A mostra acontece entre os dias 28 de agosto e 06 de outubro de 2009, no casarão do Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Salim (Rodovia Heitor Penteado, altura do km 3,2 – Vila Brandina, Campinas, SP). De terça a sábado, das 12h às 20h e de domingo, das 11 às 19h. Os ingressos custam R$ 25.
Casa Cor Campinas resgata a história do interior de São Paulo
A mostra acontece em um parque, onde antigamente funcionava uma fazenda de café e açúcar
Até o dia 6 de outubro, parte do Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Salim, vai abrigar os 54 ambientes da Casa Cor Campinas. O tema do evento é Hospedaria de Café e remete às raízes históricas do local, que já produziu café e açúcar. O pavimento superior do casarão foi dividido em três alas: hóspedes, convívio e família. Na parte inferior, foram instalados os ambientes de apoio, como Sala de Imprensa e Loja Casa Cor. Vale ressaltar que as intervenções realizadas no casarão são reversíveis, já que o espaço é tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado (Condephaat). A página de Casa Cor, no Casa.com.br, mostra todas para você, inclusive a Casa Kids, a Casa Hotel e o BGourmet, que aconteceram em São Paulo. Participe da cobertura também via Orkut e Twitter.
Sala de Jantar. Quem gosta de colecionar arte, mobiliário tradicional e peças com design contemporâneo vai se identificar com esta proposta de Celina Duarte Martinho. O diferencial da ampla sala de jantar concebida pela decoradora são as figuras de Rugendas, pintor alemão que, em viagem pelo Brasil no século 19, retratou nossos cenários, costumes e tipos humanos. As célebres imagens estampam a lona reciclada que reveste as paredes. Batentes e assoalho permanecem intactos. O aparador antigo de formas arredondadas no canto direito dialoga com a peça contemporânea de linhas retas. Sobre a mesa oval com lugar para 14 pessoas, o imponente lustre de cristal sublinha o requinte da sala de jantar.
Adega. Ela não apenas armazena as garrafas de vinho. Aqui, os convidados sentam-se para degustar a bebida. Sob o aparador de madeira maciça de descarte, que atende ao conceito de sustentabilidade, seis nichos climatizados e ao abrigo da luz proporcionam as condições ideais para a conservação da bebida. Cores neutras e escuras dominam o espaço, que, embora sóbrio, em nada lembra as adegas convencionais. É que as arquitetas Kátia El Badouy e Adriana Bellão buscaram uma linguagem arquitetônica contemporânea. A luz dos pendentes de tecido incide diretamente sobre as mesas de vidro de cristal incolor e pés de alumínio. Poltronas de couro sintético em tom achocolatado aquecem o ambiente. Toque sofisticado: portas de vidro preto e paredes revestidas de espelhos fumê.
Suíte do Casal. Água e fogo. Esses dois elementos trazem a força da natureza para o aposento da designer de interiores Andréa Barroso, planejado para o bem-estar. Madeira escura domina a cena e contribui para o clima de aconchego. A grande surpresa, que embala sonhos, é o espelho-d’água num aquário de vidro aos pés da cama. Dentro dele – portanto, cercada de água – uma caixa de mármore guarda a lareira ecológica, que utiliza biocombustível, material não poluente. A grande estante de linhas retas, perfeita para exibir objetos garimpados em viagens, enfatiza o requinte.
Quarto da Filha. No cenário adolescente criado pelas arquitetas Ana Maria Coelho e Ivanilza de Alencar, a grande cama sem cabeceira, instalada sobre um tablado, divide o espaço multifuncional – de um lado fica o escritório e do outro o canto de leitura. Sobre a parede revestida de papel na cor cyan – uma gradação de tonalidades azul-esverdeadas que promete vir com tudo –, a TV atrai o olhar. A caixa de gesso da janela abriga uma persiana translúcida. O toy art, que virou mania, também funciona como porta-celular e dá ar divertido ao quarto jovem.
Quarto do bebê. A leveza prevalece em cada detalhe. Para enfatizar o ar do campo, os arquitetos Cláudio Jaloto e Renata Assaf escolheram móveis de marcenaria com acabamento em pátina provençal. O papel de parede listrado de azul e branco confirma a delicadeza e arremata o espaço ao lado da ampla janela, vestida com persiana de madeira branca para que a luz natural apenas se insinue. Dos quadros emana suave iluminação indireta. A bancada branca diminui a altura do pé-direito e ainda serve de apoio. Repare no teto. As réguas com encaixe macho-e-fêmea ganharam pintura de esmalte branco e refletem a claridade.
