Arquitetura & Construção
 
 
 
 









 
Edição de março de 2005
Uma boa dose de tinta...
Além de novas cores, você vai encontrar lançamentos que apostam em qualidade e no cuidado com o meio ambiente.
Um bom telhado começa com um projeto correto: "Ele coexiste com o da casa. A idéia da cobertura caminha junto com a do projeto", diz o arquiteto Roberto Moita, de Manaus. Uma construção de estilo colonial, por exemplo, está associada a telhados de quatro águas e telhas de barro cozido. Já uma construção contemporânea, de linhas retas, pede telhado de baixa inclinação. "Nesses projetos, valoriza-se a importância da platibanda, que esconde totalmente as telhas", fala o arquiteto Antônio Machado, de São Paulo.

Onde usar
Cada local requer um tipo diferente de tinta e o acabamento também interfere no resultado: "A versão brilhante não esconde os defeitos da superfície. Em contrapartida, a fosca tem menos resina e por isso a água entra com mais facilidade", explica a química Kai Loh Uemoto, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP). Em alvenaria externa, use látex acrílico, disponível também na versão elastomérica, que contém mais resina para acompanhar a movimentação da parede. O acrílico vai bem ainda em tijolos aparentes previamente recobertos com fundo preparador. "Lembre-se que a pintura fica mais protegida de sol e chuva se a casa tiver beirais largos", alerta Kai (veja como preparar as superfícies na pág. 58). Para esquadrias e portões metálicos, prefira o esmalte sintético, mas antes remova qualquer ponto de ferrugem, lixe a peça e passe zarcão para dificultar a oxidação. O esmalte também é indicado para a madeira, já preparada com massa e fundo fosco. A tinta a óleo, versão antiga do esmalte sintético, tem o mesmo efeito de seu sucessor, mas é difícil de aplicar e demora para secar. O preço mais baixo e a tradição são os atrativos que mantêm esse produto nas prateleiras. Nas paredes internas de alvenaria, prefira látex PVA. Em cômodos de alto tráfego, priorize as opções laváveis, como as semibrilho, e nos quartos infantis fique com as de baixo odor, em caso de uso logo após a pintura. Os pisos e azulejos cerâmicos de cozinhas e banheiros exigem resistência à umidade e à agressão de produtos de limpeza, vantagens das tintas à base de resina epóxi. Para deixar a parede nivelada, aplique fundo epóxi. Em pisos de concreto e lajotas rústicas, o látex acrílico é bem-vindo, mas nas superfícies porosas aplique antes da pintura um fundo preparador. De olho nas novidades
Lançamentos da Feira Internacional da Indústria da Construção (Feicon), que ocorreu este mês em São Paulo.

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Glossário

Látex PVA: emulsão de água e acetato de polivinila. Seca rápido e é vendido na versão fosca, que dá acabamento aveludado.

Látex acrílico: composto de resina acrílica à base de água. É lavável e está disponível nos acabamentos acetinado, semibrilho e fosco. Há versões elásticas, para fachadas.

Esmalte sintético: feito de solvente ou água. Nas versões brilhante, acetinado e fosco, seca rápido, tem alta durabilidade e risca pouco.

Esmalte epóxi: à base de solvente ou água, cria uma camada resistente a umidade e atrito, ideal para cozinha e banheiro.

A favor da natureza
O principal vilão na composição das tintas recebe o nome de Composto Orgânico Volátil (COV) do inglês Volatile Organic Compound (VOC) , uma substância tóxica, nociva à saúde e ao meio ambiente que aparece em colas e solventes. Preocupado com a natureza, o mercado de tintas está apostando em fabricar cada vez mais produtos à base de água alguns chegam a ser livres de COVs. Já as embalagens começam a ser feitas de plástico, material que facilita a reciclagem e consome menos energia em sua produção que as de aço. Nesse item, a Abrafati vem estudando alternativas de como reaproveitar latas metálicas. "Em 2003, 47% delas foram reutilizadas e daqui cinco anos queremos alcançar 70%", conta Ivan Rigoletto, do Comitê de Meio Ambiente, Saúde e Segurança, da Abrafati. Outra boa notícia são os esmaltes e vernizes à base de garrafas PET, da Suvinil, que reduzem o consumo de matérias-primas não renováveis, principalmente os derivados do petróleo. Márcio Augusto Araújo, do Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica (Idhea), destaca as tintas minerais no quesito de respeito ao meio ambiente: "Elas são naturalmente fungicidas e protegem a parede sem depender de resinas tóxicas para se tornar flexíveis e aderentes", diz.

