Um bom telhado começa com um projeto correto: "Ele coexiste com o da casa. A idéia da cobertura caminha junto com a do projeto", diz o arquiteto Roberto Moita, de Manaus. Uma construção de estilo colonial, por exemplo, está associada a telhados de quatro águas e telhas de barro cozido. Já uma construção contemporânea, de linhas retas, pede telhado de baixa inclinação. "Nesses projetos, valoriza-se a importância da platibanda, que esconde totalmente as telhas", fala o arquiteto Antônio Machado, de São Paulo.
Cada local requer um tipo diferente de tinta e o acabamento também interfere no resultado: "A versão brilhante não esconde os defeitos da superfície. Em contrapartida, a fosca tem menos resina e por isso a água entra com mais facilidade", explica a química Kai Loh Uemoto, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP). Em alvenaria externa, use látex acrílico, disponível também na versão elastomérica, que contém mais resina para acompanhar a movimentação da parede. O acrílico vai bem ainda em tijolos aparentes previamente recobertos com fundo preparador. "Lembre-se que a pintura fica mais protegida de sol e chuva se a casa tiver beirais largos", alerta Kai (veja como preparar as superfícies na pág. 58). Para esquadrias e portões metálicos, prefira o esmalte sintético, mas antes remova qualquer ponto de ferrugem, lixe a peça e passe zarcão para dificultar a oxidação. O esmalte também é indicado para a madeira, já preparada com massa e fundo fosco. A tinta a óleo, versão antiga do esmalte sintético, tem o mesmo efeito de seu sucessor, mas é difícil de aplicar e demora para secar. O preço mais baixo e a tradição são os atrativos que mantêm esse produto nas prateleiras. Nas paredes internas de alvenaria, prefira látex PVA. Em cômodos de alto tráfego, priorize as opções laváveis, como as semibrilho, e nos quartos infantis fique com as de baixo odor, em caso de uso logo após a pintura. Os pisos e azulejos cerâmicos de cozinhas e banheiros exigem resistência à umidade e à agressão de produtos de limpeza, vantagens das tintas à base de resina epóxi. Para deixar a parede nivelada, aplique fundo epóxi. Em pisos de concreto e lajotas rústicas, o látex acrílico é bem-vindo, mas nas superfícies porosas aplique antes da pintura um fundo preparador.
Lançamentos da Feira Internacional da Indústria da Construção (Feicon), que ocorreu este mês em São Paulo.
Látex acrílico: composto de resina acrílica à base de água. É lavável e está disponível nos acabamentos acetinado, semibrilho e fosco. Há versões elásticas, para fachadas.
Esmalte sintético: feito de solvente ou água. Nas versões brilhante, acetinado e fosco, seca rápido, tem alta durabilidade e risca pouco.
Esmalte epóxi: à base de solvente ou água, cria uma camada resistente a umidade e atrito, ideal para cozinha e banheiro.
A favor da natureza
O principal vilão na composição das tintas recebe o nome de Composto Orgânico Volátil (COV) do inglês Volatile Organic Compound (VOC) , uma substância tóxica, nociva à saúde e ao meio ambiente que aparece em colas e solventes. Preocupado com a natureza, o mercado de tintas está apostando em fabricar cada vez mais produtos à base de água alguns chegam a ser livres de COVs. Já as embalagens começam a ser feitas de plástico, material que facilita a reciclagem e consome menos energia em sua produção que as de aço. Nesse item, a Abrafati vem estudando alternativas de como reaproveitar latas metálicas. "Em 2003, 47% delas foram reutilizadas e daqui cinco anos queremos alcançar 70%", conta Ivan Rigoletto, do Comitê de Meio Ambiente, Saúde e Segurança, da Abrafati. Outra boa notícia são os esmaltes e vernizes à base de garrafas PET, da Suvinil, que reduzem o consumo de matérias-primas não renováveis, principalmente os derivados do petróleo. Márcio Augusto Araújo, do Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica (Idhea), destaca as tintas minerais no quesito de respeito ao meio ambiente: "Elas são naturalmente fungicidas e protegem a parede sem depender de resinas tóxicas para se tornar flexíveis e aderentes", diz.
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De olho na qualidade
Antes de fechar a compra, analise a relação custo-benefício da tinta escolhida, comparando rendimento, poder de cobertura e durabilidade. "Ao optar por versões antipichação, por exemplo, acrescente ao preço do produto o valor do solvente e do trabalho para remover a pichação", adverte a arquiteta paulista Marina do Amaral Nogueira, do escritório de arquitetura e decoração Condec. A alta do desemprego (seguida pela queda do poder aquisitivo da população) aumentou a demanda por produtos mais em conta. Com isso, surgiram as versões econômicas, ou de segunda linha, com embalagens simples, que atendem às qualidades mínimas de cobertura da superfície. "Infelizmente, o que se viu foram alguns produtos baratos e ruins, que não levam em conta as necessidades do consumidor e acabam saindo mais caros, pois requerem nova pintura em pouco tempo", explica Dilson Ferreira, da Abrafati. Para banir essas tintas do mercado, a associação inaugurou no ano passado o Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H), que analisa e certifica as látex econômicas de acordo com a NBR 15079, da ABNT. Dentre as exigências, a película de tinta deve apresentar poder de cobertura mínima de 4 m2/litro e lavabilidade de pelo menos 100 vezes. Descubra se a tinta está dentro do programa no site www.cidades.gov.br/pbqp-h. "Daqui a algum tempo, ele também trará uma relação dos produtos fora da norma. Essa análise está sendo expandida aos esmaltes sintéticos e às massas niveladoras, até abranger todo o grupo", conta o engenheiro Jairo Cukierman, da empresa paulista Tesis, que faz a gestão técnica do programa.
