Arquitetura & Construção
 
 
 
 









 
Edição de fevereiro de 2008
Duas casas em uma
Esta casa em Mafra, a oeste de Lisboa, teve a fachada restaurada para seguir as tradições locais. Mas seu interior foi posto abaixo e adotou uma concepção minimalista que propiciou a divisão da área em duas pequenas moradias.


Veja a reportagem de um apartamento pequeno em Lisboa
• História da casa
• Casa 1
• Casa 2


História da casa

Obrigação não havia. Mas os novos proprietários fizeram questão de recuperar a imagem original desta construção de 1896, em Mafra, localidade a oeste de Lisboa e perto do mar. Abandonada havia 20 anos, estava em estado avançado de degradação. "Como ela fica um pouco afastada do núcleo histórico de proteção, situado à volta do famoso Convento Barroco, não havia a imposição de restaurá-la", conta a arquiteta portuguesa Anabela Leitão, que assina o projeto com o japonês Daiji Kondo. Para atender ao desejo dos donos, a fachada foi restaurada. Refizeram-se o reboco, a caiação e a pintura cobalto que realça as aberturas. Portas, janelas e telhas, desgastadas, tiveram de ser trocadas por modelos semelhantes aos antigos. Se as paredes da fachada são um testemunho do passado, o interior está completamente adaptado aos dias de hoje - tudo para atender os familiares do casal, que ali se instalam nas férias. Além do piso térreo, a moradia contava apenas com um sótão inóspito: "Nossa missão era ganhar mais área útil sem alterar a altura das paredes e d o telhado", explica Anabela. Para isso, a dupla de arquitetos demoliu tudo e armou dentro da construção uma estrutura de ferro à vista que não toca as paredes ao redor.

 

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Esse esqueleto sustenta agora um mezanino confortável e também a carga do telhado - evitando sobrecarregar a velha alvenaria de pedra. "O pé-direito do térreo ficou com 2,40 m, deixando o máximo de área habitável para o segundo piso." A planta de 186 m2 dividiu-se em duas casinhas (veja a ilustração) que podem ser usadas simultaneamente pelos convidados sem que ninguém perca a privacidade. Os quartos têm portas de correr, que ajudam a economizar espaço, e as poucas paredes divisórias são de gesso acartonado com isolamento acústico. O telhado, todo refeito, ficou protegido da chuva com o uso de uma subcobertura. Nele, destacamse duas clarabóias voltadas para o sul que melhoram a captação de luz e ar - os pequenos vãos existentes na fachada não eram suficientes para isso.

 

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A reforma durou um ano e custou cerca de 120 mil euros - valor médio em Portugal, segundo a arquiteta. Além do ganho de espaço, possibilitado pela intervenção da estrutura metálica, o projeto chama a atenção pelo resultado minimalista no interior, que contrasta com a fachada de traços locais. A filosofia da arquitetura japonesa está patente em cada espaço graças às idéias de seu co-autor, Daiji: "Ele nasceu e se formou no Japão e divide seu trabalho entre o país natal e Portugal", conta Anabela.

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Veja as soluções da dupla para modernizar a construção. E responda: seria esta uma casa portuguesa com certeza?

 

CASA 1

 

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CASA 2



 

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Reportagem:
Vera Barrero
Fotos:
Fernando Guerra (FG+SG – Fotografia de Arquitectura)