a iluminação natural. Aqui, o jeitão rústico ganha leveza e linhas retas com grandes aberturas e farta utilização de vidros. Projeto de David Bastos.
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Para aproveitar ao máximo a vista, esta casa de veraneio no litoral pernambucano foi elevada em 70 cm do chão e ganhou 8 m de transparência com as portas de correr de vidro. O telhado de duas águas e telhas de barro, a varanda e as janelas remetem ao estilo colonial brasileiro, que aqui aparece numa versão atualizada. Até mesmo as cores são fiéis a esse estilo: sobre as paredes brancas ressaltam as esquadrias pintadas de azul e verde. Projeto de José Goiana Leal.
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A fachada desta casa em Vinhedo, SP, é demarcada pelas cores, aplicadas sobre cada uma de suas partes. O azul intenso contrasta com o amarelo e o branco, mais suaves. Na porção com coloração mais escura, um grande caixilho ilumina toda a sala. O bloco mantido em branco tem uma parede lateral sem portas ou janelas e com frisos horizontais truque que disfarça a altura da construção. O amarelo destaca o pergolado sobre o corredor lateral, completando o conjunto. Projeto de Aldo Rabak e Mário Zetone.
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Discreta para a rua e aberta para os fundos, esta casa de praia atende ao pedido que os proprietários fizeram para a arquiteta: uma área de lazer no fundo da casa. Não à toa é esta a fachada que dá mais personalidade à construção. Avarandada e com telhas cerâmicas, mas também sóbria e simétrica, ela mistura pitadas do estilo clássico e do colonial brasileiro. O tom amarelo das paredes é outra tradição nacional: a pintura com cal. Projeto de Fernanda Barros Penteado.
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A tranquila Arembepe, a 30 km de Salvador, já foi vila de pescadores e refúgio hippie. Apesar do passar dos anos, o culto à paisagem e ao ócio permanece. Ao norte do povoado, há construções de adobe ou madeira, cobertas de palha e habitadas por artesãos. Foi esse clima que inspirou o projeto desta casa, recoberta de palha de olho de piaçava, com varanda sombreada por um caramanchão. Projeto de Lourenço Mueller, com a colaboração de Silvia Escudero.
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Esta moradia, no interior de Minas Gerais, incorpora características da arquitetura colonial sem abrir mão do conforto. O arquiteto fez uso de materiais de demolição, como as telhas e os balaustres, para dar à construção um ar mais antigo. Na fachada, o emprego de cores como o bege (no barrado) e diferentes tons de vermelho (nas molduras de portas e janelas) quebra a tradição colonial que estipulava o azul para esses casos. Nos fundos, portas e janelas geminadas seguem os princípios da arquitetura colonial. Projeto de Gustavo Dias.
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A ideia para construir esta casa veio da Amazônia. Imitando uma oca, o módulo central, feito de granito, tem forma hexagonal. Com preocupação ecológica e de olho nos custos, o arquiteto usou pedras que sobraram do beneficiamento de rocha. Três pequenos blocos laterais com coberturas de meia-água completam a moradia. Cores fortes destacam a construção. Projeto de Carlos Pingarilho.
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Pintura a cal amarela nas paredes, colunas de madeira e piso de tijolo artesanal na varanda detalhes que imprimem ares coloniais à fachada desta moradia em São Paulo. Os ambientes se mantêm frescos o ano todo graças à varanda e às esquadrias que circundam toda a construção. Molduras brancas de concreto realçam as esquadrias de pinho-de-riga, compradas em loja de material de demolição. As janelas foram instaladas a 30 cm do chão. Projeto de Fernanda Jardim e Carla Carpinelli.
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Concebido com simplicidade, este refúgio de veraneio no litoral baiano exibe trunfos da arquitetura da região. As telhas são coloniais, de barro branco. Para os pilares, usou-se pau-darco (madeira encontrada por lá), pincelado com cupinicida e óleo de linhaça. Amplas varandas ladeiam a construção. Elas levam tijolos, feitos artesanalmente, no piso. E mais: treliças elaboradas com tronquinhos de madeira aparecem por todo o canto, permitindo que a brisa do mar entre e refresque a casa nos dias mais quentes. Projeto de Ana Lúcia Dantas, Denise Dib e Marco Antonio Fernandes.
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Empolgados com a perspectiva de erguer uma moradia tipicamente colonial, os proprietários desta casa, em Belo Horizonte, investiram em balaustres e janelas comprados em demolições. As esquadrias são do tipo guilhotina, sem venezianas, sendo que as folhas de vidro ficam para fora bem de acordo com a moda colonial. Para o acabamento, escolheram itens do mesmo estilo: o lambrequim de madeira que arremata o beiral e um galo-dos-ventos no alto da cobertura de telhas de barro. Projeto de Rômulo Hermeto.
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O vilarejo baiano de Trancoso inspirou o projeto desta residência, rodeada por deques, varandas e pergolados. Foi a ideia de se voltar para o espaço externo e de valorizar a brasilidade da alvenaria irregular e dos materiais orgânicos que encantou um casal paulista a erguer um refúgio na praia de Itapororoca. Todo o acabamento da casa, interno e externo, foi feito como nas construções de pau-a-pique pela ligeira irregularidade: as paredes de lajotas de seis furos receberam reboco comum, porém sem utilização de régua reguladora. No guarda-corpo da varanda, aproveitou-se uma técnica de construção local: ripas de biriba foram amarradas com cipó, a mesma estrutura das casas de pau-a-pique. Projeto de Ricardo Salém e Bia Regis Bittencourt.
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Abandonado, o casarão localizado na cidade histórica de Cachoeira, BA, exibia sinais do tempo. Uma recuperação deu vida nova à sua arquitetura peculiar. Trata-se de um solar de estilo eclético, em moda no final do século 19. Apliques florais e estátuas mitológicas mistura de rococó e clássico, comuns no movimento eclético foram refeitos com concreto. Pequenos reparos recuperaram as grades de ferro cravejado (sem solda: só encaixes) das portas-balcão. As cores originais das paredes, cobertas de cal pigmentada, ganharam vida nova. Projeto de reforma de Marcelo Suzuki e Brasil Arquitetura (Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci), com colaboração de Roberval Guitarri.
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Quando este refúgio foi construído, há trinta anos, Búzios era uma serena vila de pescadores. De lá para cá, tornou-se a cidade mais badalada do litoral fluminense. A casa também cresceu, numa ampla reforma. Mas sua essência foi preservada: discreta e acolhedora, incorpora elementos seculares da arquitetura popular (como cobertura, varandas e guarda-corpo), traduzindo o autêntico estilo de vida praiano. O telhado de quatro águas com telhas do tipo capa-e-canal é do projeto original e remete às construções coloniais. Projeto de Maria Elisa Costa e reforma de Ana Slade e Mariana Fortes.



