Arquitetura & Construção
 
 
 
 









 
Edição de dezembro de 2007
Conforto ao lado da família
Aos 81 anos, a ex-professora Lina Tatit vive dias felizes na casa erguida no mesmo terreno onde mora a filha. O desafio do projeto foi acomodar a construção de 115 m2 no sopé da área em aclive.
Depois que enviuvou, há oito anos, dona Lina não se sentia tranqüila na casa em que criou os cinco filhos. E a sensação só piorou quando a empregada que lhe fazia companhia saiu de licença. Passou a revezar as noites nas moradas dos parentes.

 

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Até que o genro, o arquiteto Antonio Carlos Barossi (Tata), lhe presenteou com um projeto que resolveria a situação: tratava-se de uma construção a ser implantada no sopé do lote íngreme de 400 m2 onde a filha Ana mora. Dona Lina titubeou, mas finalmente foi conquistada pela idéia de erguer ali seu recanto - desde que mudassem vários pontos do projeto apresentado: "De cara, ela exigiu uma sala maior. Queria espaço para os móveis de jantar que comprou ao se casar, há mais de 50 anos", conta o arquiteto Tata. Além disso, a moradora pediu um quarto e um banheiro extras, para eventuais hóspedes. Até quarto de empregada entrou no programa. "O Tata é um ótimo arquiteto, deu um jeito de aceitar todos os meus pedidos", diz a sogra, com orgulho.

 

 

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Concretizar todos os sonhos de dona Lina não foi tarefa fácil. A casa, devido às características do lote, fica praticamente enterrada. "Tivemos que cortá-lo e escavar. Retiramos 40 caminhões de terra", diz Tata. Antes de mexer no terreno, o arquiteto moldou várias estacas strauss à distância de 50 cm. Com a remoção da terra, transformaramse em muro de arrimo, já que o espaço entre elas foi preenchido com concreto armado. Prontos, os muros envolvem toda a construção, com exceção da fachada frontal. As paredes ficam separadas 15 cm deles por um colchão de ar (no 7 na planta). "Dessa maneira, há um isolamento contra a umidade. Assim mesmo, impermeabilizamos os muros nos dois lados", explica. Para ter outras possibilidades de aberturas, Tata criou um jardim descoberto no meio da construção, fechado por portas de correr de vidro. "Esse recurso traz luz e permite a ventilação cruzada, um dos princípios básicos da arquitetura, mas de difícil equação neste projeto."

 

 

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PROJETO ARQUITETÔNICO: Antônio Carlos Barossi
COLABORADORES: Milton Sumusu Nakamura e Juliana Fiorini
MESTRE-DE-OBRAS: Lelivaldo Jesus Alves


Reportagem:
Deborah Apsan e Lucila Vigneron Villaça
Fotos:
Gal Oppido/Ilustrações: Fabio Flaks