A mostra acontece entre os dias 1 de setembro a 13 de outubro, na praça Santos Dumont, 31, Gávea, Tribuna C do Jockey Clube - Rio de Janeiro, RJ. De terça a domingo, das 12h às 22h. Os ingressos custam R$ 25 (terça a a quinta) e R$ 30 (sexta a domingo). Meia entrada para estudantes com apresentação da carteirinha e comprovante de matrícula e para maiores 60 anos.
Casa Cor Rio valoriza o Jockey Club da cidade
A Tribuna C abriga oito estúdios compactos que representam diversos jeitos de morar
Apresentar soluções alternativas de moradia ocupando imóveis que não foram projetados para este fim. Este é o mote da 19ª edição da Casa Cor Rio. A Tribuna C do Jockey Club da cidade foi revitalizada e abriga oito estúdios compactos, que representam diversos jeitos de morar. E, como vem ocorrendo em todas as mostras de Casa Cor, a sustentabilidade é o fio condutor do evento: os arquitetos receberam uma planilha com 13 requisitos para serem atendidos, como economia de energia e inventário de emissão de gases tóxicos. Além disso, Burle Marx é o homenageado do ano e ganhou, entre outros espaços, um jardim de 1.400 m². A página de Casa Cor, no Casa.com.br, mostra todas para você, inclusive a Casa Kids, a Casa Hotel e o BGourmet, que aconteceram em São Paulo. Participe da cobertura também via Orkut e Twitter.
Sala de Jantar. O célebre desenho da calçada da avenida Atlântica ocupa o tampo da mesa e se reflete nos pendentes metálicos, arrebatando olhares. Depois de apreciar as radiografias de sementes de Steve Miller, na parede do fundo, dá vontade de escolher uma leitura na estante e se esparramar nas almofadas do sofá. A calma e a elegância da sala de 80 m² devem muito aos tecidos e ao papel de parede, em suaves azuis, seleção do arquiteto Pedro Paranaguá. Vale reparar nas persianas horizontais do teto, que simulam efeito de claraboia.
Adega. Com o desafio de montar uma adega diferente, aberta e com jeito tropical, as arquitetas Deborah Wilcox e Beatriz Slaibi priorizaram cores claras e materiais sustentáveis, como o piso de pastilhas de coco. Um jardim vertical homenageia Burle Marx e foi emoldurado em chapas de gesso acartonado com pintura especial de Benoît Gentil, simulando aço corten enferrujado. Esse metal está presente na estante com desenho de jogo da velha que armazena as garrafas. Ali, a iluminação traz spots embutidos e cordões luminosos que não colocam em risco a qualidade do vinho.
Apartamento de Hóspede. Um quarto de hotel parisiense se transporta para o Jockey pela determinação da designer de interiores Fernanda Pessoa de Queiroz. Celebrando o ano da França no Brasil, ela optou por mobiliário de época, a exemplo da cômoda neoclássica estilo Diretório, garimpada pelo antiquário Arnaldo Danemberg. Sobre o papel de parede clássico, fotos de autoria do príncipe D. João de Orleans e Bragança. Para completar o clima, tecidos adamascados e estampados e um lustre de cristal francês.
Apartamento da Família. Quem entra logo sente vontade de planejar uma viagem! As arquitetas Leila Bittencourt e Fernanda Casagrande aplicaram um mapa-múndi sobre uma parede imantada: ali se reposicionam as pequenas luminárias Pulga, com base de ímã. Do outro lado, um deque embute duas bicamas, apara dois futons e um revisteiro. A mesa vazada permite brincadeiras entre adultos e crianças, mas quando o casal quer privacidade portas de correr com venezianas reguláveis vedam o quarto. Lúdico, o móbile é obra do artista Dirceu Krepel.
