Arquitetura & Construção
 
 
 
 









 
Edição de março de 2007
Casa digital é tecnologia com bom senso
Saiba como planejar a melhor infra-estrutura para o seu lar.



Para conferir o endereço das empresas citadas na matéria clique aqui

Esta é a sala de estar da Casa do Futuro, construída na sede da americana Microsoft, em Redmond. Nela, a TV acessa fotos, música, vídeos e games armazenados no computador - que fica no escritório, com o programa Windows Vista.



Uma das grandes aspirações do brasileiro de classe média hoje em dia é incorporar mais conforto, capacidade de comunicação e segurança à sua casa, com o uso da mais moderna tecnologia digital. Muitos acham, no entanto, que tudo nessa área é complicado e caro. Surpreendem-se, portanto, ao saber que esse sonho é plenamente realizável, pois a tecnologia está agora ao alcance do orçamento dessas famílias no Brasil.

Antes de discutir as tendências de evolução das residências, porém, vale a pena relembrar o conceito de casa digital. No passado, falava- se em casa do futuro. Era algo distante, como um horizonte que nunca chega. Até hoje, ela tem diferentes nomes: casa inteligente, eletrônica, automatizada ou digital. Fiquemos com o último - casa digital -, que nos dá idéia mais exata da residência que utiliza tecnologias digitais, como computador, redes de banda larga sem fio, internet de alta velocidade, centros de controle de mídia (media centers), home theaters, comunicação interna e externa, sistemas de automação e controle de energia, do ar-condicionado e de segurança e identificação de pessoas.

É essencial, também, relembrar as mudanças ocorridas nos últimos 20 anos. No passado, quase tudo era analógico. Os componentes e equipamentos eletroeletrônicos eram, em geral, volumosos, devoradores de energia e de funcionamento menos confiável. Hoje, ao contrário, vivemos um processo acelerado de digitalização, nos CDs, no DVD, no celular, no computador, na internet, nas redes com fio e sem fio, na TV por assinatura e, em menos de um ano, na TV aberta e no rádio.

Com essa evolução, os componentes eletrônicos se tornam cada vez menores, mais complexos, mais duráveis, de maior qualidade, de baixo consumo de energia e, acredite, mais baratos. No jargão da eletrônica, três palavras inglesas - smaller, faster e cheaper - sintetizam bem as grandes tendências dos componentes e produtos eletrônicos: eles, realmente, se tornam cada vez menores, mais rápidos e mais baratos.

Revolução digital. A maioria das pessoas, talvez, ainda não perceba o alcance dessa revolução. Uma de suas características é utilizar, em todas as formas de comunicação e informação, a mesma unidade básica de informação, o bit (abreviatura internacional de binary digit, isto é, dígito binário). Curiosamente, essa unidade binária de informação é formada de zeros e uns. Quando o telefone celular transmite nossa voz, o que cruza o espaço até torres e antenas espalhadas à nossa volta são bits. Sim, nossa voz é transformada em zeros e uns. Um som, convertido em bits, pode ser algo assim: 101011010010101101110 (...), totalmente sem sentido para nós. Quando decodificados pelo celular, no entanto, os milhares de bits passam a ser novamente os sons e as palavras totalmente familiares de nosso mundo da comunicação. Uma longa conversa, um e-mail, um concerto ou um filme são combinações infindáveis de bits ou verdadeiros turbilhões de zeros e uns, que viajam embutidos nas ondas e sinais elétricos. Tudo em comunicação eletrônica - sejam sons, música, vozes, ruídos, textos, gráficos, dados da internet, vídeo, sejam imagens fixas ou em movimento - passa por esse processo de codificação e decodificação digital.

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Convergência. Além da revolução digital, o mundo de hoje vive a revolução da convergência de tecnologias e serviços. Como tudo virou bits, os mais diversos serviços podem convergir, quer dizer, compartilhar dos mesmos aparelhos e sistemas. Ou dos mesmos dispositivos e redes.

O melhor exemplo de dispositivo convergente é o telefone celular, que, em muitos casos, dispõe de câmera fotográfica digital, acessa a internet, baixa música MP3, recebe e transmite e-mails, armazena endereços e números. Os mais sofisticados dispõem de sistemas de localização via satélite, ou GPS (global positioning satellite), recepção de televisão analógica ou digital e reconhecimento da voz do dono.

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Redes e mundo IP. Entre as redes, o grande exemplo é a internet. Além da digitalização e da convergência, a internet proporcionou às comunicações um terceiro salto: o do protocolo IP, ou seja, o protocolo de comunicação da internet (IP quer dizer internet protocol). Sem querer chatear o leitor, é preciso dizer que esse é um modo de agrupar bits em pequenos pacotes. Sim, os bits podem ser empacotados e levar pedaços maiores da informação.

