[img0] A Caixa Econômica Federal abraçou de vez a causa da sustentabilidade. Em 21 de junho passado, entregou um dos primeiros empreendimentos residenciais do Brasil a ter coletores solares de banho: o Residencial Santa Luzia, localizado em Birigüi, no interior de São Paulo.
O empreendimento, que consumiu R$ 3,2 milhões, foi construído pelo Programa de Arrendamento Residencial (PAR), para beneficiar famílias com renda de até quatro salários mínimos. "Os moradores além de contribuírem para a preservação do meio ambiente, contabilizarão uma economia considerável em suas contas de energia elétrica", afirma Valdecir Fusa, gerente geral da agência Birigüi.
A iniciativa engloba 115 casas, com área total de 37,62 m², dotadas de dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço externa. A infra-estrutura inclui asfalto, esgoto, drenagem superficial, água potável, energia elétrica e iluminação pública. O valor médio de cada moradia é de R$ 28.500. Somente os aquecedores solares instalados custaram R$ 1.200 por unidade, o que não encareceu a construção.
O PROGRAMA - O PAR é uma modalidade de aquisição de imóvel, em que o pretendente paga parcela mensal por um prazo de 15 anos, tornando-se proprietário do imóvel após o término do pagamento. Destina-se a famílias com rendimento mensal de até seis salários mínimos. O reajuste das mensalidades acontece anualmente, seguindo a correção aplicada nas contas do Fundo de Garantia (FGTS).
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Entenda como funciona o aquecimento solar
Instalados no telhado ou junto à casa, os coletores solares aquecem a temperatura da água de chuveiros e pias. Uma boa alternativa para economizar energia, já que o usuário chega a reduzir a conta de luz em 30% e 40%.
1. Para receber as placas, o telhado deve ser inclinado. No caso de superfícies planas, recorre-se às estruturas metálicas para inclinar as placas.
2. A casa deve contar com instalações hidráulicas apropriadas: tubos de PVC para água fria e de cobre ou CPVC para a quente.
3. A caixa-d`água abastece o boiler, que deve ser mantido sempre cheio para o sistema funcionar bem.
4. Do boiler, ela passa pela serpentina dentro das placas coletoras.
5. Aquecida pelo calor da radiação, a água volta ao boiler, onde fica armazenada na parte superior.
6. A água circula pela tubulação até ser distribuída aos vários pontos da casa, como chuveiro, banheira e torneiras.
Aproveite para tirar suas dúvidas:
Por que usar a energia solar?
Ao substituir o chuveiro elétrico, ela diminui, em média, 35% do gasto de luz numa casa, afirma Luís Augusto Mazzon, diretor-presidente da Soletrol. Mais números? A energia elétrica usada no aquecimento de água responde por 6% do consumo nacional, o dobro do destinado à iluminação pública. Em tempos de preocupação com o esgotamento das reservas energéticas, a economia, além de poupar o nosso bolso, preserva o meio ambiente. A abundância é outro ponto favorável. Por exemplo: a cidade de Petrolina, PE, se compara à africana Dongola, no Sudão, lugar do planeta onde o sol incide mais intensamente (maior radiação). Os dados, levantados pelo Grupo de Pesquisas em Fontes Alternativas de Energia da Universidade Federal de Pernambuco, são animadores para todo o Brasil. "Por que não desfrutar de mais esse benefício oferecido pela natureza?", questiona Marcelo Romero, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP).
Ela substitui a eletricidade?
Não. As placas coletoras servem exclusivamente ao aquecimento da água. Existe, sim, outro tipo de equipamento que transforma a energia solar em elétrica (nesse caso, chamada fotovoltáica), mas é uma tecnologia ainda cara, segundo a física Elisabeth Marques Duarte Pereira, do Grupo de Estudos em Energia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, o Green Solar.
Quais as vantagens?
Além de reduzir em média 35% da conta de luz, um bom equipamento não sai caro: ele se paga entre seis meses e dois anos, dependendo do tamanho. E dura cerca de quinze anos. Quase não requer manutenção, apenas a limpeza semestral das placas - ela é feita com água e sabão no início ou fim do dia e não necessita de mão-de-obra especializada. A exemplo do que ocorre com os demais sistemas de aquecimento central, a temperatura não varia com a vazão. Por fim, o aquecedor solar não depende de concessionárias ou distribuidoras de energia nem sofre tributação. "Quem constrói hoje e não planeja a sua instalação está retrocedendo. Seria como usar tubos de ferro galvanizado no lugar de PVC", compara o engenheiro Ricardo Gerçossimo, gerente técnico da empresa mineira Pantho.
E as desvantagens?