Rouparia. O desenho dos jardins do Palácio Capanema, de Burle Marx, reaparece no mosaico de pastilhas de vidro ao fundo deste ambiente funcional. Além de lavanderia, a rouparia acolhe consertos de costura e serviço de engraxate. As arquitetas Tiana Meggiolaro e Bia Lynch capricharam ao mesclar piso de cimento, tampos de toras com bordas orgânicas, parede revestida de bambu e painéis de trabalho feitos de teca adulta, com selo verde. “Escolhas sustentáveis podem ser bonitas e usáveis em qualquer residência”, reforça Bia.
Fitness. A iluminação aconchegante e os tons de marrom aquecem esta academia residencial. “Quis fugir do costumeiro, que é luz fria e ambiente pouco convidativo”, revela o arquiteto Duda Porto. Uma parede ganhou revestimento de madeira de demolição, outras duas receberam espelhos bronze. Em uma delas, percebe-se o reflexo de um tapete verde feito com mudas de tostão recobrindo outra parede. Chapas com ferrugem fake emolduram as plantas, que ajudam a refrescar quem se exercita nos modernos aparelhos.
Foyer. Ele pode ser vislumbrado pela fachada neoclássica do prédio do Jockey, já que envolve uma sala aberta, duas escadas e uma varanda. Uma coleção de relógios antigos, que marcam a passagem do tempo, faz uma analogia com o lugar – um espaço transitório, de passagem. Um modelo digital assinado por Hans Donner inspirou a temática eleita pela arquiteta Rachel Marques de Sá, que utilizou generosas estantes para expor réplicas de relógios antigos. Laminado e cimento queimado se alternam nos pisos.
Estúdio Sustentável. Madeira e tons claros parecem ampliar estes 75 m². Para fugir do ar- condicionado, opção nada sustentável, a arquiteta Marcia Malta Muller instalou ventiladores em vários níveis deste loft com pé-direito altíssimo e ambientes integrados. Na parte da sala, cadeiras e pufes se revestem de tecidos orgânicos e murim pintado pela artista Mucki Skowronsky. O piso recebeu laminado ecológico e a parede foi pintada de branco com flexteig, para dar efeito semelhante ao concreto. Ali, integradas à arquitetura, prateleiras nas alturas ganharam acesso por uma escada vertical.
Estúdio Atelier. A tela de Roberto Burle Marx, tingida de azulão, foi presente do paisagista a Janete Costa, mãe do arquiteto Mario Santos, que assina o espaço junto com as arquitetas Eliane Amarante e Denise Niemeyer. A amizade entre esses dois mestres e artistas inspirou o trio a montar um ambiente multiúso e confortável, que homenageia a dupla com sofás e tapetes claros e uma mesa de jantar ampla, perfeita para reunir os amigos. Repare no pendente, que tem lugar para expor pequenos objetos, e nos nichos que acompanham o desenho da estante, onde foram encaixados livros.
Estúdio do Colecionador. A coleção de obras de arte colore o espaço tingido de tons neutros, projeto das arquitetas Carmen Zaccaro e Marise Kessel. O piso de cumaru rústico sobe em parte das paredes, aquecendo o ambiente com teto rebaixado e trabalhado com rasgos para embutir a iluminação que pontua as telas expostas. No mobiliário, somente designers brasileiros, como Sergio Rodrigues, autor da poltrona Diz de Lyptus escurecido, e Pedro Petry, que criou as estantes-totens Floresta e a mesa cavalete, junto à escada, com tampo de vidro.
Estúdio de Temporada. O arquiteto paulista Dado Castello Branco estreia na mostra carioca com um uma estética informal e aconchegante, onde branco e crus se mesclam em doses certas. O piso, de madeira de reflorestamento pintada de off-white, traz um clima de praia e recebeu um tapete iraniano que faz referência à textura da areia. Dois cubos com estrutura de ferro e tampo de travertino servem de apoio no centro e, para refeições e trabalho, a mesa multiúso de freijó lavado, junto às venezianas, tem design de Etel Carmona. Atrás do sofá, a tela de Amélia Toledo colore com suavidade o ambiente.