Com o protocolo IP, o mundo está fazendo uma nova revolução. Veja o resultado prático dessa nova linguagem da comunicação eletrônica. No computador em que escrevo, faço coisas que seriam consideradas mágicas há dez anos. Para milhões de pessoas no mundo, é algo tão natural quanto ligar a TV. Mas com um alcance muito maior.

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Dois mundos. No monitor deste PC moderno, tenho acesso a dois mundos: o externo e o interno. Posso não apenas acessar jornais, revistas, emissoras de rádio e TV como ver tudo que se passa em casa, no quarto das crianças. O mesmo computador se tornou um centro de controle de quase tudo em minha casa. Na linguagem dos especialistas, o PC se transforma em um home media center - quer dizer, um centro doméstico de controle de mídias. Eis aí uma das grandes tendências modernas, a integração de todos os equipamentos e dispositivos, formando sistemas coerentes, controlados pelo software ou pela inteligência digital de um home media center.

Um produto que se torna cada dia mais barato é uma central telefônica doméstica - antigamente chamada de PABX ou micro-PABX residencial. Graças à digitalização e ao protocolo IP, passamos a ter comunicação telefônica em cada parte da casa por preços sempre menores. Empresas como a Philips fizeram alianças com firmas pioneiras como a Skype, que popularizou no mundo a comunicação de voz sobre protocolo IP, ou VoIP, na abreviatura internacional. Com VoIP, os custos da telefonia de longa distância caem de forma radical.

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Na casa digital, a grande tendência é integrar o máximo de serviços e funções com o protocolo IP via home media center. O que esse centro de mídia exige é um monitor, que pode ser pequeno ou uma grande tela de plasma, em cada cômodo. A tela desses monitores é sensível ao toque de nossos dedos. Nela vemos tudo que se passa na residência. E mais: comandamos tudo a distância. Se estamos na cozinha e vemos no monitor uma porta aberta no quarto das crianças, podemos fechá-la apenas tocando o comando correto no teclado virtual na tela.

O que a eletrônica moderna nos proporciona são recursos cada dia mais avançados por valores sempre mais acessíveis. De 2004 a 2007, o preço dos televisores e monitores de plasma de 42 polegadas caiu mais de 60%. Daqui a um ano, esses equipamentos custarão 30% menos que hoje. Com essa queda, cresce a viabilidade de projetos de comunicação doméstica e, em especial, dos media centers e dos home theaters.

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Tudo interligado. Sem fio. Pense na interligação de todos os seus equipamentos. No passado, tínhamos que instalar fios por todo lado. A rigor, ainda temos muitos fios e não poderemos nos livrar deles no caso das redes elétricas. Mas, na comunicação entre equipamentos, as coisas evoluem de modo muito mais promissor.

A grande notícia é a viabilidade das redes sem fio. Tudo - ou quase tudo - numa moradia moderna pode comunicar-se sem fio. Com pequenas caixas, os roteadores, são criadas redes sem fio cujos sinais de rádio estão preparados para a linguagem eletrônica dos bits e do protocolo IP. Uma dessas redes é conhecida com o nome de Wi-Fi, sigla de Wireless Fidelity. Com uma rede Wi-Fi, podemos interligar computadores, celulares, televisores, telefones sem fio e sistemas de segurança. Meu notebook se comunica, sem fio, com o roteador dentro de casa ou do apartamento para acesso à internet de banda larga. Posso levá-lo à sala, ao quarto ou até a cozinha e continuar plugado na web.

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E as redes de cabos e fios? Estão mortas? Absolutamente, não. Esse progresso das redes sem fio não nos dispensa da obrigação de planejar e de construir a melhor infra-estrutura de cabos em nossa nova casa. A começar pela rede elétrica, com a utilização dos melhores e mais seguros tipos de fios e cabos, a maior abundância possível de tomadas e a preparação dessa fiação para projetos futuros, pois, dentro de três a quatro anos, teremos no Brasil a oferta de serviços de comunicação e internet via rede elétrica, com a tecnologia Power Line Communication (PLC). Quem t iver a melhor rede de cabos elétricos em casa terá não apenas essa alternativa mas também a melhor comunicação de banda larga e uma segunda forma de telefonia.

A rede de cabos é sempre uma boa redundância ou backup das redes sem fio. E, lembre-se, com cabos embutidos, de boa qualidade, toda comunicação interna se torna menos vulnerável a interferências. A rigor, até hoje, os cabos proporcionam melhor som e imagem.

