Arquitetura & Construção
 
 
 
 









 
Edição de novembro de 2005
Cobertas de novidades
(foto maior) Cerâmica: Quasar Textura (10 x 10 cm), da Ceusa. Custa R$ 33,60 o m2. Pedra: seixos rolados de dolomita. R$ 15 (para cobrir 3 m2 de parede), na Pedras Morumbi. Metal: chapa de cobre de 0,5 mm, da Eluma. De R$ 250 a R$ 350 por m2 colocado, na N. Didini. Vidro: impresso e espelhado de 6 mm de espessura, da Saint Gobain. R$ 80 por m2. Madeira: painel feito com antigos postes de iluminação. R$ 230 o m2, na Empório dos Dormentes.



(foto maior) Cerâmica: Quasar Textura (10 x 10 cm), da Ceusa. Custa R$ 33,60 o m2.
Pedra: seixos rolados de dolomita. R$ 15 (para cobrir 3 m2 de parede), na Pedras Morumbi. Metal: chapa de cobre de 0,5 mm, da Eluma. De R$ 250 a R$ 350 por m2 colocado, na N. Didini.Vidro: impresso e espelhado de 6 mm de espessura, da Saint-Gobain. R$ 80 por m2. Madeira: painel feito com antigos postes de iluminação. R$ 230 o m2, na Empório dos Dormentes.

Elemento arquitetônico fundamental para definir os espaços, as paredes finalmente estão ganhando o devido crédito. Além do bom e velho banho de tinta ou das já tradicionais texturas, o mercado oferece alternativas para embelezar e personalizar essas superfícies. Arquitetos e decoradores esbanjam criatividade ao usar revestimentos conhecidos de maneiras novas - como assentar uma pedra comum de jeito diferente. Outra tendência é aproveitar as alternativas indicadas para fora de casa e aplicá-las no interior (o inverso nem sempre é possível). Enfim, as idéias são muitas: dar um toque natural às paredes, texturizá-las, deixá-las com ar clássico. A recomendação, sempre, é comparar os produtos, observando preços e adequação ao projeto da casa. Lembre-se da facilidade de aplicação e manutenção: 'Muitas  pessoas se deixam seduzir e escolhem acabamentos pouco práticos', diz o arquiteto Ricardo Miúra, de São Paulo. A seguir, veja as particularidades dos materiais mais procurados - e de outros que prometem emplacar.

Cerâmica: muito além do piso
Os revestimentos cerâmicos produzidos hoje pensam grande. 'Os espaços cada vez menores exigem formatos que possibilitem maior continuidade visual', diz o arquiteto paulista Ricardo Miúra, explicando as razões por trás da tendência dos tamanhos maiores e rejuntes finos. Para compor grandes superfícies, há placas de até 0,30 x 1,20 m. 'Os porcelanatos são a ponta de lança dessa tendência', explica a arquiteta paulista Brunete Fraccarolli. 'Podem ser produzidos em grandes dimensões e propiciam variedade de efeitos. Por isso, saíram dos pisos e conquistaram as paredes.' Uma decorrência desses novos tamanhos é o peso maior, que exige cuidado na instalação. 'A parede deve estar bem regularizada para garantir o assentamento correto', diz Josias Marcelino, do Laboratório de Revestimentos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), que aconselha a preencher totalmente o verso das placas com argamassa. A redução de rejuntes a até 1,5 mm também é um recurso atual. As bordas retas (refiladas na fabricação) deixam as peças ainda mais próximas. Outra tendência apontada pelos especialistas são os acabamentos acetinados, menos brilhantes. 'Eles refletem pouco a luz e criam sensação de conforto', explica Ruth Fingergut, designer e consultora de revestimentos cerâmicos de Santa Catarina.

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O que vai para as paredes

Nas internas, a cerâmica está livre das agressões impostas aos materiais assentados no piso - e por isso pode-se usar peças delicadas, aquelas com baixíssima resistência à abrasão (PEI) e alta absorção de água (até 20%). Nas paredes externas, porém, use peças com absorção de água de no máximo 10%. Se a construção estiver numa região
muito fria, prefira as cerâmicas com absorção de água inferior a 3%.

De olho na qualidade
A certificação de cerâmicas e porcelanatos não é obrigatória por lei. Mas o Centro Cerâmico do Brasil (CCB) certifica revestimentos adequados às normas técnicas em diversas categorias. O logotipo do grupo e o do Inmetro vêm estampados
na caixa. Na ausência do selo, examine as peças e observe se falta esmalte próximo às bordas ou se existem pequenos furos no esmalte no centro da placa.

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Pedras: visual único
Disponível em versões naturais e artificiais (recompostas com resina), elas podem ser amplamente usadas na casa. 'Nas paredes não precisam ter a mesma resistência a abrasão e impacto que no piso, o que aumenta as opções', diz a geóloga Maria Heloísa Frascá, do Laboratório de Petrologia e Tecnologia de Rochas do IPT. Extraídas de maciços, podem ser deixadas brutas - valorizando as texturas e irregularidades - ou receber polimento e tratamento com fogo, abrasivos ou jatos de areia - que as tornam uniformes. Na hora de escolher, informe-se sobre as peculiaridades de cada uma. 'Quartzitos como a pedra mineira e a goiás mancham com o tempo', diz Maria Heloísa. As artificiais (pedaços de rochas prensados com resina aglomerante) se apresentam em chapas maiores que as naturais.