Quarto das Meninas. O pink dá o tom ao ambiente idealizado para garotas sonhadoras. A decoradora Fernanda Podolsky tirou partido do pé-direito de 4,50 m e abriu espaço para o lazer, instalado em um mezanino com estrutura de pínus, bem de acordo com o conceito ecológico que norteia toda a mostra. Ali, um camarim com fantasias estimula a imaginação para toda sorte de brincadeiras. No térreo, a área de dormir tem camas com dossel e canto de estudo com escrivaninha, estante e um painel com fundo em patchwork para fotos.
Varanda da Família. Imagine preguiçosas tardes de domingo em que a família se reúne para jogar conversa fora e apreciar a paisagem. A arquiteta Celina B. Zappellini fez questão de reverenciar a natureza em cada detalhe – no sofá de algodão e juta, no tapete de sisal, na mesa de sucupira que apoia o abajur, na peça redonda de rotim (espécie de bambu) e no lambri de peroba de demolição. Os dois quadros de textura rústica, que estampam bromélias, reforçam a atmosfera singela, assim como as almofadas de flores estilizadas.
Galeria da Família. Objetos e coleções lembram experiências de vida e ficam expostos na estante sinuosa, inspirada no famoso calçadão da orla de Copacabana. A mesa de trabalho com tampo rústico ganha vista para o mar, na engenhosa solução que transforma a parede em paisagem impressa em tecido holográfico, prolongando o azul até a curva do teto. Ao fundo, a poltrona de couro sobre o tapete geométrico convida ao descanso. O projeto é das arquitetas Ana Paula Barros e Eliana Barros com a designer de interiores Sílvia Bartholomeu.
Home Cinema. As salas de cinema da era dourada de Hollywood serviram de inspiração para este projeto, concebido por quatro profissionais: o arquiteto Fernando Pellizon e os decoradores Fabrícia Pellizzon, Luis Roberto Rios e Eliane Ferrari Cardoso. Sobre a tela, que exibe foto ampliada de acervo pessoal, o luminoso com efeito teatral tem ar retrô e produz efeito que faz lembrar a iluminação das antigas salas de espetáculo. Para reproduzir o ambiente art déco, foi escolhido um papel de parede com aspecto vintage. Não falta nem mesmo uma divertida escultura da bilheteria típica da época. Todo o sistema de áudio e vídeo, com tecnologia de ponta, está camuflado na decoração.
Boulevard do gourmet. Este ambiente de estar ao ar livre reproduz a charmosa simplicidade da vida no campo, um recanto encantador que serve de apoio para o cafezinho passado na hora. A pérgula de malha de ferro cria uma praça, rodeada de palmeiras Livestonia benthamii e arbustos Medinilla magnifica que enchem os olhos do visitante. Vasos de concreto, com arremates no mesmo material, mostram vegetação com clima provençal, destacando cores similares às da fachada. A proposta é de Alexandre Furcolin, engenheiro agrônomo e paisagista, veterano das edições da Casa Cor São Paulo, que pela primeira vez participa da mostra em Campinas. Todo o mobiliário é assinado por ele, que, neste projeto, contou com a colaboração da arquiteta Marina Gwyther.
Café Nextel. Nada como saborear um cafezinho e folhear um bom livro num lugar de visual caprichado. As arquitetas Ana Cláudia Serafim Selmi, Silvana Marini e Márcia Mayer respeitaram os acabamentos antiquíssimos, como o chão de tijolos, mas pontuaram o ambiente com toques de modernidade e intervenções coloridas. Chamam a atenção, por exemplo, os adesivos que reproduzem as rendas do Nordeste, espalhados em móveis e na parede junto à escada vazada. No teto, pérgula metálica pintada de preto deixa antever focos de luz. O grande lustre nada mais é do que um conjunto de pendentes de alumínio preto. Peças clássicas, como as poltronas Chesterfield, fazem parceria com a mesa contemporânea, num elegante mix de estilos.
Brinquedoteca. “Desenha-me um carneiro?” – pede o Pequeno Príncipe. Desejo atendido. Os arquitetos Marcelo Dias e Michel Lebedka, em parceria com o paisagista Daniel Cruz, buscaram inspiração no livro de Saint-Exupéry para criar esta fachada graciosa. O personagem, recortado em placas de gesso pintadas com tinta acrílica, multiplica-se na chapa de gesso acartonado fixada sobre estrutura de madeira de reflorestamento sustentável. Ao fundo, as palmeiras nativas emolduram o cenário lúdico.