Estúdio do Estudante. “Uma decoração móvel, própria para embalar e partir.” Assim a arquiteta Angela Leite Barbosa descreve o conceito deste estúdio de 40 m2, planejado para um jovem que adora viajar pelo mundo. Até a cozinha industrial é composta de módulos portáteis. Caixotes de madeira de demolição viram armários-contêineres, assumem funções diversas e são úteis até na hora do transporte. Chama a atenção a luminária de metacrilato Big Bang, da grife italiana Foscarini: desencaixada, ela fica bidimensional!
Estúdio Inteligente. Aqui, o estilo inteligente de viver se resume no sistema Savant, baseado na mesma tecnologia do Macintosh, reunindo controles de áudio, vídeo, iluminação em um mesmo aparelho. De resto, a decoração traz a assinatura do arquiteto Caco Borges, fã de texturas naturais e tons neutros. O sofá cru, em módulos retos, tem forma de L e preenche com classe o piso revestido de porcelanato italiano de proporções generosas (1,20 x 1,20 m). A estante de madeira reúne livros e objetos de arte, deixando a parede levemente texturizada, no fundo, à mostra.
Estúdio de um Casal. A designer de interiores Paola Ribeiro aproveitou o recuo da parede embaixo da escada que leva ao mezanino para encaixar uma marcenaria feita sob medida, onde colocou livros e objetos que ajudam a contar a história dos moradores. O piso de tauari, madeira de reflorestamento, tem ripas de 20 cm de largura e cria uma base para móveis e estofados que variam entre o cáqui e bege. A iluminação, embutida na parte de trás da estante, valoriza o móvel. O tapete kilim estampado, tipo passadeira, delimita a área de circulação, fazendo a ligação entre o estar, cozinha e a escada que leva à suíte no mezanino.
Estúdio de um jovem Casal. Os 56 m² mereceram um projeto que aproveita cada centímetro e parecem maiores graças ao branco e tons de cinza, que vão do teto ao piso de porcelanato. Pensando em moradores sofisticados, a arquiteta Deborah Brauer prestigiou móveis de jovens designers brasileiros, como a mesa Top de jantar, de Eliane Pinheiro, e a cadeira Luiza, de Aristeu Pires, além de peças de veteranos, como as poltronas Casta, de Claudia Moreira Salles. Entitulada Mergulho no Infinito, a tela de Antonio Bokel valoriza a área social.
Tribuna. O designer Chafik Benazzouz e o arquiteto Ricardo Melo transformaram a tribuna do Jockey Club em uma galeria do design francês que faz parte do calendário oficial do Ano da França no Brasil. Batizado por eles de French Observeur, o espaço sedia peças da mostra de design do prêmio francês Observeur du Design. O piso, semelhante ao asfalto, remete à arquitetura da cidade e apoia mobiliário de franceses famosos como os irmãos Bouroullec, Patrick Jouin e Philippe Starck, com seus enormes vasos em preto e branco.
Café Nextel. O vitrô original do Jockey Club ganha companhia de um requintado papel de parede cor petróleo e prata. Os mesmos tons reaparecem no mobiliário confortável do lounge. Na área do café, com bancada feita de madeira de reflorestamento, a sobriedade masculina é quebrada pela geladeira abóbora, releitura dos anos 50. A iluminação eficiente e de baixo consumo, o uso de tintas certificadas e tecidos feitos de fibras de bambu ilustram as preocupações dos arquitetos Chico Vartulli e Gabriel Dile com a sustentabilidade.
Tabacaria. O clima cool dos cigar clubs invade a charutaria sustentável das arquitetas Gisele Falcão e Adriana Falcão, decorada com as cores do tabaco. Quem entra admira o tríptico fotografado por Ricardo Fasanello, depois, senta na poltrona para dois e vislumbra as corridas enquanto degusta um cubano. Vale reparar na parede revestida de caixas de charutos e na outra com resíduos de teca de reflorestamento. Mas o brilho vem do alto: o lustre Droplet, de Ross Lovegrove, é imperdível!