Erros e acertos
Siga sempre as orientações do fabricante. Antes da pintura, a superfície precisa estar limpa, sem resquícios de fungos e sujeira. Em paredes novas, aguarde 28 dias para a cura do reboco, caso contrário poderão surgir manchas esbranquiçadas (eflorescência) ou bolhas. Quando o reboco estiver firme, ou seja, não se soltar (faça o teste com uma fita autocolante), passe uma camada de fundo preparador ou seladora para que o concreto absorva menos a tinta na hora da aplicação. "Isso dá coesão às partículas soltas do cimento e evita que a tinta descasque", explica Kai. Em repinturas, lixe a superfície e elimine sujeiras e imperfeições. "Quando houver mofo, remova-o com água sanitária, espere secar por 20 minutos e enxágüe com água. Gordura, graxa e sabão são retirados com água e detergente neutro", ensina Eder Pereira da Silva, da assistência técnica da Suvinil. Buracos de até 3 mm devem ser cobertos com três demãos de massa corrida ou acrílica. Em seguida, use fundo preparador e dê o acabamento com a tinta. Nas falhas de mais de 3 mm de espessura, refaça o reboco que estiver faltando. Espere 28 dias para a cura, e então proceda como se fosse uma parede nova.
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As cores e a arquitetura
Cada um tem sua cor preferida e isso tem mais a ver com sensibilidade do que com razão. "No projeto, a escolha do tom acompanha a definição da cara que a casa vai ter e reflete a personalidade do morador. Depois disso, vêm as combinações de acabamentos, como pisos e esquadrias", afirma Elisabeth Wey, presidente do Comitê Brasileiro de Cores. A história comprova a ligação entre tons e estilos ou tendências. "No Brasil colonial, vigoravam os pigmentos terrosos e anil. Já o movimento moderno estipulou o branco a favor do desenho arquitetônico de grandes vãos e volumes. Nos anos 80, o ornamentalismo trouxe de volta o colorido", completa ela. Hoje em dia, com o número incontável de nuances, ficou mais divertido decidir. A dica dos profissionais é sempre fazer testes usando 1/4 de galão. "Costumo pintar quadrados de 2 x 2 m na parede. É bom lembrar que fatores como a textura da superfície e a luminosidade do local alteram a percepção", ensina o decorador Fábio Galeazzo. A fachada pede ainda a observação do entorno e dos materiais que compõem a construção. Internamente, a cor pode ajudar a equilibrar proporções. "Se um ambiente é muito comprido, uma tonalidade escura cria ilusão de que o espaço é mais estreito", diz Neilton Dórea, arquiteto de Salvador. Outra vantagem: pintar tudo é uma das formas mais baratas de renovar a casa. Isso não significa que você deva freqüentar as lojas especializadas a cada estação. "As tendências se sucedem a cada dois anos", considera Elisabeth. Segundo ela, entre os tons do momento estão o verde-pino, o marrom-café, o bronze, o giz, o marinho, o vermelho-cereja e o açafrão.
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No tom do bem-estar
A função de cada ambiente deve guiar a escolha da nuance adequada. "As tonalidades frias (azuis e verdes) parecem afastar e as quentes (amarelos, laranjas e vermelhos) fazem o contrário", explica Vera Giraudon, professora de design de interiores da Faculdade Belas Artes de São Paulo. Além disso, está comprovado que as cores provocam sensações e reações diferentes no corpo humano. Vermelho: é excitante. Na sala de jantar, por exemplo, estimula o apetite. Amarelo: ativa o intelecto e a comunicação. Verde: neutro, traz equilíbrio e harmonia. Azul: o tom do céu acalma e inspira. Roxo e lilás: estimulantes e relaxantes, favorecem a meditação e a concentração. Laranja: alegre e social, traz otimismo e entusiasmo.
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Evite desperdícioComprar tinta demais é perder dinheiro. E levar de menos pode prejudicar o resultado da pintura, já que a cor escolhida pode sofrer alterações de um lote para outro. Para acertar na quantidade, é preciso saber a área quadrada do ambiente a ser pintado. Meça a extensão de cada parede (desconte as esquadrias), some todas as medidas e multiplique pela altura do pé-direito, descobrindo quantos m2 vai pintar. Some a área do teto (comprimento x largura), caso você deseja cobri-lo do mesmo tom. Multiplique o número final pelas demãos indicadas pelo fabricante (de duas a três). Por fim, observe o rendimento da tinta escolhida indicado na embalagem para saber de quantas latas ou galões necessitará.