Banheiros do Café. Como explorar as possibilidades dos mais diversos materiais sem perder de vista a proposta de conciliá-los com a estrutura original da casa sede? Os arquitetos Maxwell Geraldi e Gustavo Ramos aceitaram o desafio, explorando acabamentos tão diversos quanto o ladrilho hidráulico, o papel de parede e a tinta cor de cereja, que cria impacto visual. Os tijolos originais dão toque campestre na salinha de espera, que comporta sofá, pufe e luminária de lona de caminhão reciclada e pintada a mão pela artista Ana Maia. O rack que apoia a TV ganhou adesivos florais.
Loft Gourmet 24/7. O paladar, o mais fino dos sentidos, é contemplado neste ambiente planejado pela arquiteta Ana Carla Costa Leme para os apreciadores da boa mesa. Uma grande ilha de trabalho tem revestimento de mármore bruto jateado. A natureza entra sem pedir licença, escancarada pelo painel gigante de vidro. O jardim vertical chama a atenção para as vigas de madeira e para a transparência do teto, que deixa a luz se insinuar de leve. Na parede, uma autêntica tela de Burle Marx.
Cozinha da Fazenda. Que delícia reunir amigos em torno da mesa, enquanto a comida é preparada no fogão a lenha... Este vem de Minas Gerais e é ecológico – usa pouca madeira e produz quase nada de fumaça. Os confortos da vida moderna estão na cozinha planejada e nos eletrodomésticos de última geração. A parede da bancada da pia ganha revestimento de pastilhas fabricadas com resíduos de lâmpadas fluorescentes. O meio ambiente agradece. No teto, a treliça faz bonito. Projeto das arquitetas Cristina Franco, Nerli Dorigon, Roseana Monteiro e da decoradora Vera Rodrigues.
Lavanderia. Praticidade, beleza e respeito ao meio ambiente. O projeto da arquiteta Mariela Klann Fonteyne para a área de trabalho contempla essas três metas. Note a organização do espaço: uma bancada com armários modulados abriga dois tanques para pré-lavagem. Ao fundo, um nicho acomoda produtos de limpeza. O inusitado surge na grande foto de uma lavadeira, impressa em tecido. O autor é Miklos Naday. A secadora de roupas aproveita o ar natural e atende ao apelo do consumo inteligente para preservar o planeta. Os cestos para roupas, feitos de jornal, valorizam a reciclagem e o trabalho artesanal. Folhas recobertas de resina salpicam o piso. Já o forro ganhou um trançado de cordas de sisal, deixando o telhado original parcialmente à vista.
Casa Infantil Sustentável. Criança nenhuma precisa sair por aí agitando a bandeira verde da ecologia, mas um ambiente lúdico como este, projetado pela arquiteta e urbanista Renata Marangoni, pode ir muito além da fantasia e estimular o respeito à natureza. Aqui mora o sapo. O túnel, feito de placa de alumínio, assenta-se sobre um deque de madeira reciclável, suspenso a 45 cm do solo, com estrutura de vigas de aço oxidado. Os arcos são tubos metálicos fechados com vidro. A iluminação é atração à parte. O cogumelo tem sistema de dimmer com leds que mudam de cor. E a luminária sobre a mesa de reflorestamento de Pedro Petry é um clássico do design, a Micro Tolomeo, assinada por Giancarlo Fassina. Colaboraram Eloisa Kempter, arquiteta e urbanista, e a estagiária Mariana Boschini.
Jardim do Ecologista. O jardim sinuoso, marca registrada de Burle Marx, foi a fonte de inspiração para este projeto dos arquitetos Omar I. Batarce e Milena de Moraes Matarce, e da ecóloga Beatriz R. Moraes. O verde privilegia palmeiras, bromélias, helicônias, filodendros e marantas, que independem de regas frequentes para sobreviver firmes e fortes. A singela estrutura de bambu oferece a sombra amiga. Sobre a terra, materiais sustentáveis, como o solo-cimento das alvenarias e o piso drenante, minimizam as agressões ao meio ambiente.