Sala de Música. Dando vazão ao conceito de hotel-butique, que permite misturar estilos com liberdade, os arquitetos Bernardo Schor e Rogério Antunes revestiram uma poltrona de estilo francês com tecido de Lycra utilizado pela estilista Alessa no Fashion Week. Ali ao lado, uma cômoda antiga faz par com o sofá italiano e as cadeiras de design. Tudo perante uma parede de espelho bisotado, que reflete a vista e três telas instaladas na parte superior do pé-direito de 4 m. Datadas de 1925, as obras são do pintor Osvaldo Teixeira do Amaral, fundador do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.
Bar da Tribuna. A vista privilegiada das pistas do Jockey inspirou a arquiteta Andrea Chicharo a seguir a bela estética neoclássica do prédio. Repetindo em gesso os arcos que desenham a estrutura do teto, ela montou um grafismo valorizado pela iluminação pontuada, feita por arandelas presas no forro de lambri que cobre parte das paredes. A bancada central, laranja, foi moldada co material sintético e se sustenta, no centro, por uma alça de aço. Pendentes redondos, assinados por Tom Dixon, criam ali um interessante grafismo. No piso, pastilhas de vidro variam do caramelo ao marrom.
Bistrot. Formas orgânicas e elegantes desenham o contorno de piso, teto e paredes, criando uma fluidez no projeto dos arquitetos Paula Neder e Alexandre Monteiro. Para delimitar a área das mesas desenhadas pela dupla, onde as madeiras naturais e a laca bege predominam, dois painéis recortados e vazados de freijó funcionam como biombos e apresentam grafismos de inspiração modernista. O piso da circulação, de madeira crua e sem tratamento, leva ao balcão de material sintético e de fácil manutenção. A iluminação, com lâmpadas de baixo consumo, se situa embutida em rasgos lineares.
Praça Casa Cor. Área de circulação para quem acessa os espaços comerciais da Casa Cor, a praça se estende por 1200 m². Junto da fachada recém-pintada do Jockey, o paisagismo se alinha em floreiras estreitas, com espécies arbustivas de fácil manutenção, diferentes coloridos e texturas. O grande destaque fica por conta do restauro do piso de pedra portuguesa. Deques de madeira sustentável e mobiliário de fibra sintética, que não aparecem na foto, favorecem a convivência nesta área externa planejada por Dayse Jorge.
Garagem. O BMW prateado está lá, estacionado. Mas o arquiteto capixaba Sergio Paulo Rabello montou, ao lado, uma confortável sala de estar com direito a sofás e poltronas que misturam boas doses dos estilos contemporâneo e étnico. Para proteger a castanheira centenária que estava no terreno, ele cercou a árvore com painéis de vidro, trazendo-a para dentro do espaço como parte da decoração. O piso intercala mármore branco translúcido com uma faixa do prático laminado de PVC. Na parede, fotos em preto e branco de Zeca Perdigão.
Orquidário. A base neutra, com lâminas de madeira de reflorestamento forrando paredes e placas cimentíceas no piso, cria o cenário perfeito para receber a coleção de orquídeas de diferentes tonalidades e tipos, todas à venda. Seguindo o conceito de privilegiar só o ecologicamente correto, a arquiteta Jacira Pinheiro se preocupou em usar, nos móveis de fibras naturais ou de peroba de demolição, tecidos feitos da reciclagem de garrafas pet. O tapete de hemp tem um toque mais sedoso do que o de sisal.
Loja Casa Cor. Com ângulos irregulares na marcenaria e na fachada, o projeto das arquitetas Viviane Cunha e Elisa Latgé surpreende no desenho da estante, onde os módulos tortos criam um grafismo pouco convencional. Piso e parte das paredes têm revestimento de tábuas de maçaranduba certificada. Os caixotes baixos, de compensado, ganharam acabamento de tinta ecológica fabricada com produtos naturais e, no fundo, a novidade é o forro de Tensoflex, tecido emborrachado branco, iluminado com lâmpada fluorescente por trás, que valoriza os objetos expostos.
