15 salas coloridas de Casa Cor 2011
Salas acolhedoras da mostra Casa Cor em todo o Brasil convidam você a se inspirar pelo encanto das cores.
Edição Cristina Bava
As cores têm o poder de alegrar, relaxar ou nos deixar mais alertas. Usá-las na casa, nas roupas e nos acessórios revela traços de nossa personalidade e faz vibrar as emoções. Sem elas, a vida fica sem graça. E é para inspirar você a mergulhar nesse universo mágico que trazemos nas próximas páginas salas com combinações modernas, cheias de apelo visual e ideias surpreendentes. De tons intensos a matizes suaves e comedidos, de espaços bem coloridos a áreas apenas com sutis pinceladas, inspire-se nas propostas e traga mais cor à sua vida.
Colorido estratégico. Fechado por uma estrutura de aço, o ambiente de 400 m do arquiteto Roberto Migotto, de São Paulo, vestiu-se de cinza. Pisos e estofados ostentam o tom masculino, de forte presença. O que poderia imprimir frieza, aqui transmite uma atmosfera calorosa. O segredo está nos complementos, escolhidos com sabedoria pelo profissional. Para neutralizar a sisudez da tonalidade dominante, teto e paredes de aço corten foram pintados numa acolhedora cor marrom. Pinceladas de laranja também se veem aqui e ali, como nas almofadas e na faixa que percorre o carpete. Sobre a lareira, obra do britânico Damien Hirst.
Alma feminina. Este living é para uma mulher que é mãe, empresária e sensível. Por isso, a arquiteta Zoe Gardini, de São Paulo, criou um espaço real, com elementos adequados à rotina de uma casa com crianças e animais domésticos. As cores são claras, mas longe do branco imaculado, para que se possa ficar à vontade no sofá de linho e brincar no tapete de fibra natural sem preocupação de sujá-lo. As poltronas amarelas de couro produzido pela Ferrari e a cadeira azul customizada iluminam e acrescentam vivacidade ao ambiente. Portas pivotantes de cristal funcionam como biombos entre sala e garagem.
Toque de vermelho. Preservando os azulejos brancos e o piso de pinho-de-riga do Palacete Linneo de Paula Machado, do século 19, os arquitetos Marcelo Jardim e Tiago Freire, do Rio de Janeiro, criaram uma sala de apoio para os chefs Erik Nako e Cristiano Lanna. Aqui, os experts da gastronomia pesquisam receitas, fazem o controle das compras e atendem os fornecedores. A bancada de trabalho de ferro, madeira e vidro aramado é discreta, assim como o sofá de lona ecológica, desenhado por Marcus Ferreira. Cor, mesmo, só nos banquinhos e nas mesas laterais de laca vermelha.
Pacto de gerações. O arquiteto Caco Borges, do Rio de Janeiro, tirou partido do encantador hall renascentista francês para exibir peças de design precioso. A arquitetura clássica faz bonito contraponto com as poltronas Voltaire, criadas por Sergio Rodrigues em 1963 e que aqui aparecem customizadas com tecidos coral e listrado. As luminárias são obras fresquíssimas da última Feira de Milão: o lustre é do italiano Enrico Franzolini e os pendentes de polipropileno, da marca italiana Foscarini. Já a mesa de madeira de demolição revestida de espelho é de Simone Antonelli.
Atmosfera tranquila. Para a sala da família, a arquiteta Estela Netto, de Minas Gerais, apostou na neutralidade dos brancos, beges e crus. “Além de serem tons relaxantes, eles criam uma base atemporal, que pode receber complementos das mais diferentes tendências”, fala a autora do projeto. Em texturas diferentes – no sofá de linho rústico, no carpete de lã e nas mesas e paredes laqueadas –, as cores não causam monotonia. A tela de José Alberto Nemer, o painel de ônix iluminado por trás e os acessórios azuis respondem pelos focos coloridos do ambiente. Escultura de metal do artista mineiro Jorge dos Anjos.
Ponto para o amarelo. Em meio aos tons comportados do papel de parede listrado,do tapete turco e do sofá de linho, a cadeira Swan, de ArneJacobsen, hipnotiza o olhar. Customizada, ela recebeu umvibrante amarelo, e adesivos a fazem lembrar um carro decorrida. A ideia é da arquiteta e designer Patrícia Novoa,de São Paulo, que usou a peça para incrementar a salade um DJ. Repare na picape sobre a mesa e nos monitoresde 32 polegadas posicionados na vertical. “É aqui que o rapazse diverte com sua música e se inteira das notícias do dia,lendo as matérias nesses grandes tablets”, explica a profissional
Sem medo de ousar.Rosa-choque e laranja combinam? Combinam, sim, e quemcomprova são as arquitetas Georgia Silveira e TaynáGonçalves, de Goiás. “Apesar de fortes, os tons são da mesmafamília, por isso não ficam cansativos quando usados nasparedes de um ambiente”, diz Georgia. E olhe que aqui ascores se desdobram, pois as outras duas paredes são revestidasde espelho. Repare que os quadros não fazem parcimôniano colorido e o resultado é atraente. Já o mobiliário vem maiscomportado. De madeira natural, há peças de Sergio Rodrigues(poltronas), Paulo Alves (cristaleira) e Mônica Cintra (mesas).