Spa do Ecologista. Uma oca feita de toras de eucalipto, sapé e bambus serve de refúgio rústico para quem reverencia a natureza. O abrigo de inspiração étnica tem piso feito do tronco fatiado de árvores tombadas. Tudo aqui remete ao colorido universo indígena brasileiro – da construção aos objetos artesanais e móveis de fibras naturais. O conforto da vida moderna se traduz na presença da banheira de hidromassagem. Projeto de Katia Rodrigues de Almeida, paisagista, engenheira florestal e designer de mobiliário, sob medida para quem faz do respeito ao meio ambiente o assunto de todo dia.
Jardim da Capela Poeta dos jardins. Era assim que a pintora modernista Tarsila do Amaral se referia a Burle Marx. Inspirados por essa definição, os paisagistas Cláudia Casella e Thiago Cunha, que também é engenheiro agrônomo, criaram um jardim sustentável junto à vegetação nativa. É que as plantas, já adaptadas ao clima e ao solo, tornam o manejo e a manutenção mais simples. A dupla também usou espécies em risco de extinção – caso das samambaias-açus. Típicas da mata Atlântica e consideradas verdadeiros fósseis vivos por existirem desde a pré-história, pertencem ao acervo pessoal de Cláudia. Recortes irregulares de laje goiana, entremeados de grama preta, levam à pérgula com colunas de dormentes, coberta com uma grade do início do século 20, que pertenceu a um palacete da avenida Paulista, em São Paulo.
Capela. Quem entra neste canto de orações logo se sente acolhido. A 15 cm da parede, a designer de interiores Cláudia Marotta instalou um forro de gesso off-white em arco – reinterpretação do estilo românico da arquitetura religiosa que vigorou na Europa nos séculos 11 e 12. Recortes em forma de cruz, iluminados por detrás, representam as 14 estações da via sacra. Clássicas poltronas revestidas de veludo e a moderna mesa de imbuia resumem o mobiliário. Lustre retrô de cristal realça os filetes dourados do papel de parede.
Praça da Fazenda. Preservar a memória da Fazenda Mato Dentro e recriar o ambiente original. Essas metas orientaram o projeto de Raquel Pozzi, arquiteta, paisagista e lightning designer, para o espaço de convívio rodeado de verde. Cones de aço envolvem o tronco das palmeiras e escondem luminárias para aproveitar o jardim também à noite. Dos bancos de alvenaria e reboco de terra avistam-se pequenos arbustos de café e a porteira de eucalipto, ladeada por um muro erguido com pedras do próprio local.
Jardim das Boas-Vindas. Lá fora, surpreendem as linhas retas e modernas, próprias do ambiente urbano, em meio a instalações repletas de referências à vida rural. A construção foi erguida sobre um piso elevado de concreto e estrutura metálica para preservar um veio d’água. Vigas de madeira interpõem-se nos panos de vidro e dão toque rústico, amenizando o estilo clean. Neste ambiente, criado pelos arquitetos Izilda Moraes & Carlos Jusevicius, que também são designers de interiores, uma estação da rádio CBN transmite programas ao vivo.
Alameda Burle Marx. Como aperfeiçoar o que já é irretocável? Cintia Rua, agrônoma e paisagista, e Marilia Gallo, arquiteta, encararam a tarefa de fazer intervenções pontuais na vegetação nativa e, assim, valorizar o célebre projeto paisagístico de Burle Marx, instalado em uma área de 550 m². Mosaicos de granito revestem o caminho sinuoso, ladeado por árvores como o pau-ferro, com seu inconfundível tronco branco. Em cada curva, um canteiro como este, forrado de lascas de pínus coloridas, sobre o qual repousa a espreguiçadeira de fibra sintética.
Espaço Burle Marx. Como o próprio nome sugere, este é outro local da casa sede a homenagear o mestre dos paisagistas. O elemento que domina a cena é um ícone – as ondas da calçada da Princesinha do Mar. O painel verticalizado é de fulgê, tipo de granito lavado. Planejado para ser um centro de eventos, o espaço tem um deque de réguas de material cerâmico para reunir os convivas. O projeto arquitetônico se integra à mata nativa, complementada com buxinhos. Os autores são Adriana Beluomini, arquiteta e urbanista, Inês Scisci Maciel, arquiteta, urbanista e designer de Interiores, e Mauro Contesini, engenheiro agrônomo e paisagista.