Loja da Casa. Há algo de modernista no espaço da paisagista e arquiteta Emmilia Cardoso. O quadro de Roberta Costa, na parede revestida de placas com relevos moldados em resina de garrafas pet, faz referência direta à obra de Burle Marx. Os cubos vazados que desenham a fachada repetem o mesmo estilo geométrico predominante e filtram uma bela luz natural. O piso, de resina ecológica que imita mármore, demonstra a preocupação com o meio ambiente. No mobiliário, ela optou pelo estilo clássico e limpo, preparando a base que recebe os objetos selecionados por Lalla Bortolini.
Sorveteria. As ripas de marfim-linheiro, madeira clara que reveste todas as paredes, mais parecem uma casquinha de sorvete. Já o balcão de material sintético translúcido que abriga os sabores gelados da famosa marca Itália não faz lembrar um cubo de gelo? E o mesmo formato se exibe nas quatro cúpulas de pergaminho no teto. Brincadeira de criança que se concretizou na prancheta de Tatiana Lopes. “Usando madeira, branco e bege, procurei criar uma sorveteria quente e agradável, onde as pessoas sentem vontade de ficar”, conta a arquiteta, que arrematou o projeto com piso de cerâmica e um banco de madeira com almofadas coloridas.
Livraria. Perfeito para relaxar com estilo, lendo um bom livro, o projeto do arquiteto Leonardo Pascual tem a tranquilidade dos tons neutros e harmônicos: o piso de limestone crema escovado faz base para a marcenaria, que mistura laca branca e freijó lavado, mesma madeira do banco e das poltronas, assinadas pela designer Cláudia Moreira Salles. O contraste fica por conta do sofá forrado com linho rosa-choque – chamativo e charmoso. As estantes têm revestimento de linho e lona de caminhão e ganham iluminação embutida, permitindo melhor visualização dos títulos expostos.
Café da Praça. Uma caixa de gesso com pé-direito de 4,50 m, construída onde era um dos portões de entrada do Jockey: o café das arquitetas Laura Bezamat e Cristina Bezamat impressiona pelas dimensões e pelo mix equilibrado de materiais. O jardim interno, plantado com exemplares de pandanos, arbusto original de Madagascar, foi cercado por um banco estrutural de granito texturizado, com espaço para futons e obras de arte, como a escultura de Cássio Lázaro. O estar se aquece com a parede forrada de freijó com acabamento rústico e iluminação pontuada, que faz jogo de luz e sombra na superfície.
Loja do Chocolate. Placas de bambu cortado em círculos lembram uma obra de arte gráfica e criativa na parede do espaço feito sob medida para a degustação dos deliciosos chocolates da Bel Trufas. Os arquitetos Fernanda Mancini e Anderson Macedo provaram com isso que é possível montar um ambiente moderno com materiais sustentáveis. O piso, de PVC reciclado, imita metal e a parede foi forrada com laminado com textura com a aparência rústica do concreto. A estante vazada é palco para peças de design, como vasos de cerâmica e vidro, e a iluminação leva a assinatura de Isabela Saramago.
Joalheria. A loja da arquiteta Lou Palhares expõe peças de diferentes joalheiros e se impõe com um estilo clássico e elegante, que varia entre o amarelo e o cinza. Seis vitrines se posicionam em nichos montados com marcenaria e acabamento de laca branca, iluminados por minileds. A aposta aqui foi misturar móveis modernos com antiguidades, como os baús que servem de apoio lateral e a cômoda bombê preta entre o sofá de linhas retas forrado de nobuk. O mesmo listrado na parede está nas almofadas. E a mesa de centro leva a assinatura de Lou.
