Com o tema O Lado B da Bossa Nova, a terceira edição carioca do B Gourmet acontece entre 30 de outubro e 16 de novembro, no shopping Leblon, no Rio de Janeiro. Os nove ambientes preparados por profissionais da cidade estão concebidos a partir de histórias pouco conhecidas reveladas por João Donato, curador do evento.
Em alguns espaços criados pelos arquitetos e decoradores, são ministradas aulas de culinária e degustações gratuitas. Basta se inscrever no site oficial do evento (www.casa.com.br/bgourmet). A seguir, conheça os nove espaços montados, com as explicações sobre cada um deles. Programe-se para uma visita. É de abrir o apetite!
Era uma vez na América
No loft criado por Ana Maria Índio da Costa, vive um jovem brasileiro, solteiro e fã de bossa nova. "Ambientes amplos e integrados, com poucas paredes, dão versatilidade ao espaço", explica a profissional, que usou tijolo de demolição aparente, cimento queimado e madeira para revestir as paredes e pisos. Para indicar que a casa do jovem é em Nova York, uma foto aérea da Big Apple. Quadros temáticos e imagens estilizadas de Tom Jobim e outros artistas da época remetem ao gênero musical admirado pelo morador. Entre os eletrodomésticos, predominam aqueles com acabamento de inox e preto.
Paixão pela música e... por bromélias
O grande homenageado desta cozinha é o músico e compositor Roberto Menescal, um dos criadores da bossa nova, e até hoje na ativa. "Em uma parte do ambiente, simulei uma estufa com bromélias, uma das paixões dele, já que a idéia é exatamente mostrar o lado B de figuras importantes da época", diz a arquiteta Angela Barbosa. Os tons de vermelho fechado na parede e rosa velho na bancada estão associados às cores das flores. Contrastes na escolha dos móveis: banco de madeira rústico e três cadeiras com palha e design dos anos 1950 servem de assento diante da moderna mesa de aço com tampo de vidro.
Paquera e violão nos banquinhos da Academia
"A bossa nova é rosa-choque". Com essa frase de João Donato, a arquiteta Beatrice Goldfeld projetou a recepção e praça Brastemp cheia de detalhes pink e que lembrassem o visitante sobre a praia em que o estilo musical homenageado surgiu - Copacabana. Logo na entrada, o balcão estampa imagens de biscoito Globo, típico petisco das praias cariocas. Papéis de parede com ondas funcionam como uma releitura do calçadão de Copacabana. Cadeiras Tulipa intercaladas como em uma brincadeira infantil são rodeadas por bancos originais da época, entre eles um de jacarandá desenhado por Sergio Rodrigues. Três refrigeradores Pla com adesivos sobre o tema e três frigobares Retrô foram colocados lado a lado, próximos de uma vitrola de pé palito.
Bossa na cozinha
A arquiteta Carol Wambier partiu dos princípios básicos da bossa nova para montar a cozinha. "Optei por linhas simples, pouca cor e pouco brilho. É a beleza expressa através da simplicidade, assim como o 'samba de uma nota só'", comenta a profissional. Segundo ela, a mesa central serve não apenas para uma refeição com os amigos, mas também vale como um espaço para prosear, ter, discutir idéias e ainda interagir com que está na bancada de trabalho preparando os pratos. O fogão e a geladeira Brastemp são originais da década de 50. Entre as soluções contemporâneas, a dupla de pendentes alemães e a parede revestida de lajota refratária de cimento.
Jazz e tempestade no barquinho 
Nesta cozinha de 25 m2, uma mesa um pouco mais alta do que o padrão serve de apoio para quem sentar em um dos banquinhos com assento estampado. Dois deles têm tecido com discos de vinil e os outros dois, com listas coloridas. O barquinho do tema está representado pela foto de uma dobradura de origami sobre a água. Ela cobre a porta de um dos Plas. O outro está adesivado com trecho de uma música da época. Em uma das paredes, o perfil de um homem tocando violão. No lado oposto, um quadro de efeito tridimensional cheio de notas musicais flutuando arremata a decoração. Projeto de Caco Borges.
Visita dos boêmios ao alfaiate 
Planejada pelos arquitetos Joanna Fraga e Rafael Couri, a lavanderia tem clima de costura. Isso porque o espaço conta como surgiu a amizade entre João Donato e o músico Paulo Moura, que tinha um pai alfaiate. "Como na alfaiataria da família de Moura havia um piano, João Donato sempre ia lá para tocar", conta Joanna. Sobre o piso de madeira simulando as teclas de um piano, foi colocada uma de trabalho de costura. A pintura na parede realizada pelo artista carioca Clécio Régis enfatiza a história. Objetos de época, como vitrola, chapéus, bengalas e ventilador fazem contraponto com os equipamentos modernos da Brastemp - a dupla de lavadora e secadora, além da minilavadora Eggo.
A feijoada do Beco 
No Beco das Garrafas, os artistas se encontravam para bebericar e trocar histórias. Perto dali, ainda em Copacabana, no Beco da Fome, eles comiam. Na cozinha funcional preparada por Julinha Serrado, é possível comer e beber acompanhado da imagem de Miele aplicada na parede. "Minha homenagem vai para ele que, entre tantas habilidades, ainda foi o responsável pela recuperação do Beco das Garrafas", justifica Julinha. Inspirada em um depoimento de Affonso Romano de Sant'Anna sobre Miele, a decoradora personaliza o Pla com imagem da capital carioca e deixa o ambiente bem aconchegante, com o uso predominante de madeira, fibra natural e cor quente na parede.
Cantos que inspiram 
As arquitetas Carla Muniz e Luciana Kreimer partiu dos eletrodomésticos verdes para fazer a escolha de materiais que remetam à natureza. O espaço dividido em copa e cozinha leva piso de PVC que imita palha e mobiliário de madeira escura. Nas paredes, figuras ligadas à bossa nova, com frases tiradas de músicas de Tom Jobim, imagem do Cristo Redentor, da dupla 'banquinho & violão' e de um carro da época, o DKW-Vemaq. "Para dar mais charme, ainda completamos o ambiente com elementos artesanais, como o lustre feito de ferro e cristais", afirma Carla.
O clube da chave 
Este clube existiu. Mas era um lugar onde apenas os 'sócios' tinham a chave. Ali, se reuniam, além dos músicos, artistas de diferentes áreas, como Oscar Niemeyer e José Lewgoy. Para a arquiteta responsável pelo bar funcional, Renata Bartolomeu, o lado A da bossa nova é a praia, a flor, o sorriso, o amor. Enfim, o dia. Seu lado B teria o clima do clube da chave. Seria a noite, os encontros regados à bebida, as madrugadas diante do piano. "Tentei ser minimalista, como as composições das músicas na época. Misturei elementos simples e nobres para garantir uma harmonia sofisticada. Além de usar materiais ecologicamente corretos e referenciar a Brasília de Niemeyer com a curva de brises de madeira. Na mesa para 20 pessoas, cada lugar tem uma gaveta sob o tampo, com um brinde - um caderno do clube da chave para anotar as receitas durante os cursos ministrados no ambiente.