Pavilhão do Chef. Tecnologia e marcenaria artesanal são pontos fortes neste espaço de degustação. O balcão tem inusitado formato de asa-delta. Ao fundo, sobre o recorte da janela que deixa à vista o jardim, armários de MDF levam revestimento que imita réguas de madeira de demolição. Três coifas pendem do teto. As mesas com pratos giratórios no centro são de madeira maciça de reflorestamento. O teto ganhou estrutura metálica com cobertura de lona cristal, transparente como o vidro. Projeto dos arquitetos Adriano Stancati e Daniele Guardini.
Garagem. Os aficionados de carros encontram refúgio aqui. Mais do que abrigar o automóvel, este espaço, que reúne canto de degustação e lounge, nasceu do zero e foi inteiramente concebido pelo quinteto Bruno Coiado, Antônio Eduardo Gonçalves, Gustavo Sampaio (em pé); Gustavo André Gonçalves e Mariana Frison (sentados). Sob a óptica do desenvolvimento sustentável, todos os elementos presentes ou foram reaproveitados ou um dia poderão ser. O assoalho, por exemplo, é feito com madeira de demolição. Já a cobertura é de telhas de alço galvanizado e estrutura de alumínio. Construídas em módulos, podem ser transportadas sem dificuldade em caso de mudança de endereço. A porta envidraçada é automática e dá acesso a uma pequena cozinha, com armários de aço com pintura epóxi e banquetas de plástico com altura regulável. As célebres poltronas Egg, de Arne Jacobsen, são revestidas de couro ecológico e fibra de carbono.
Lounge Multimídia. Neste amplo espaço de 149 m², os arquitetos Anderson Leite e Roberta Kassouf criaram ambientes que estimulam o convívio familiar. O bar encontra-se ao lado das poltronas estampadas que rodeiam a mesinha feita de madeira certificada. Ao fundo da grande sala de estar, caixas de cortinas nas janelas em arco escondem o equipamento automatizado para o controle da energia. O pé-direito de 5 m valoriza o vigamento do teto que se replica na parede espelhada. O belo assoalho de ipê é original.
Banheiro e Hall do Restaurante. Em plena sintonia com a antiga construção, o lavabo contemporâneo é também despojado. Repare: as linhas retas da bancada de mármore escuro ressaltam o branco das cubas de cerâmica. Os espelhos gêmeos são separados por um quadro vivo, que faz as orquídeas saltarem à vista. No lado oposto, o pergolado de MDF, reciclável, tira partido do pé-direito de 4 m e sobe até o teto. A iluminação indireta produz suave jogo de luz e sombra. Ideia das designeres de interiores Ana Mitzakoff e Lilian Goraieb.
Chocolateria. Adeus, sobriedade. Sai de cena o monocromatismo dos beges, cinzas, pretos e marrons. Em seu lugar, uma profusão de cores enche de vida este alegre canto de guloseimas idealizado por Nilza Violaro, designer de interiores. Sem medo de ousar, ela revestiu o balcão com bolas de cerâmica de diferentes tamanhos e criou um esfuziante efeito psicodélico. Ao lado, tecidos listrados nos mesmos tons surgem em amarrações nas pilastras rústicas, decorando o espaço de degustação. A linda vitrine de vidro de linhas arredondadas dá ao ambiente um quê de sofisticação. O teto pintado de branco, que embute a iluminação, se contrapõe ao piso de tijolos.
Jardim do Restaurante. Logo se vê que o proprietário da fazenda é um apaixonado pelo verde. Se ele evocar o talento de Burle Marx, tanto melhor. Esse foi o ponto de partida do plano de trabalho da arquiteta e paisagista Paula Varga. Primeiro ela imaginou um espaço tropical de contemplação. Depois, lançou mão de agaves, iúcas, asplênios, alocásias e monsteras – espécies recorrentes na obra do mestre, autor de cerca de 3 mil projetos mundo afora. Elas dão volume à vegetação pré-existente e ainda têm a vantagem de serem resistentes. Em outras palavras, sua manutenção requer baixo consumo de água. O efeito final é este cenário exuberante, ainda mais valorizado pela imponente tulha que se avista por detrás das folhagens e que agora abriga o restaurante.