Os problemas mais comuns ocorrem por erros na instalação ou por falhas na distribuição da água quente no projeto hidráulico. Existe, porém, um vilão que pode atacar até os mais precavidos - a geada. Neste inverno, o termômetro foi lá embaixo, congelando a água que estava dentro dos tubos das placas coletoras. A conseqüência foi a mesma de esquecer uma garrafa de vinho no congelador: os tubos estouraram. Todo esse frio provocou a quebra de aquecedores até em cidades quentes, como Goiânia, GO, e Belo Horizonte, MG. Para evitar o inconveniente, pode-se instalar uma válvula anticongelamento. Em invernos passados, no entanto, até alguns equipamentos que contavam com ela sucumbiram, levando os proprietários a consertar ou substituir as placas. Os fabricantes estudam um sistema de prevenção ideal, que seria isolar as placas coletoras, liberando a água contida nelas e não permitindo seu reabastecimento durante toda a geada. Em países extremamente frios, o problema não acontece, pois os aquecedores contam com um sistema à prova de falhas. "É uma solução muito cara, que não se justifica em um país tropical, com risco mínimo de congelamento", explica Rodrigo Trindade, consultor da Abrava e diretor da Agência Energia, de Belo Horizonte.
A água fica quente mesmo no inverno?
Em muitas regiões do país, o inverno é bastante ensolarado, e o que importa para o aquecimento é a radiação solar e não a temperatura. No entanto, em dias chuvosos ou muito nublados, a água pode não alcançar a temperatura ideal - entre 38ºC e 40ºC, para banho, e entre 50ºC e 60ºC, para desengordurar a louça. Nessa hora, entra em ação o sistema auxiliar de aquecimento, geralmente elétrico.
O equipamento funciona em regiões frias?
Todo o Brasil recebe insolação suficiente para que compense investir nesse sistema. O que varia é o aproveitamento dele, afirma Luciano Pascon, gerente de marketing da Soletrol, de São Manuel, SP. "Nos lugares com muitos dias nublados ou chuvosos no inverno, como o Sul, o sistema elétrico auxiliar é ativado mais vezes do que em uma região ensolarada", explica. "A economia é menor no inverno do que no verão. Mas o morador ainda tem vantagem, já que a energia elétrica apenas complementa o aquecimento."
Qualquer casa pode ter aquecimento solar?
A princípio, sim. Mas, como sempre, o ideal é instalar o sistema durante a construção, afirma o arquiteto Vladimir Arruda, do escritório paulista Arruda e Zeitulian. "Assim, podemos conciliar as especificações técnicas com a estética, prevendo um espaço adequado para a colocação das placas no telhado." Em caso de reformas, principalmente, só um projeto detalhado vai permitir ou não a adoção do sistema. "Aconselho comprar outro aquecedor, a gás ou elétrico, quando não houver condições técnicas para a implantação correta, como telhado voltado para o norte", diz Rodrigo Trindade, da Agência Energia. "Se o equipamento for mal instalado ou dimensionado, o auxiliar elétrico tem uma participação muito grande."
Posso aquecer a piscina também?
Sim, mas ela requer placas exclusivas (e espaço no telhado para instalá-las) e uma bomba que movimente a água (método conhecido como circulação ativa). Os custos são altos. "Aquecer piscina é sempre caro", ressalta Amaurício Gomes Lúcio, diretor da empresa mineira Tuma e da Abrava. "Entre os sistemas disponíveis, o solar tem preços competitivos."
Os prédios aceitam o sistema?
Na capital mineira, muitos já aderiram a essa tecnologia, segundo a Abrava. E garantindo economia, conforme conta Luiz Antônio dos Santos Pinto, da Transen. Sua empresa instalou o aquecimento solar em um prédio de 34 apartamentos, e cada morador gasta cerca de R$ 60,00 mensais de energia elétrica. Outro edifício com igual tamanho, da mesma construtora, preferiu o aquecimento elétrico - a conta de luz média desses apartamentos é de R$ 180,00.
Qual o melhor equipamento para a minha casa?
Definir o número de placas e o tamanho do boiler (além do modelo dos produtos) exige saber quanto sua família gasta de água quente. Os fabricantes calculam que, no Sul e no Sudeste, cada pessoa use diariamente 100 litros em chuveiro, lavatório e cozinha. Nas demais regiões, o consumo fica entre 70 e 80 litros. Se houver banheira, é preciso acrescentá-la à conta. O boiler deve comportar a quantidade necessária por dia. O número de placas depende de vários fatores: a temperatura desejada (só para o banho ou também para a cozinha), o tipo de coletor, a insolação local e o volume a ser aquecido. Daí a importância de um projeto. De modo geral, em Belo Horizonte se adota o padrão de 1 m² de placa para 100 litros. Em São Paulo e na maior parte do Sudeste e do Sul, a mesma quantidade de água pede 2 m² de placa.
Como compro?
São muitas as lojas que vendem e instalam aquecedores solares. Atraídas por um mercado com enorme crescimento - de 30% a 50% ao ano - e pela isenção de IPI e de ICMS, há todo tipo de empresas na disputa pelo consumidor. Opte pelas associadas à Abrava, que adotam as regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Esses fabricantes são obrigados a ostentar o selo do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia) em todos os modelos de coletores que comercializem. O trabalho de etiquetagem também atingiu os boilers, que chegam ao mercado com o selo. Há apenas uma ressalva, segundo Luís Augusto Mazzon, da Soletrol: os testes de placas realizados pelo Inmetro consideram o sistema de circulação ativa (com bomba, como usado em piscinas) e não de termossifão, comum em casas. De qualquer modo, ter a placa aprovada é sinal de credibilidade da empresa.