Galeria de Arte. Fugindo do padrão da caixa branca e limpa típica das galerias, os arquitetos Fernanda Bessone e Raul Moraes buscaram inovar colocando como peça central um cachepô com uma pitangueira seca, pronta para sofrer intervenções criativas. O piso, de parquê, termina com uma faixa de seixos que circunda toda a área de exposição. O papel de parede, com pequenos círculos em relevo, facilita a marcação do posicionamento do trabalho de Teresa Salgado. O painel branco em L, solto, foi projetado para facilitar a colocação dos quadros e tem um banco para apoiar esculturas. A iluminação fica aparente, sustentada por uma estrutura de madeira que forma quadrados de 1,20 x 1,20 m.
Spa em Casa. A decoradora Ana Maria Indio da Costa montou uma estrutura vazada e arejada cercada por um ripado de ipê que parece dialogar com o entorno, o jardim vertical de samambaias e orquídeas da paisagista Anna Luiza Rothier. No interior deste cubo zen, um painel laminado composto de fibra de bananeira e resina poliuretano biodegradável de origem vegetal compõe o forro da área da bancada. No piso, limestone e vidro se intercalam e revelam o espelho-d’água moldado em pedra bruta trazida da Indonésia. Luminárias de cobre criam um efeito cênico ideal para o relaxamento, que se completa com o colchão tipo futon, forrado de toalha.
Business Contêiner. Especialistas em customizar projetos para contêineres, o arquiteto Leonardo Gandolpho e a paisagista Anna Carvalho vieram somar às iniciativas sustentáveis da Casa Cor. “O contêiner, além de ser símbolo de reciclagem, é fácil de transportar, versátil e abrevia o tempo normal de construção em 75%”, defende Leonardo. Dando a ideia de transporte de mercadorias valiosas, dois contêineres sobrepostos abrigam o escritório da famosa casa de leilões Sotheby’s, com peças de antiquários e de design expostas na vitrine no andar superior. Do lado de fora, um jardim de plantas tropicais faz contraponto com a linguagem urbana da edificação.
Restaurante. O almoxarifado abandonado do Jockey passou por uma obra de engenharia para receber o restaurante Aquim L´Epecerie. Nos atuais 170 m², os tijolos maciços aparentes são a herança mais charmosa da antiga construção, mantidos pela decoradora Solange Medina. Um espelho divide esta parede da área de refeições, com sofás estofados e cadeiras de palha bem leves. As mesas de 60 x 60 cm têm pé central e servem a duas pessoas, mas se agrupadas comportam até dez. A iluminação do salão, com pendentes em alturas variadas, faz parte do projeto do lighting designer Maneco Quinderé.
Boutique Nespresso. Para degustar um café com toda a classe, os arquitetos Marcelo Jardim e Tiago Freire não economizaram boas ideias. Cafeteiras se misturam a objetos na estante de peroba-mica, montada com módulos de diferentes proporções, batizada de Trama. No lado do estar, a parede de tijolos maciços traz aconchego e cresce com a faixa de espelho posicionada estrategicamente para refletir a marcenaria em frente. Embaixo do banco de travertino o canteiro de plantas esculturais confere sofisticação. Poltronas de couro e conjuntos de mesas e cadeiras dos designers Fernando Mendes e Roberto Hirth convidam a uma boa pausa.
Cozinha Gourmet. Os degraus da arquibancada formam o teto destes 132 m2 dedicados à gastronomia, espaço suficiente para a arquiteta Gorete Colaço estimular os cinco sentidos. Cores e luzes quentes atraem a visão, diferentes texturas de móveis, bancadas, piso e paredes agradam o tato. O olfato sente o aroma da madeira e o da comida. E o ouvido curte música instrumental, enquanto chefs preparam jantares para refestelar quem senta à mesa de cerâmica com 4 m de comprimento. A parede recoberta de musgo e a ilha de material sintético iluminada se encaixam bem nesta proposta sensorial.