Restaurante. Ponto para a reciclagem. Repaginados, móveis em estilo provençal com muitos anos de história conquistam visual arejado, revelando a madeira natural, sem acabamento além de cera. Azuis adamascados revestem cadeiras e bancadas. Sobre a mesa, souplats de vidro reproduzem um patchwork dos tecidos, num trabalho que explora a técnica da arte digital. Em seu projeto, a arquiteta Ana Paula Padovani reinventou o espaço, que originalmente era a tulha do casarão. Aberta em arcos, desvenda outros recantos. O armário funciona como um painel divisório entre o restaurante e a cozinha. A iluminação indireta nos nichos valoriza os origâmis. As paredes mantêm o reboco original. Intocados também estão o teto, com vigamento e forro de madeira da época da construção, e o piso de tijolos.
Especiaria e Pomar da Fazenda. Nesta horta concebida como um jardim, o aroma dos grandes canteiros de ervas e das árvores frutíferas evoca lembranças e traz o sabor da vida simples no campo. A arquiteta paisagista Sabine Morel preservou as características do ambiente naturalmente arborizado e instalou estruturas construídas com madeiras de demolição, que funcionam como um portal que se abre ao visitante. Ao anoitecer, luminárias de cerâmica orientam o passeio. As tábuas que delimitam o espaço são provenientes do manejo sustentável da madeira, como convém a um projeto que respeita (e valoriza) o meio ambiente. Observe o piso, que alterna material drenante, pedras e, junto aos grandes vasos, grama quadriculada, tão explorada por Burle Marx em seus projetos.
Jardim dos Sentidos. Passeie por aqui e fique à vontade. Experimente o perfume inebriante das plantas. Emocione-se com sua beleza exuberante. Surpreenda-se com a profusão de cores. Sinta suas diferentes texturas. Enfim, apure os sentidos e sinta os estímulos da natureza preservada. A arquiteta Jorgia Amoroso Lima, em conjunto com o escritório Íris & Beth Paisagismo, traçou seu plano de ação para interferir com bom senso no belo cenário natural. As espécies que reinam nos canteiros, espalhados em uma área toda arborizada de 450 m², são perenes, caso dos filodendros, das alpínias e das bromélias. Um deque e uma espreguiçadeira de madeira, além dos belos mosaicos de Chico Franzé, completam o recanto verde.
Espaço História do Casarão. Imagine por quantas reformas e intervenções não passa uma casa desde sua construção, no século 19, até os dias de hoje. Pois a arquiteta Flávia Elaine Aliotti R. Nogueira e a urbanista Melissa Ramos S. Oliveira fizeram questão de deixar à vista as marcas do tempo. Este é o porão da casa sede. Para preservar a taipa de pilão e a alvenaria de pedra, nem um único furo foi feito nas paredes – os quadros, alguns retratando o casarão, pendem do teto e recebem focos da luz direta instalada no vigamento do teto. Como panos de fundo, a rústica alvenaria de pedras com pequenos buracos aparentes de um lado e, do outro, pintura vibrante. Grãos de café formam faixa que se insere entre a parede e o piso de tijolos. Os móveis são de madeira certificada e contrastam com a mesinha de centro de material espelhado.
Sala de Descanso e Banho. Acabamentos quentes, como a madeira do tablado rústico, se opõem a materiais frios, caso do mármore no piso e nas divisórias, definindo espaços que se integram num ambiente contemporâneo e sofisticado, especialmente construído para relaxar as tensões e valorizar a intimidade em família. Futons e almofadas confortáveis dão ar descontraído e prolongam o prazer do banho na elegante peça Victoria Albert,, de linhas arredondadas. O grande nicho horizontal de laca faz intervenção colorida, enquanto circuitos independentes de luz criam climas diferentes, que se refletem em espelhos e vidros espalhados aqui e ali. Projeto a oito mãos do arquiteto e designer Maycon Flamarion e das arquitetas Karina Leme, Cecília Bellucci e Marina Marcolini.
Espaço Body Art. Viva a independência – decretam Beto Tozi e Paulo Eid, designers de Interiores. No generoso espaço de 65 m², a dupla instalou um refúgio mais do que adequado a um jovem surfista, com quarto e closet em plano superior, escritório, living e uma pequena cozinha. Tudo com clima de praia, como não poderia deixar de ser. Não faltam elementos naturais, como madeira, bambu e vidro, que conferem leveza, em contraste com a arquitetura preservada da casa de fazenda. Na cabeceira da cama, um grande painel exibe estampa de tecido, impressa com técnica digital, e ganha iluminação em néon, fazendo as vezes de moldura com apelo de anúncio publicitário. No estar, a mesa de centro com tampo de vidro e pés de alumínio leva a assinatura de Eduardo Campos.
