Direto da Holanda: design conceitual também pode estar dentro de casa
Quem comprova essa afirmação são os alunos da Eindhoven Design Academy, que expõem seus trabalhos na Graduation Galleries 09
Por Heloísa Righetto, de Londres
Os trabalhos de graduação dos alunos da Eindhoven Design Academy em 2009 mais uma vez provam que jovens profissionais estão buscando inspiração muito mais em conceitos do que em exigências comerciais. Já faz algum tempo que grandes nomes do mercado, como Tom Dixon, afirmam que os designers precisam oferecer mais do que apenas um produto: os consumidores estão mais cautelosos e preferem adquirir peças que tenham conteúdo e não sejam descartáveis. Esses itens, além se atenderem suas funções básicas – servir como cadeira, vaso ou armário – devem ser apreciados, contar uma história. Por isso, a relação do homem com seu espaço é cada vez mais estudada, e daí saem os melhores projetos. Máximo aproveitamento de espaço, área pública cada vez mais utilizada, sustentabilidade como linha guia: essas diretrizes norteiam o design que vem da Holanda para nos inspirar a decorar as nossas casas sem culpa. Para manter-se bem informado, complemente sua leitura visitando o canal Design.
Charlotte van den Brand inspirou-se em estampas de tecidos que viu em sua viagem à África para criar a estante Pattern, que tem quatro partes que se encaixam perfeitamente, como em um quebra-cabeça.
O banco para espaços públicos desenhado por Teun Fleskens estimula a interação – acomoda até sete pessoas e, a cada novo movimento de sentar ou levantar, ele balança, provocando alguma reação entre os usuários.
Um vaso pode prolongar a vida de uma flor, mas não por muito tempo. O vaso Interação, de Charlie Guda, permite que a flor torne-se também um componente dele. O tratamento dado ao vidro proporciona uma distorção aos olhos do observador: há ou não água dentro dele?
As poltronas do designer Joon SooKim podem ser utilizadas para oferecer privacidade, como uma dança a dois. O intuito é que os usuários possam partilhar intimidades, mesmo vivendo em cidades onde é praticamente impossível ter alguns momentos de privacidade.
O vaso criado por Bas van derVeer é 100% amigo da natureza – feito de material biodegradável, depois de servir como proteção para a planta, ele volta à natureza como alimento para a terra. Além de sustentável, o vaso facilita o trabalho de plantação, já que não precisa ser descartado.
A mesa de Katinka Versendaal é repleta de surpresas: dentro dela, vários outros objetos estão alojados e podem aparecer de acordo com a vontade do usuário, como uma fruteira ou uma luminária. A criativa ideia foi inspirada nas obras do artista gráfico M. C. Escher.
Mathilde Alders utilizou um desenho clássico de armário, mas com um grande diferencial – a possibilidade de as peças do vestuário serem exibidas, em vez de ficarem guardadas. Na opinião da designer, as roupas não devem ser vistas apenas quando vestidas (afinal, muitos de nós gastamos um bom tempo e dinheiro para construir uma boa coleção de roupas!).
A torneira e a pia criadas por Janina Loeve não só possuem formas elegantes mas também procuram transmitir uma mensagem. Ao enfatizar todo o caminho que a água percorre, a designer pretende que o usuário perceba o desperdício e tente reduzir o tempo da torneira aberta.
As prateleiras da estante de Bram Burger têm altura regulável: podem servir de assento, mesa, apoio para bar e, é claro, para guardar livros e objetos pessoais. O designer pensou em ter um móvel que também fosse um ponto de encontro, independentemente da situação em que ele é utilizado.
David Dersen fez uso de traços elegantes, material requintado (folhas de cobre) e formas discretas para dar vida a uma mesa de apoio que tem como objetivo guardar objetos “realmente importantes” – segundo ele, a aparência de um produto define seu uso.
François Dumas pesquisou diversas formas de fabricação para produzir uma cadeira de plástico que não fizesse uso de um grande volume de matéria-prima e não tivesse aquele jeito de produção em série. Conseguiu alcançar seu objetivo por meio da extrusão do material, e o resultado é uma peça contemporânea e chique, além de resistente e de fácil manutenção.
Cúpulas feitas de resíduos de alimentos (beterraba, repolho e bolachas) tornam-se comida para os pássaros quando descartadas: em vez de jogá-las no lixo, basta pendurá-las em uma árvore, e a natureza se encarrega do resto. Criação de Florian Kräutli.
Nesta cadeira, o usuário faz a forma. Frank Winnubst escolheu molas como sua matéria-prima e assegura que esse é o segredo do conforto.
Benjamin Claessen sempre gostou de design automobilístico e resolveu aplicar o conhecimento que possui em processos de fabricação de carros para criar esta cadeira. Supermoderna e resistente, a peça parece uma escultura.
Como estar em uma área pública e ainda assim manter o mínimo de privacidade? Jitske Blom acredita que as pessoas acabam perdendo sua identidade no mundo globalizado. Assim surgiu a ideia para o banco Hide and See, feito de material semitransparente, que permite que o usuário mantenha-se protegido dos olhares da multidão.
A mesa de jantar/trabalho de Lukas Peet é simples, porém resolve um problema que volta e meia incomoda a todos – as quinas. Peet não só arredondou as bordas mas também revestiu o tampo de couro macio, tornando a peça superagradável ao toque.
Para ter um momento de tranquilidade durante a leitura, Rene Siebum desenvolveu uma estante que se abre e tem uma luminária “embutida”. O espaço se multiplica conforme a vontade e a necessidade de cada um, tornando-se praticamente um ambiente independente do restante da casa.