Tendência forte
Pedras tradicionais, assentadas com cortes diferentes: eis
a dica da arquiteta Alice Martins para inovar. 'O assentamento canjiquinha (em filetes), usado com pedra mineira, fica lindo com mármore ou goiás.' Miracema, arenito e pedra-madeira também renascem com cortes diferentes, irregulares.

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Metais: fáceis de limpar
Comuns em construções comerciais, eles ainda são raros dentro de casa. 'O preço elevado e o visual hi-tech afastam as pessoas', considera Sérgio Freitas, gerente de desenvolvimento da Day Brasil, em São Paulo. Mas novos produtos e versões prometem ganhar espaço, em especial o alumínio e o aço inox, que já conquistaram as cozinhas - graças à facilidade de limpeza. Uma novidade são as chapas metálicas perfuradas, que reduzem a frieza do material. As empresas também investem em espessuras menores, adequadas a interiores, para reduzir os preços. Assim, voce encontra os sanduíches de alumínio fino (no mínimo 0,2 mm de espessura) com núcleo de polietileno - chamam-se ACM.

Instalação e manutenção
O assentamento varia de acordo com o metal - e deve ser feito por técnicos
indicados pelo fabricante. As chapas de aço inox podem ser coladas na parede,
encaixadas em compensado ou parafusadas na alvenaria. O alumínio é encaixado
em perfis fixados na parede ou colado. Na limpeza, sabão neutro e água.

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Vidros: variedade de efeitos
Praticidade na manutenção e colocação rápida e sem sujeira. Não bastasse isso, o vidro em chapas oferece ainda um visual contemporâneo. 'Ele permite grandes superfícies com rejuntes quase invisíveis e pode ser recortado facilmente', diz a decoradora paulista Regina Kalil. Não existe norma técnica para o uso desse material como revestimento. Mas os laminados, temperados, serigrafados e as massas de vidro colorido (como o Chodopak, da empresa belga Glaverbel) têm a resistência adequada para recobrir paredes. Cada aplicação pede um tipo apropriado, em razão da segurança (quanto maior a chapa, maior deve ser sua espessura) e dos efeitos desejados (espelhado, colorido, serigrafado, texturizado). Na hora de comprar, fique com fornecedores conhecidos e procure mão-de-obra especia-lizada. Outro cuidado diz respeito à iluminação. 'Reflexos são incômodos', alerta a arquiteta Brunete Fraccaroli.

Também em pastilhas
Em tamanhos que vão de 1 x 1 cm a 10 x 10 cm, elas apresentam muitas cores e possibilitam compor desenhos elaborados. O resultado pode ser rústico (caso dos mosaicos de bordas irregulares) ou contemporâneo (usando os transparentes), segundo
o arquiteto paulista Olegário de Sá. A instalação, feita por profissional especializado, exige argamassa colante especial.

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Madeira: preferência natural
Tradicional como acabamento, ela permite efeitos múltiplos graças às diferentes espécies e possibilidades de corte. 'Em painéis, ripas ou lambris, sempre traz aconchego ao espaço', avalia a arquiteta baiana Márcia Meccia. A tendência é deixá-la sem pintura, valorizando o aspecto orgânico. A arquiteta Alice Martins, de São Paulo, sugere painéis numa só parede do ambiente. 'Eles ficam bonitos se forem feitos de madeira de demolição, em geral os tipos raros', acrescenta. A colocação depende do visual desejado, mas resume-se a peças pregadas ou parafusadas (na vertical ou na horizontal) em sarrafos fixados na alvenaria. E atenção: contrariando o velho mito, a madeira pode ser usada em banheiros e cozinhas, desde que protegida por verniz especial (ou stain).

Do lado de fora...
...a madeira pede cuidados para resistir a raios solares, chuvas, insetos e fungos. 'O primeiro passo é escolher uma espécie com boa resistência natural, como ipê ou itaúba, ou tratada quimicamente em autoclave, caso do eucalipto ou do pínus', diz Geraldo Zenid, pesquisador do Laboratório de Madeiras do IPT. No primeiro caso, recomenda-se que as peças recebam impregnante do tipo stain. 'Esse produto penetra nas fibras da madeira e não trinca com a dilatação térmica, como o verniz', explica Rafael Ferreira, técnico da Montana Química. Outro cuidado é evitar o contato da madeira com o solo e com água acumulada, ou o material apodrece. Peças de demolição também vão bem em paredes externas. Tratada corretamente, a madeira pode durar mais de 20 anos.

De olho na ecologia
O mercado já oferece espécies certificadas de madeira. 'As pessoas procuram pelo selo', diz Carla Ahorodonian, da Ecoleo, loja paulista que vende painéis de eucalipto e teca com a chancela do Conselho de Manejo Florestal (FSC) - atestado que assegura a matéria-prima ter sido obtida sem danificar florestas. Produtos com esse selo verde podem custar até 40% mais.
 
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Reportagem:
Edson G. Medeiros, Joana L. Baracuhy e Rodolfo S. Filho
Fotos:
Marcos Lima