No tom da elegância. Atraídos pela beleza eterna deste sofá art déco, os arquitetos Juliana Vasconcellos e Carlos Maia, de Minas Gerais, reformaram a peça e a colocaram em destaque na suíte destinada ao um hotel urbano. A cor sóbria do veludo do estofado determinou as demais tonalidades da decoração. Assim, o tapete de náilon, que lembra casco de tartaruga, vibra na mesma frequência cromática, bem como os móveis de aço inox e de madeira laqueada de preto. Até as fotos do espanhol Pablo Oriz acompanham o raciocínio da dupla. A exceção é a mesa reta de centro, deixada em pau-ferro natural.
Lembranças preciosas. Reunindo objetos e quadros queridos, a decoradora Denise Vilela, de Minas Gerais, chegou à composição da parede. “Moraria feliz neste loft. Aqui lembro quem sou e quem fui”, diz ela. Para dar ênfase à proposta, foi escolhida uma tinta azul, que repete, por sinal, a cor da fazenda onde Denise passou a infância. No mobiliário, as clássicas poltronas de Jorge Zalszupin fazem parceria com o sofá moderno de linho. O tapete de sisal e algodão segue os mesmos tons neutros dos demais itens decorativos.
Mosaico vibrante. Uma composição de 32 pufes revestidos de lonita em cinco cores compõe a sala de cinema bolada pelo arquiteto goiano Leo Romano, para a Casa Cor Brasília. Em alturas diversas e fáceis de locomover, os estofados permitem que o usuário encontre a posição mais cômoda para assistir aos filmes e espetáculos projetados no telão. Pintados de vermelho acetinado e adornados por molduras de pínus, paredes e teto aquecem o visual do ambiente. A cápsula de fibra de vidro amarela foi a maneira divertida que Leo encontrou para guardar os equipamentos de som e vídeo.
Discrição que atrai o olhar. O linho de um azul suave entra de mansinho na decoração deste flat de 70 m², mas marca presença decisiva na sala. O tecido cobre as paredes em L – onde ficam a mesa Tulipa, revestida de carvalho claro, e as cadeiras assinadas por Aristeu Pires – e veste os bancos de gesso. Mesclando móveis vintage e contemporâneos, o ambiente idealizado pela designer de interiores Nara Cunha, de Minas Gerais, exibe clássicos, como a poltrona do mestre Zanine Caldas (de costas) e o sofá de veludo roxo dos anos 1950, do designer Vladimir Kagan. Os quadros coloridos são técnicas mistas de Marinaldo dos Santos.
Xadrez como ponto de partida. Atento às tendências lançadas na última Feira de Milão, o arquiteto Geraldo Lino, do Espírito Santo, saiu atrás de um belo xadrez para forrar as poltronas Egg, de Arne Jacobsen. Encontrou o que queria e, a partir daí, desenvolveu a cartela de cores do espaço. As paredes, os tapetes e os estofados repetem as tonalidades da estampa. Um toque de azul entra sorrateiro e traz surpresa na composição. Ele está presente na faixa superior de papel de parede e nas fotografias do mineiro Jomar Bragança. “Escolhi azul porque é meu tom preferido. Ele deu um reforço na elegância da sala”, explica o profissional.
Propriedades do azul. A escolha dos tons frios foi pensada pela arquiteta Brunete Fraccaroli, de São Paulo, para trazer calma e descanso a esta sala de estar de 12 m de comprimento, montada dentro de um contêiner. A profissional apostou no azul, que aparece no tapete, nas almofadas e na parede. De couro branco, o sofá Gran Khan, do designer Francesco Binfaré, para a Edra, rompe com a estrutura cromática do espaço. O mesmo acontece com o pufe de fibra desenhado por Marcelo Rosenbaum. Já as mesas de acrílico do estúdio Nada Se Leva mimetizam-se com o matiz da alvenaria.
Um mundo de cores e estampas. Fica-se mais feliz ao apreciar esta decoração assinada pelos arquitetos Anna Maya e Anderson Schussler, de Santa Catarina. O apelo divertido da profusão de vermelhos, laranjas, verdes e azuis e das padronagens dos tecidos mexe com os sentidos. Os profissionais começaram pela pesquisa dos revestimentos dos pufes e almofadas. Com as amostras em mãos, procuraram o grafiteiro Rizo, que sugeriu a figura de um dragão para estampar a parede, repetindo as mesmas cores. O resultado impactante ganhou reforço com a iluminação cênica e com a base neutra do tapete de chenile.
Base comportada. Com a missão de criar uma sala para um colecionador de obras de arte, o designer de interiores Sérgio Palmeira, do Espírito Santo, foi cauteloso na escolha das cores. “Não queria nada competindo com os quadros e com as esculturas”, lembra ele. O jeito foi lançar mão da infalível dupla branco e cinza, composição que, por sinal, apareceu muito nos lançamentos da última Feira de Milão. Os tons despontam no sofá de linho, no tapete de lã de carneiro, nos móveis e nas paredes, fazendo o pano de fundo perfeito para trabalhos de Heloisa Helena, Hércules Barsotti, Leopoldo Martins e Paulo Whitaker, entre outros.
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