A tecnologia pauta projetos ousados e prevê instalações inteligentes. Progredi-
mos muito desde a época em que nossos ancestrais se abrigavam nas cavernas.
No entanto, ainda sofremos com os mesmos inimigos silenciosos – a umidade, ,
a água das chuvas e o vapor –que mancham nossas paredes, causam goteira
em nossas lajes, estragam a pintura e os azulejos... Às vezes, até parece que eles
são invencíveis. A boa notícia é que você pode, sim, evitar ou sanar os estragos
que os vilões causam. Basta usar a impermeabilização como arma.
Por isso, a revista Arquitetura & Construção e o Programa Brasileiro de Imper-
meabilização, o PBI, prepararam um roteiro. Com ele, você vai trilhar (a seco!) esse
caminho. Em suas mãos está o primeiro de uma série de seis fascículos que
mostram a importância de impermeabilizar uma obra, o melhor momento para
fazer isso, as formas e os materiais mais indicados para cada situação. A intenção
é lhe entregar um manual completo – consulte - o antes da próxima obra ou reforma.
E que, daqui algum tempo, paredes manchadas e lajes om goteira sejam coisas do passado, como as cavernas que um dia serviram de casas.
IMPERMEABILIZAR É...
. . . proteger uma estrutura ontra os efeitos da umidade. Isso se faz com produtos que impedem a passagem da água através das lajes e paredes – os chamados impermeabilizantes –e outros acessórios para arrematar a vedação, caso do selante aplicado ao
redor de janelas. E não se pode descuidar de nenhum
detalhe ao montar a sua armadilha ontra a umidade. “Se o piso de um banheiro estiver muito bem ins-
talado e impermeabilizado, mas houver falhas na
colocação do ralo, o orrerá infiltração ”, ensina Jefferson Gabriolli, oordenador do Programa Brasileiro de
Impermeabilização.
COMO FUNCIONA
Segundo a norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)que rege a seleção e projeto
da impermeabilização (NBR 9575/2003), há duas maneiras de barrar a entrada da água. Uma é com
os hamados sistemas rígidos – em que a massa usada como reboco recebe polímeros, cristalizantes ou hidrofugantes e, dessa forma, evita que a
água se infiltre nos poros do oncreto. A outra, dos sistemas flexíveis, compõe-se de mantas (as famosas
mantas negras de asfalto, que vêm prontas de fábrica) ou membranas moldadas na obra – ambas contam com asfalto em sua composição e formam uma camada sobre a superfície a ser protegida. Não se preocupe, leitor, você vai onhecer melhor a utilização de cada uma.
ESTÁ NA BÍBLIA
Procure no Gênesis, capítulo 6, versículo 14.
Lá se encontra a
primeira referência à
impermeabilização da
história. Durante as
instruções para a
construção da grande
arca de Noé, Deus teria
dito: “Faze para ti uma
arca de madeira resinosa:
farás compartimentos e a
revestirás de betume por
dentro e por fora ”. Essas ordens foram
providenciais para gerar
um barco seguro e salvar
as espécies no dilúvio.
TIRA-DÚVIDAS
Colocar uma lona
plástica entre a terra e o
concreto das sapatas
impede que a água do
solo suba pelas paredes?
Não.“Esse tipo de material
não cumpre a função de
vedar”, afirma o tecnólogo
Jefferson Gabriolli.
“Estruturas em contato
com o solo devem ser
impermeabilizadas com
argamassa aditivada,
cimento polimérico ou
membrana asfáltica”,
completa. Mas, antes
disso, chame um
especialista para realizar
a sondagem do terreno.