Loja Casa Cor. Mais do que um ponto comercial, este espaço serve de refúgio para o visitante em busca de uma pausa rápida. Não à toa, um grande e confortável sofá convida ao descanso. O verde traz tranquilidade. A pintura das paredes, aliás, foi praticamente a única interferência que o arquiteto Christie Cornélio fez aqui. Piso e forro de ripas são os de origem, antigos como a própria casa-sede. A modernidade se manifesta nas estantes em estilo clean, com nichos sob medida para destacar os objetos. Os lustres de acrílico em forma de abóbodas sobressaem sobre a composição de mesas retas e baixas.
Estar da Recepção. Logo na entrada, o visitante já se sente bem acolhido. Pudera. A sala, construída especialmente para abrigar a bilheteria, reúne elementos que sugerem conforto, caso do tapete de fibra sintética, bem fofo – a espessura é de 2,5 cm. Os antenados em assuntos ecológicos também notam o bom uso de elementos naturais, como a fibra que dá forma às poltronas, e a madeira teca dos pufes, nativa de florestas tropicais e bastante apropriada para o reflorestamento. O preto da cortina de voal afasta a mesmice do branco e confere sobriedade à saleta. No canto, a luminária de poliéster parece flutuar. Projeto dos designeres de interiores Luis Henrique Salvador e Samara Filigoi.
Jardim das Boas-Vindas. Quem disse que simples quer dizer sem sofisticação? Sonia Stecca, designer de interiores, prova que o requinte também está na rusticidade. Neste espaço contemplativo, ela usou madeiras recuperadas de casarões antigos, carregadas de história e com as marcas do tempo. Mas não deixou de lado estruturas modernas, como o pergolado metálico, coberto com latão envelhecido em vez de telhas. O mix de pisos conduz a um momento relax na banheira de hidromassagem, incrustada no deque de cruzetas.
Praça Casa Cor. Bromélias, arbustos e orquídeas, entrelaçadas no tronco de palmeiras raras, emolduram o exterior do casarão, típico exemplar arquitetônico do século 19. À sombra, mas com farta luz natural, a vegetação mantém o viço. O projeto, da paisagista Márcia Novaes e da arquiteta Andrea Ottoni, contempla também um orquidário, instalado em uma pérgula de 70 m² feita com madeira certificada e coberta de telhas com filtros para barrar os raios nocivos do Sol. Pisos artesanais absorvem a umidade e formam o caminho que leva ao lounge, à beira de um lago com carpas rodeado de pedras e areia branca. Nessa área, lareiras a gás permitem manter os pés na água enquanto a conversa rola solta nas noites frias.
Sala de Imprensa. Obras de arte brasileira, realçadas pela iluminação cênica, pontuam o ambiente moderno, equipado com móveis de design e tecnologia de ponta para receber jornalistas e visitantes. Aqui também a sustentabilidade dá o tom. O piso é revestido com lâminas de madeira certificada. Sobre ele, tapetes tecidos em tear manual. Na parede, destaca-se o revestimento, que sugere um estuque (argamassa à base de cal e areia fina) para reforçar a rusticidade de antigas fazendas. O projeto da arquiteta Márcia Zacharias, em parceria com a decoradora Marcela Mendes da Costa, preservou as características originais, sem interferências arquitetônicas ou estruturais.
Lounge dos Hóspedes. Ver TV, ouvir música ou papear ao som do crepitar do fogo. Que tal? Esta sala de convivência criada por Nilza Alves e Rita Diniz, designers de interiores, alia conforto e aconchego para compartilhar bons momentos com pessoas queridas. O ponto de atração é um grande painel de bambus que reveste o duto da lareira e acentua o clima rural. Os janelões se vestem com grandes xales de cortina, de leve transparência para deixar à vista o verde de fora. O belo teto original embute a iluminação. O único retoque foi a pintura branca, que cria molduras e atrai a luz do dia. As gravuras florais, realçadas pelo fundo claro, fazem jogo simétrico com o gostoso sofá revestido de tecido cru. Ao lado das poltronas listradas, mesas rústicas enfatizam o ar do campo.
Escritório do Agrônomo. A parede espelhada é o elemento de impacto no projeto da arquiteta Bárbara Di Mônaco e da designer de interiores Solange Tannuti. Além da sensação de amplitude, o espelho replica peças de design, como o lustre do dinamarquês Verner Panton, e adesivos do arquiteto e artista plástico Paulo de Tarso Coutinho Viana, que imitam as linhas de uma biblioteca. Repare na persiana de madeira escura e nos quadros com fotos artísticas de plantas ornamentais em tons de sépia, de autoria da mesma dupla que assina o sofisticado canto de trabalho.