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De olho na qualidade
Antes de fechar a compra, analise a relação custo-benefício da tinta escolhida, comparando rendimento, poder de cobertura e durabilidade. "Ao optar por versões antipichação, por exemplo, acrescente ao preço do produto o valor do solvente e do trabalho para remover a pichação", adverte a arquiteta paulista Marina do Amaral Nogueira, do escritório de arquitetura e decoração Condec. A alta do desemprego (seguida pela queda do poder aquisitivo da população) aumentou a demanda por produtos mais em conta. Com isso, surgiram as versões econômicas, ou de segunda linha, com embalagens simples, que atendem às qualidades mínimas de cobertura da superfície. "Infelizmente, o que se viu foram alguns produtos baratos e ruins, que não levam em conta as necessidades do consumidor e acabam saindo mais caros, pois requerem nova pintura em pouco tempo", explica Dilson Ferreira, da Abrafati. Para banir essas tintas do mercado, a associação inaugurou no ano passado o Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H), que analisa e certifica as látex econômicas de acordo com a NBR 15079, da ABNT. Dentre as exigências, a película de tinta deve apresentar poder de cobertura mínima de 4 m2/litro e lavabilidade de pelo menos 100 vezes. Descubra se a tinta está dentro do programa no site www.cidades.gov.br/pbqp-h. "Daqui a algum tempo, ele também trará uma relação dos produtos fora da norma. Essa análise está sendo expandida aos esmaltes sintéticos e às massas niveladoras, até abranger todo o grupo", conta o engenheiro Jairo Cukierman, da empresa paulista Tesis, que faz a gestão técnica do programa.
Erros e acertos
Siga sempre as orientações do fabricante. Antes da pintura, a superfície precisa estar limpa, sem resquícios de fungos e sujeira. Em paredes novas, aguarde 28 dias para a cura do reboco, caso contrário poderão surgir manchas esbranquiçadas (eflorescência) ou bolhas. Quando o reboco estiver firme, ou seja, não se soltar (faça o teste com uma fita autocolante), passe uma camada de fundo preparador ou seladora para que o concreto absorva menos a tinta na hora da aplicação. "Isso dá coesão às partículas soltas do cimento e evita que a tinta descasque", explica Kai. Em repinturas, lixe a superfície e elimine sujeiras e imperfeições. "Quando houver mofo, remova-o com água sanitária, espere secar por 20 minutos e enxágüe com água. Gordura, graxa e sabão são retirados com água e detergente neutro", ensina Eder Pereira da Silva, da assistência técnica da Suvinil. Buracos de até 3 mm devem ser cobertos com três demãos de massa corrida ou acrílica. Em seguida, use fundo preparador e dê o acabamento com a tinta. Nas falhas de mais de 3 mm de espessura, refaça o reboco que estiver faltando. Espere 28 dias para a cura, e então proceda como se fosse uma parede nova.
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As cores e a arquitetura
Cada um tem sua cor preferida e isso tem mais a ver com sensibilidade do que com razão. "No projeto, a escolha do tom acompanha a definição da cara que a casa vai ter e reflete a personalidade do morador. Depois disso, vêm as combinações de acabamentos, como pisos e esquadrias", afirma Elisabeth Wey, presidente do Comitê Brasileiro de Cores. A história comprova a ligação entre tons e estilos ou tendências. "No Brasil colonial, vigoravam os pigmentos terrosos e anil. Já o movimento moderno estipulou o branco a favor do desenho arquitetônico de grandes vãos e volumes. Nos anos 80, o ornamentalismo trouxe de volta o colorido", completa ela. Hoje em dia, com o número incontável de nuances, ficou mais divertido decidir. A dica dos profissionais é sempre fazer testes usando 1/4 de galão. "Costumo pintar quadrados de 2 x 2 m na parede. É bom lembrar que fatores como a textura da superfície e a luminosidade do local alteram a percepção", ensina o decorador Fábio Galeazzo. A fachada pede ainda a observação do entorno e dos materiais que compõem a construção. Internamente, a cor pode ajudar a equilibrar proporções. "Se um ambiente é muito comprido, uma tonalidade escura cria ilusão de que o espaço é mais estreito", diz Neilton Dórea, arquiteto de Salvador. Outra vantagem: pintar tudo é uma das formas mais baratas de renovar a casa. Isso não significa que você deva freqüentar as lojas especializadas a cada estação. "As tendências se sucedem a cada dois anos", considera Elisabeth. Segundo ela, entre os tons do momento estão o verde-pino, o marrom-café, o bronze, o giz, o marinho, o vermelho-cereja e o açafrão.
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No tom do bem-estar
A função de cada ambiente deve guiar a escolha da nuance adequada. "As tonalidades frias (azuis e verdes) parecem afastar e as quentes (amarelos, laranjas e vermelhos) fazem o contrário", explica Vera Giraudon, professora de design de interiores da Faculdade Belas Artes de São Paulo. Além disso, está comprovado que as cores provocam sensações e reações diferentes no corpo humano. Vermelho: é excitante. Na sala de jantar, por exemplo, estimula o apetite. Amarelo: ativa o intelecto e a comunicação. Verde: neutro, traz equilíbrio e harmonia. Azul: o tom do céu acalma e inspira. Roxo e lilás: estimulantes e relaxantes, favorecem a meditação e a concentração. Laranja: alegre e social, traz otimismo e entusiasmo.
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Evite desperdício
Comprar tinta demais é perder dinheiro. E levar de menos pode prejudicar o resultado da pintura, já que a cor escolhida pode sofrer alterações de um lote para outro. Para acertar na quantidade, é preciso saber a área quadrada do ambiente a ser pintado. Meça a extensão de cada parede (desconte as esquadrias), some todas as medidas e multiplique pela altura do pé-direito, descobrindo quantos m2 vai pintar. Some a área do teto (comprimento x largura), caso você deseja cobri-lo do mesmo tom. Multiplique o número final pelas demãos indicadas pelo fabricante (de duas a três). Por fim, observe o rendimento da tinta escolhida indicado na embalagem para saber de quantas latas ou galões necessitará.
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Reportagem:
Danilo Costa, Eliana Medina e Silvia Gomez
Fotos:
Luiz Roberto Pereira