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A atmosfera nostálgica começa na entrada emoldurada em palmeiras-imperiais - um símbolo de status do período monárquico. É de propósito, pois elas foram replantadas ali para nos lembrar de uma época que estamos prestes a reviver: a segunda metade do século 19, momento de ascensão da aristocracia do café. "Da arquitetura ao paisagismo, a reforma buscou conservar ao máximo a linguagem do período", diz a proprietária.
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Móveis viajam pela decoração do século 19
Entre as peças escolhidas pelo antiquário, predominam as de estilo neoclássico, que entrava na moda na época. Um exemplo são os móveis do período dona Maria I (fim do século 18 e início do 19) e os de estilo béranger (século 19), desenvolvido em Pernambuco pelo francês Francisco Béranger. Já a madeira recorrente é o vinhático, muito usado na época. A palhinha - leve e, por isso, apropriada ao nosso clima - vira outro hit. Ela substitui o couro lavrado nos encostos e assentos das cadeiras.
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É curioso observar como a fazenda testemunha a evolução da casa brasileira no século 19. Iniciadas com a chegada da corte em 1808, essas transformações se firmam à medida que cresce a importância da elite cafeeira. E a decoração, assinada pelo pesquisador e antiquário Arnaldo Danemberg, assume total responsabilidade com o período. "Só usamos móveis relacionados ao ciclo do café", explica Danemberg.
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Este móvel ocupa a fronteira entre as salas de estar.
É o transcorrer desse mesmo tempo que surge retratado nas paredes pintadas por Lelli de Orleans e Bragança, descendente da família real. Não por acaso, foi no século 19 que a prática do trompe-l'oeil passou a enfeitar as casas ricas. Aqui, a técnica reproduz os ciclos econômicos do Brasil. "São painéis para celebrar nossa história, inspirados na obra de Rugendas", diz Lelli. A chegada dos portugueses também é narrada no longo corredor lateral cheio de baús, o primeiro móvel multiúso trazido pelos viajantes.
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Um espírito de reverência contagia quem caminha sobre o piso de peroba. Antigas, as tábuas tremem levemente sob nosso peso, fazendo vibrar as porcelanas francesas e os cristais nos armários. Há aí outra homenagem à época: no século 19, a casa é invadida por uma profusão de objetos decorativos como esses. É que o consumo aumentava em função da abertura dos portos. "São detalhes que enriquecem a ambientação e falam de um tempo", diz Danemberg.
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Área externa guarda feições originais
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