Loft dos Hóspedes Jovens. Peças contemporâneas, como a poltrona de cetim, contrastam com o sofá Chesterfield, um clássico repaginado – ele ganha revestimento de lona de caminhão reciclada e leva capitonê no encosto. Para fugir do previsível, a arquiteta ElaineCarvalho brinca com as formas das mesas de centro – duas retangulares e uma redonda, todas de laca, mas com acabamentos diferentes. Em sintonia com os novos tempos, leds reduzem o consumo de energia e jogam foco na escultura de Luiz Paulo Baravelli.
Degustação do Café. Um grande painel assinado pelo fotógrafo alemão Theodor Preising chama a atenção no ambiente das arquitetas Rita Homem de Melo e Fernanda Amaral e da engenheira civil Sissa Bianco. Ele remete aos tempos do ciclo cafeeiro no interior paulista, nos anos 30. Logo abaixo, uma bancada de inox abriga armário de MDF, além de frigobares com portas de vidro. Na parede revestida de juta, armários de madeira de linhas retas dão ar de modernidade.
Sala de Convívio. Assinado pela designer de interiores Maristela Grion Frias de Campos, o estar valoriza a história e enfatiza as peças contemporâneas. Em uma feliz combinação de estilos, os sofás com desenho atual são ladeados pelas mesas Bieder. Já as mesas de centro, de mármore importado da Itália e linhas clean, convivem em harmonia com as luxuosas poltronas medalhão Luís XV e com o móvel do tipo secretária de rádica. Nas paredes, usou-se a técnica de pintura triton italiana, realçando listras.
Loft dos Hóspedes Sênior. Acolhedor, clássico, atemporal. Assim os arquitetos Carlos Henrique Oliveira Nascimento e Renato Vieira de Almeida Barbosa definem o ambiente que dá as boas-vindas aos amigos dos anfitriões. Fiéis ao conceito de sustentabilidade, a dupla explora móveis italianos de madeira certificada e visual sóbrio. As paredes conservam a pintura original, que só precisou de um leve restauro. O toque artesanal fica por conta da técnica estêncil, com desenhos alusivos à época áurea do cultivo do café.
Sala de Leitura. O convite para desfrutar o prazer de um bom livro é irrecusável. Nesta proposta das arquitetas Raquel Mansur Ruiz e Paula Pilla, a estante de madeira, assim como a mesa de trabalho, é feita de MDF, com detalhes que imitam madeira de demolição. Os tons neutros predominam para criar clima introspectivo, adequado a um canto de leitura. Poltronas de alumínio, revestidas de fibras de resinas especiais e acompanhadas de pufes, são ladeadas por poderosas luminárias. É para sentar e esquecer a vida. A persiana com duas telas, movida a bateria por controle remoto, regula a luminosidade sem gastar energia.
Sala de Música. Esta já foi a alcova do casarão – quarto de dormir sem janelas que garantia a privacidade para encontros amorosos. Para multiplicar o espaço de dimensões reduzidas, a decoradora Pompéia Mesquita recorreu ao espelho, que ocupa uma parede inteira. Ele reflete surpresas, como a premiada tela sobre óleo assinada pelo homenageado da mostra campineira, Roberto Burle Marx, a harpa antiga e – raridade – o cravo pintado a mão no estilo neorrenascença, um dos primeiros fabricados no Brasil. O banco original se perdeu, mas foi substituído por uma réplica perfeita. A pintura em pátina e o decapê dão o ar envelhecido. Nas paredes, papel italiano com textura de tecido. O teto traz iluminação de efeito cênico.
Lavabo Social. Preservar a atmosfera típica de uma casa na fazenda. Essa foi a intenção da arquiteta Fernanda Antunes ao projetar este ambiente. O tecido nas paredes contrasta com a pintura na madeira de acabamento provençal, técnica que resgata o estilo despojado da vida rural. A bancada parece de mármore, mas é de granito. E o lustre com cristais, de ar antiguinho, na verdade é uma peça contemporânea. A poltrona de laca branca vestida de tecido de seda pura e a cortina de linho imprimem leveza ao espaço onde o piso de madeira rústico original tem forte presença. O teto, refeito de gesso, imita madeira.