edição de fevereiro de 2008

Com a alma da Índia

Ricamente entalhado, o pórtico de mais de 400 anos é o marco da decoração deste apartamento, repleto de objetos trazidos do país asiático. Apaixonado por peças rebuscadas, pela madeira natural e por cores intensas, como o turquesa e o vinho, o morador fez questão de transformar sua nova casa em um espaço para celebrar o belo e as alegrias que a vida proporciona.


Decoração rica em detalhes
Desde 1998, o empresário Roberto Alves viaja anualmente para a Índia. Do país das divindades, dos tecidos coloridos, dos temperos picantes e da delicadeza no olhar, ele sempre traz algum elemento para a casa - uma cabeça de Buda, uma estátua de Shiva e até mesmo (por que não?) uma porta de madeira de 418 anos e cerca de 700 kg. Ela, aliás, foi o ponto de partida da decoração de seu apartamento, de 228 m², para onde ele se mudou no bairro de Cerqueira César, em São Paulo. Depois de um bom tempo sentando em almofadas (ele se desfez de todos os móveis do endereço anterior), Roberto vive hoje numa morada que efetivamente reflete seu jeito de viver e de ser.

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Espaços de memórias afetivas
Para definir móveis e tecidos e expor os espelhos, estátuas e mais um tanto de objetos trazidos do Oriente, Roberto convidou a decoradora Maristela Gorayeb. Na área social, a ambientação foi feita em função da porta e das cortinas vinho, compradas em Paris. "A cor inspirou a escolha dos tecidos e a porta determinou a distribuição dos móveis. Repare que nenhuma peça atrapalha a visão do pórtico", diz Maristela. Daí em diante, o trabalho consistiu em distribuir os objetos pelos ambientes em função de como Roberto usa a casa. O resultado? Espaços de forte evocação hindu e que, de tão equilibrados, emanam serenidade e criatividade - qualidades que Roberto cultiva.

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[img11]"A casa deve ser o espaço de celebração da vida"
Roberto Alves
comanda uma grife de bijuterias, que usa materiais nobres, pedras preciosas e cristais para dar vida a peças que parecem inspiradas na Índia. Na verdade, porém, o país tem mais a ver com sua casa do que com suas criações.

1. Você busca referências da cultura indiana para suas bijuterias?
Não. As referências do meu trabalho estão dentro de mim. Eu não viajo à Índia em busca de inspiração. Viajo para respirar, me fortalecer, comprar coisas de que gosto.

2. Que tipo de coisa?
Vasos, copos, tecidos, incensos, móveis e objetos de decoração e imagens de deuses. Em todos os cantos do apartamento, há altares e outros símbolos religiosos.

3. Não é um exagero?
Muitos profissionais defendem que objetos do mesmo tipo ficam melhores reunidos.Sou espiritualista. Para mim, a divindade pode estar em qualquer lugar. Além disso, as peças são bonitas e o contato com o belo é uma reverência à criação divina.

4. E é em casa que você encontra espaço para isso?
A casa deve ter tudo o que nos faz vibrar, que nos faz bem. Por isso, esta decoração foi baseada na madeira, que é natural por excelência, na cor do vinho, que remete à vida, no dourado, que evoca nobreza. O apartamento ficou pronto há oito meses e não consigo sair daqui.

Reportagem Visual: ZIZI CARDERARI
Texto: ROBERTA DE LUCCA
Fotos: LUIS GOMES

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