
Com um cardápio variado e facilidades de financiamento, o mercado imobiliário está de portas abertas para você. Mas, antes de aceitar o convite, siga as dicas de quem já encontrou seu canto e de profissionais que entendem do assunto.
Espaço gourmet, varandas avantajadas... conheça os hits dos novos apartamentos.
Em algum momento da vida, você vai pensar em comprar um imóvel e, com ele, tentar concretizar seus sonhos de moradia - uma sala integrada à cozinha para encontros gastronômicos, um home theater de dar inveja a diretor de cinema ou até um banheiro com ofurô. Sem falar na localização, na distribuição dos ambientes e em outros fatores, alguns muito pessoais, que influem na decisão. Apartamentos novos e usados atraem públicos com objetivos diferentes. Nos imóveis antigos, o espaço generoso e as janelas amplas contam pontos a favor, porém a área de lazer é menos atraente, faltam vagas de garagem e dificilmente dá para escapar de uma reforma. Em empreendimentos recém-lançados, é possível pedir alterações na planta durante a construção e a área comum funciona como clube. "Os novos empreendimentos privilegiam o espaço social em detrimento da área útil do apartamento", observa José Eduardo Cazarin, da Axpe Imóveis Especiais. Para Antonio Ferreira, diretor de incorporação da construtora Gafisa, as mudanças estão relacionadas ao estilo de vida das pessoas. "Os imóveis novos são mais afinados com a dinâmica da vida nas grandes cidades."
É possível mudar a planta
Comprar um imóvel novo e mesmo assim investir numa reforma parece contraditório, mas quem não quer uma casa sob medida? A onda de personalizar o layout e os acabamentos está aí para confirmar essa necessidade. "O ideal é comprar o apartamento na planta e negociar as modificações com o construtor, em vez de quebrar depois de pronto", sugere o arquiteto Luiz Fernando Rocco, um dos autores do projeto do empreendimento customizado Maxhaus, em São Paulo, que tem imóveis de 70 m² e inúmeras soluções internas. A publicitária Doriete Viaro e seu marido compraram dois apartamentos da construtora Tarjab no mesmo andar, um para eles, outro para os filhos. "Pudemos criar layouts diferentes das opções oferecidas pela construtora porque compramos os imóveis na planta", conta Doriete. De acordo com Letícia Simonetti, gerente de incorporação da Camargo Correa Desenvolvimento Imobiliário, em prédios que permitem esse tipo de alteração as estruturas e instalações já são concebidas para facilitar as mudanças. Mas atenção: personalizar durante a construção, em geral, significa acréscimo no valor do imóvel.
[img1]
"Pedimos acabamentos fora do padrão da construtora. Ela executou, pagamos a diferença e agora temos uma casa do jeito que imaginamos: ideal para receber os amigos"
Doriete Viaro com o marido, Érico, na cozinha de seu apartamento
Passos para a compra
Poder adaptar a planta a suas necessidades é só um dos fatores para decidir a compra. Para não perder o foco em meio a um universo de ofertas, definir os critérios de escolha e priorizá-los é tarefa fundamental. O que é mais importante: o bairro ou a facilidade de financiamento? A área de lazer do empreendimento ou os materiais de acabamento da área útil? Responda a perguntas desse tipo antes de partir em busca da casa própria. Dessa maneira, você economiza energia e tempo. Quando optou por um apartamento zero-quilômetro, o empresário Alessandro Cosin achou o imóvel em um anúncio do jornal de domingo. Na mesma semana, visitou o local e o aprovou. "O financiamento direto com a construtora também acelerou o processo de decisão", explica Cosin. Mesmo assim, resolveu encarar uma pequena reforma para adequar a nova casa de três quartos à sua rotina, que inclui visitas quinzenais de suas duas filhas.
[img2]
"Abri um quarto para a sala, pois é onde passo boa parte do tempo. Assim, deu para instalar uma TV maior e aumentar o espaço em que fico com minhas filhas e reúno os amigos"
Alessandro Cosin, com suas filhas, Marília e Isabela
Mesmo quem não faz questão de tantas adaptações pode querer comprar o apartamento durante o lançamento por outros motivos. É o caso da farmacêutica Mariana Allegretti e do engenheiro Rodrigo Souza, que acabaram de fechar negócio em um edifício que começou a ser erguido em abril. "Como a entrega das chaves será em 2010, temos tempo para juntar mais dinheiro e financiar apenas uma pequena parte com o banco", afirma Mariana. Um dos riscos de investir em algo que ainda não existe é a obra não ser concluída. Como se proteger desse problema? "Chegamos a pesquisar sobre a construtora em sites como o do Procon e o da Comissão de Valores Mobiliários ", diz Mariana. Outra recomendação do diretor de incorporação da Gafisa, Antonio Ferreira: verifique se o registro do empreendimento está regularizado no site da prefeitura da cidade. E, para quem é adepto das modificações de planta e acabamentos, atenção às alterações que podem comprometer a garantia dada pelas
construtoras.
[img3]
"É imprescindível saber o histórico da empresa, se é confiável e cumpre prazos. Caso a entrega do prédio atrase demais, isso atrapalhará nossa programação"
Mariana Allegretti, com Rodrigo Souza. Eles pesquisaram na internet sobre a idoneidade da construtora.
Atenção às taxas de financiamento
Para quem não pode pagar o imóvel à vista, a aprovação de um financiamento bancário ou diretamente com a construtora está cada vez mais simples. Mas preste atenção nas condições do contrato. No financiamento com a construtora, as taxas de juros são normalmente de 12% ao ano, corrigidos pelo IGP-M, índice baseado na inflação do período. Os bancos também cobram esse valor, porém, em alguns casos, incluem taxas administrativas e seguro. A seguir, dois exemplos que mostram que, quanto maior o prazo de financiamento, maior o valor pago pelo imóvel: um financiamento de 15 anos (180 meses) tem uma prestação mensal de cerca de 1,6% do valor do empréstimo. Isso significa que no final você pagará 190% além do valor financiado. Em um financiamento de cinco anos (60 meses), a prestação será 2,5% do valor do empréstimo, No fim, você terá pago 50% além do valor.
A sedução das áreas de lazer
O trânsito e a falta de segurança nas grandes cidades estão entre as justificativas para o surgimento dos condomínios com áreas de lazer completas - os moradores poupam tempo de deslocamento e se expõem menos a riscos. O designer Gustavo Bacan foi atraído pelas opções de diversão de seu novo prédio, em São Paulo. "Tenho piscina semi-olímpica e sala de cinema pagando um condomínio relativamente baixo", diz. Para as construtoras, a quantidade de itens é mais um fator de sedução: em um empreendimento da Eztec, no interiorde São Paulo, há 50 equipamentos de lazer em um terreno de 13,4 mil m².
Você quer mesmo morar em um clube?
A manutenção da piscina, da academia de ginástica e do espaço gourmet inevitavelmente pesam no valor do condomínio. Por isso, antes de se decidir por um empreendimento com estrutura completa de lazer, reflita se você quer mesmo tantas opções. "Elas são um diferencial apenas para pessoas dispostas a conviver mais intensamente com os vizinhos e a desfrutar da área comum do prédio", acredita o arquiteto Luiz Fernando Rocco.