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Veja que, rapidamente, estamos dispondo de um arsenal de tecnologias que nos permitem transformar nossa residência convencional e analógica na casa digital do século 21. Armados de computadores, redes sem fio, telões e sistemas telefônicos domésticos, vamos pensar em duas áreas essenciais: a de segurança e a do entretenimento.

Para falar de modo sucinto em segurança, vale a pena relembrar um dos conceitos mais difundidos sobre a casa digital, aquele que a compara a um casulo - onde a crisálida passa longo tempo, isolada do mundo, até se transformar em borboleta. No jargão dos especialistas, vivemos esse efeito casulo (ou, em inglês, cocoon effect).

A casa digital deve prever, portanto, os riscos e as agressões potenciais do mundo externo. Temos que nos proteger contra o barulho, a poluição, os furtos e a violência das grandes cidades - perigos que estão longe de ser vencidos ou reduzidos. A eletrônica digital traz boas respostas em matéria de segurança, com sensores e minúsculas câmeras de TV espalhadas por pontos estratégicos. Nesse aspecto, o melhor é chamar profissionais e empresas especializados para implantar o que há de mais moderno e confiável. Também nessa área os preços estão caindo, embora com velocidade menor do que no caso dos monitores de plasma.

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Agora o lazer, porque ninguém é de ferro. Comecemos pelas crianças. Elas adoram videogames - e está chegando aí o Playstation 3. Se você não tem acompanhado essa área, vai ficar surpreso com o progresso ocorrido nos últimos cinco anos. A beleza das imagens e o realismo dos movimentos combinam-se agora com o som surround, em cinco canais (5.1). O grande problema é dividir os espaços de entretenimento. Instale os sistemas de videogame e televisão para as crianças no quarto delas, para poder curtir seu home theater na sala, com o máximo de tranqüilidade e sem conflito.

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Prepare-se para dois acontecimentos próximos nesse segmento. São eles: a chegada dos DVDs de alta definição e o começo das transmissões de TV digital no Brasil, no final de 2007 e começo de 2008. São duas boas razões para você pensar em uma renovação total de seu home theater. Mas faça tudo sem improvisação e de forma bem planejada.

Entre as dicas e os conselhos práticos nessa área, sugiro que você pense no novo monitor de 42 ou, de preferência, de 50 polegadas. Mas certifique-se de que eles estão preparados para a alta definição, isto é, para a melhor imagem, com o maior número de pixels, que a TV digital e os DVDs (Blu-ray ou HD-DVD) podem lhe proporcionar.

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A casa digital evolui com rapidez. Daqui a um ano, terá soluções mais sofisticadas e acessíveis. É conveniente, portanto, tratá-la como um espaço em permanente evolução. E, desse modo, incorporar, progressivamente, de modo racional, tudo que a tecnologia digital pode oferecer.

Vale a pena investir nesse eterno upgrading de nossa casa. Mas não compre tudo - sejam pequenas bugigangas eletrônicas, sejam imensos televisores - no primeiro impulso, sem planejar, sem discutir a integração de cada novo dispositivo no conjunto ou sistemas já existentes.

Se você tem pouca familiaridade com a tecnologia, chame um profissional da área para orientá-lo, em especial, na hora da instalação. Mesmo entendendo razoavelmente bem os fundamentos do mundo digital, eu não tenho paciência nem habilidade para instalar meu novo home theater.

Nossa casa é - e será por muitas décadas - o local onde passaremos a maior parte de nossa vida. Afinal, mesmo as pessoas mais otimistas não apostam na transformação do mundo em um paraíso.

O futuro no mundo digital
TV digital. O dia prometido para sua estréia é 3 de dezembro de 2007. A ISDTV (sigla para International System for Digital TV) funcionará por um ano só na cidade de São Paulo, num canal de testes ainda não divulgado. Ela terá uma primorosa qualidade de imagem e som e possibilidades de interatividade, como votar em enquetes e acessar e-mails. Wimax. Sigla para Worldwide Interoperability for Microwave Access (interoperabilidade mundial para acesso por microondas). Esse é o nome da tecnologia sem fio que deverá chegar às cidades e regiões descampadas do país em meados de 2008 (quando já deverá ter sido leiloada pelo governo federal a freqüência do sinal). Com ela, a navegação na internet ficará mais segura e não cairá a todo momento. Importante: Wimax não é convergente com Wi-Fi. No dia-a-dia, o morador poderá usá-los alternadamente.


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por Ethevaldo Siqueira
Reportagem (quadros):
Juliana Tourrucôo Alves
Fotos:
divulgação
Ilustrações:
Greg