Arquitetura & Construção
 
 
 
 









 
Edição de maio de 2005
Fuja do frio... esquente a casa
Três sistemas prometem um inverno confortável.



Quando baixa a temperatura, nada melhor do que o aconchego de uma casa quentinha. São muitas as opções para aquecer os ambientes. Elas vão de um aparelho de ar condicionado com ciclo reverso (frio e quente) até a instalação de um sofisticado sistema de piso radiante, que permite andar com os pés descalços no chão aquecido. O piso radiante e o radiador de parede são sistemas mais caros, que devem ser previstos em projeto ou exigem obra para serem instalados. "Valem mais a pena para áreas maiores de 50 m2", afirma Cleverson Aislan Callera, da empresa Astra. Eles são usados principalmente nas regiões serranas de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, além de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde as temperaturas são mais baixas e o inverno é mais rigoroso. Conheça as diferentes formas de espantar o frio e saiba quais são as vantagens e as desvantagens de cada uma delas.

Piso radiante
Bastante comum nos países da Europa, é o sistema mais moderno de aquecimento e aquele que proporciona o melhor resultado em termos de climatização. Distribui bem o calor pelo ambiente, tanto no nível dos pés quanto no nível da cabeça. Mas o preço é alto e dá mais trabalho para ser feito. Existem dois sistemas no mercado: o piso radiante hidráulico e o elétrico.

Modelo Hidráulico
Como funciona: um sistema de tubos é embutido no piso da casa, entre o contrapiso e o revestimento. A água, aquecida numa caldeira a gás (que fica na lavanderia ou na garagem) ou por sistemas de aquecedores solares ou elétricos, circula pelos tubos, que aquecem o piso. O calor se espalha pelo ambiente, num movimento de baixo para cima. A regulagem da temperatura é feita por um termostato em cada cômodo.
Instalação: deve ser feita por uma empresa especializada. Na casa pronta requer a retirada do revestimento do piso.

Cuidados: antes de contratar o trabalho, faça um estudo detalhado para sua casa. Se ela estiver pronta, é necessário chamar um técnico do fabricante para averiguar a viabilidade. Para uma área pequena, menor do que 50 m2, talvez não valha a pena por causa do alto custo. Só o investimento numa fonte geradora de calor (como a caldeira a gás) é de cerca de R$ 5 mil. Se for para uma construção, chame um técnico da empresa para fazer o projeto em conjunto com o arquiteto ou o engenheiro. Lembre-se que, em geral, perdem-se 8 cm do pé-direito do ambiente com a instalação desse sistema.

Manutenção: a cada três anos, troca da água, que funciona num circuito fechado. Em contato com o metal, ela fica suja.

Vantagens: além de distribuir o calor de forma homogênea, fica invisível no local, já que está embutido no piso. Não produz ruído.

Quando não vale a pena: sistema caro para ser instalado em áreas de até 50 m2. A colocação é trabalhosa em moradias prontas.

Preço: na Astra, cada m2 é vendido por R$ 100 (base para uma área de 100 m2). Quanto maior a área, mais cai o custo. Esse valor inclui tubos PEX (polietileno reticulado), distribuidores, reguladores de temperatura e termostatos dos ambientes. Já a fonte geradora de calor, o isolamento e a mão-de-obra da alvenaria são pagos à parte e adquiridos pelo cliente. Uma caldeira mural a gás da Bosch sai em torno de R$ 5 100.

Onde encontrar
Astra tel. (11) 4583-7777, Jundiaí, SP, www.astra-sa.com.br
Calorarte tel. (11) 3849-1893, São Paulo, www.calorarte.com.br
Caldeiras
Bosch tel. (11) 5547-5522, São Paulo
Orbis tel. 0800-411045

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Modelo Elétrico
Como funciona: os cabos elétricos são embutidos no piso em forma de serpentina e se aquecem por meio de uma resistência elétrica. A regulagem é feita por termostatos. Em alguns casos, também pode ser colocado em paredes ou no teto.

Instalação: feita por uma empresa especializada, que trabalhará em conjunto com o arquiteto ou engenheiro responsável pela construção. Em casos de residência pronta, é necessário retirar o piso, observando o projeto arquitetônico.

Cuidados: deixar junta de dilatação de cerca de 1 cm, ou seja, uma fenda próxima às paredes, para que o piso tenha espaço para se dilatar com o calor. "Essa fenda se acomoda abaixo do revestimento do piso e por isso não fica aparente nem junta pó. Ela permanece encoberta pelo rodapé", afirma João Balseiro, engenheiro da Climaquent.

Manutenção: troca dos termostatos a cada dois anos.

Vantagens: as mesmas do piso hidráulico, com a diferença que não requer colocação de fonte externa geradora de calor, como a caldeira. Pode ser instalado em áreas reduzidas.