Parque Burle Marx. Em meio à vegetação de cores, volumes e texturas diversas, erguem-se quatro totens coloridos. Esse é apenas um detalhe da praça de 1 400 m² projetada ao lado das pistas de corrida do Jockey pelo escritório Burle Marx e Cia Ltda. em homenagem ao centenário do nascimento de seu mestre, Roberto Burle Marx. Da tribuna e dos ambientes abertos da Casa Cor se avista o desenho do jardim, a cargo dos paisagistas Haruyoshi Ono — sócio de Burle Marx por 30 anos —, Isabela Ono, Julio Ono e Gustavo Leivas. Quem passear pelos caminhos de placas de granito pode vivenciar o espaço, que conta com áreas de estar e lago com espécies aquáticas
Estufa. Os princípios da sustentabilidade inspiraram o arquiteto Ivan Rezende a montar um módulo vazado, integrado ao jardim vizinho que homenageia o centenário de Burle Marx. Mudas de espécies originais da mata Atlântica, cedidas pela reserva de Linhales, da empresa Vale, se posicionam junto à entrada e formam o ecotelhado. Estrutura metálica sustenta todo o espaço, que foi fechado por venezianas de eucalipto de reflorestamento. O piso inova com placas cinza de cimento e madeira. Um lounge confortável, com peças assinadas por designers renomados como Sergio Rodrigues, Bernardo Figueiredo e Pedro Useche, além do próprio Ivan, fazem do local um agradável ponto de encontro.
Recepção. Painéis com venezianas de madeira certificada Lyptus delimitam o ambiente de estar criado pela arquiteta Roseli Muller, concebido para ser um ponto de encontro efetivamente usado pelos visitantes. Bege e café predominam nos estofados do sofá e ainda na estampa das poltronas, forradas com tecido que mistura lã a fibras recicladas. A mesa de centro intercala módulo de laca com duas menores, de madeira de demolição, ambas de linhas retas e simples. A luminária de pé traz uma luz baixa e aconchegante. O tapete tem desenho gráfico, com padronagem orgânica e tons neutros.
Home Office. Para o escritório de um marchand, a arquiteta Ana Lúcia Jucá apostou em tons neutros, que não competem com as obras de arte, como a tela de Fabio Miguez. Na parede, o revestimento de papel simula fulgê e, acima da mesa de couro natural, um jogo de pendentes preenche com delicadeza o pé-direito alto. O jardim interno brindou a rotina com natureza e solucionou um problema: fica atrás da enorme viga de sustentação da arquibancada do Jockey, que atrapalhava a distribuição do espaço.
Sala de Cinema. Repleta de novidades tecnológicas como uma videoteca capaz de armazenar até 1 800 filmes e shows, a sala dedicada à sétima arte agrada ao cinéfilo e a seus amigos. Para dar mais realismo na hora de curtir o longa-metragem, o sofá de 2 m embute uma estrutura codificada, que vibra de acordo com sons e imagens da telona. Tons de madeira, argila e areia passeiam por piso, paredes e móveis. Acima dos painéis de MDF laqueado, pôsteres antigos garantem o ar retrô da ambientação dos arquitetos Andrea Duarte e Guilherme Osborne.
Sala de Imprensa. Um cubo desconstruído emoldura uma espécie de caverna, como as arquitetas Carolina Escada e Patrícia Landau definem a área dos computadores na sala reservada para entrevistas. Com inspiração levemente retrô, elas revestiram a parede de fora com vidro serigrafado amarelo e, no interior, placas de pré-composto forram a estrutura e montam a bancada para receber as cadeiras de acrílico de Philippe Starck. A iluminação embutida reforça o efeito futurista do espaço, que conta com boa seleção de peças de design, como a poltrona Yan, de Marcelo Ligieri, de couro recortado a laser, e o pufe forrado com tecido da Missoni.
Living. Pinturas enferrujadas que remetem à estrutura original do Jockey se insinuam no teto, nas mesas e em caixas com lâmpadas pendentes, criação de Maneco Quinderé. Elas reforçam o clima cênico planejado pelo arquiteto Jairo de Sender para a sala com estofados generosos, revestidos com tecidos da inglesa Designers Guild. Placas de granito preto e papel de parede metalizado destacam a tela e a mandala de Walter Goldfarb e a cômoda bombê de laca preta.
Sala de Leitura. Brasil e França entram em cena numa bela composição de materiais e estilos. Do Brasil, a arquiteta carioca Patricia Marinho trouxe uma marcenaria impecável, desenhando a estante-biblioteca de ipê sustentável, junto à janela. O estilo francês comparece pelas mãos do arquiteto Laurent Croissandeau, com uma estética bem eclética, como o arranjo de quadros na parede tingida de preto, que junta obras contemporâneas e gravuras de Paris do século 18. Destaque para a luminária-escultura de Hervé van der Straten na mesinha lateral ao sofá e o toque vibrante do vermelho na cadeira Panton junto à escrivaninha.
Lounge. A área central e de passagem do condomínio, com 180 m², poderia funcionar com um pátio, uma praça interna. Assim surgiu a ideia de plantar uma jabuticabeira e rodeá-la com um deque oval de pínus autoclavado. “Sob a árvore, criei um espaço de convivência e relaxamento, com direito à vista do jockey, um bar e uma sala de leitura”, explica o arquiteto Mauricio Nobrega, que usou como referência clubes hípicos ao redor do mundo. Móveis de antiquário, madeiras e acessórios tingem o local de vários tons de marrom, com pinceladas de marinho e pistache nos estofados.
Sala de jogos. No fundo, a mesa de sinuca preta, iluminada com o pendente Twiggy amarelo, se destaca junto à parede forrada com lâminas de madeira sucupira e o nicho espelhado. O mesmo revestimento se repete no piso e em parte do forro do teto, dando uma impressão de continuidade que faz com que o ambiente pareça maior do que 39 m². A mesa de centro rente ao chão, junto ao tapete antialérgico em tom cru, convida a um descontraído jogo de cartas. Mas o sofá preto com almofadas de linho em frente ao aparador antigo confere certa sobriedade ao projeto assinado pela arquiteta Adriana Valle e pela designer de interiores Patricia Marques.
Banheiro Público Masculino. Situada debaixo da viga, a bancada com pias e espelho parece flutuar no projeto de Milton Rocha, onde sobressaem o forte grafismo e as escolhas sustentáveis. No lugar de ônix, ele usou mármore brasileiro com pintura intercristalina. O consumo de energia fica em apenas 1 500 W, entre iluminação – com fluorescentes e leds –, equipamentos de áudio e vídeo, torneiras e mictórios automatizados. Itens de design aparecem na espera: luminária de papel Knuller e poltrona de Sergio Rodrigues.
Sala Bar. O clima é de um lobby ou bar de um hotel clássico, com direito a uma luminária estilo chandelier de cristal preto e uma paleta de tonalidades sóbrias nos revestimentos. A elegância fica por conta das poltronas e do sofá de linhas retas, forradas de seda cinza-estanho. No piso, o mármore marrom imperial faz par com as paredes arrematadas com papel marrom com leve brilho, que traz folhas em relevo. O bar fica encaixado na estante desenhada com espelho bronze. Para contrastar, os arquitetos Ana Lila Denton e Juarez Farias Jr. encomendaram o quadro com a imagem da Monalisa feita de colagens de revistas antigas, assinada por Anderson Thives.
Banheiro Público Feminino. Ponto de encontro e conversa entre mulheres, a área de lavabo recebeu a atenção máxima da arquiteta Sophia Galvão. Ela desenhou uma bancada escultural de material sintético translúcido, iluminada por trás, onde se encaixam pias, espelhos individuais para o retoque da maquiagem e três delicados pendentes de vidro e cristal. Ao fundo, a banqueta de acrílico incolor Stone, de Phillipe Starck, se alia ao estilo clássico do papel que reveste a parede. No piso, placas de marmoglass com 80 x 80 cm.