Quando não vale a pena: necessita de obra para colocação no caso de uma casa já construída. Aumenta o consumo de energia. Considerando uma área de 100 m2, o consumo mensal significaria cerca de R$ 200 a mais na conta de luz (ligado seis horas por dia).

Preço: na Climaquent, R$ 160 por m2, incluindo cabos e colocação, mais R$ 350 por termostato. O recomendável é que haja um termostato por cômodo, mas pode-se usar um para dois cômodos. Esse preço não inclui o isolamento do piso e a mão-de-obra de alvenaria.

Onde encontrar
Climaquent tel. (11) 5539-1344, São Paulo, www.climaquent.com.br
Ecoclima tel. (11) 3832-4278, São Paulo, www.ecoclima.com.br

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Radiador de parede
Como funciona: no ambiente a ser climatizado, é instalado um radiador na parede, dentro do qual circula água quente. Essa água é aquecida numa caldeira a gás (colocada na cozinha, na lavanderia ou na garagem) e chega até os radiadores de cada cômodo por meio de canos embutidos. O radiador esquenta o ar próximo e aos poucos aquece o ambiente. A regulagem da temperatura também é feita por termostatos.

Instalação: requer técnico especializado.

Cuidados: é necessário ter um projeto antes de instalar. Isso fica a cargo de um técnico da empresa, que irá trabalhar em conjunto com o arquiteto ou o engenheiro responsável pela construção. Se for uma casa já pronta, o técnico deverá analisar o projeto arquitetônico antes de iniciar o trabalho.

Manutenção: deve-se limpar os queimadores da caldeira uma vez a cada um ou dois anos, dependendo do modelo e da freqüência de uso do sistema. A cada dois anos, troca-se a água, que funciona num circuito fechado e tem que ser renovada.

Vantagens: o sistema tem um aquecimento mais rápido que o piso radiante porque troca calor diretamente com o ar. No piso radiante, os tubos têm que esquentar o piso antes de esquentar o ambiente.

Quando não vale a pena: por causa do preço, é inviável para projetos pequenos. A colocação requer obra.

Preço: um sistema (incluindo caldeira, termostatos, radiadores e serviço de instalação) para uma área de 150 m2 custa em torno de R$ 20 mil (média fornecida pela empresa Agás). Todos esses componentes são oferecidos pelo fabricante. O acabamento da parede fica por conta do cliente.

Onde encontrar
Acquaterm tel. (41) 257-8740, Curitiba www.acquaterm.com.br
Agás Aquecimento e Climatização tel. (12) 3913-1331, São José dos Campos, SP, www.agas.info
Projetar tel. (54) 212-1000, Caixas do Sul, RS, www.projetarrr.com.br

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Aparelho de ar condicionado
A maioria dos aparelhos de ar condicionado vendidos no Brasil tem apenas a função de refrigerar. O que muita gente não sabe é que existem modelos com ciclo reverso, que pode ser invertido. "Custam cerca de 10% mais que os outros, mas, além de esfriar, também aquecem o ambiente", afirma Toshio Murakami, diretor do departamento de ar condicionado residencial da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava) e diretor-superintendente da Carrier no Brasil.
Como funciona: ele atua como um trocador de calor. Na função quente, joga calor para o ar do ambiente e bombeia o ar frio para fora. Na função frio, faz o inverso. Os modelos mais utilizados e mais baratos são os de janela (nas fotos, os dois de cima). Mas há também o split (pode ficar embutido até no forro). Existem equipamentos com diferentes capacidades térmicas. Um de 7 500 BTUs (British Thermal Unit) aquece uma área de 10 a 12 m2.

Instalação: feita por técnicos especializados. Corta-se a parede para colocar o aparelho.

Cuidados: siga sempre as instruções do manual. Deixe o espaço recomendado nas laterais e evite móveis e cortinas que obstruam a passagem do ar. "Prefira equipamentos que tenham o selo Procel A de eficiência energética. Eles consomem menos energia para proporcionar o mesmo conforto que os aparelhos comuns", afirma o professor Racine Prado, do Laboratório de Sistemas Prediais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). As categorias do selo Procel vão de A (mais eficiente) a G.

Manutenção: limpeza do filtro a cada três meses e anual feita pela empresa autorizada.

Vantagem: o aparelho pode ser usado tanto no inverno como no verão.

Quando não vale a pena: a maioria fica aparente e é necessário obra para a instalação. Apesar de os fabricantes terem diminuído o nível de ruído, os equipamentos continuam fazendo barulho. "Eles movimentam muita massa de ar. Por esse motivo, é impossível eliminar completamente o ruído", afirma Toshio Murakami.

Onde encontrar
Consul tel. 0800-900999, www.consul.com.br
Electrolux tel. 0800-788778, www.electrolux.com.br
LG tel. 0800-7075454, www.lge.com.br
Springer tel. 0800-788668, www.springer.com.br

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Reportagem:
Lia Hama
Ilustrações:
Greg