O tempo foi passando e a confortável casa em estilo colonial brasileiro construída na década de 70 em Curitiba pediu uma reforma. Sobretudo porque o morador, um cinéfilo apaixonado por filmes de arte, queria um salão de 100 m2 onde pudesse projetar DVDs em sessões para os amigos. "A primeira idéia foi acrescentar um andar no piso superior construído de maneira convencional. Porém, ao consultar o engenheiro do projeto original, vimos que as fundações não suportariam o peso", conta a arquiteta curitibana Karina Pimentel. Como o morador havia dito que gostaria muito de ter uma "casa-arte" ou seja, em sua definição um espaço de amplos vãos, como num grande museu, e com materiais de última geração , ela optou por erguer uma estrutura metálica de aço-carbono que abraçaria a moradia. "Seria como uma aranha de aço sobre a casa. Por isso, batizei a idéia de Projeto Aranha", diz Karina.
Ao desenhar a casa, a arquiteta contou com a ajuda do amigo engenheiro Carlos Iberê Tourinho de Mattos (já falecido) e de uma serralheria local. As pernas dessa aranha ou seja, colunas da estrutura foram cravadas dentro e fora dos ambientes já construídos. As 45 toneladas de metal chegaram cortadas à obra e estavam montadas em dois meses. Elas se apóiam em sapatas independentes da fundação original da casa. Só alguns pilares internos estão à vista. Mas o estilo arquitetônico mudou radicalmente. O único vestígio do passado são os tijolos aparentes das paredes, usados também na nova alvenaria. Porém, no conjunto, eles deixaram de se referir ao antigo estilo agora, lembram galpões industriais transformados em charmosos lofts.
A nova casa tem ar contemporâneo que aparece em surpresas como a grande torre vermelha que esconde as escadas de acesso ao piso superior, a cobertura de vidro e os cabos de aço dos parapeitos. A torre foi feita de pínus autoclavado, encomendado na medida. O minicinema, no andar superior, tem espaço para 12 pessoas e uma tela de 4 x 2,50 m. E as visitas podem receber as pipocas quentinhas direto do monta-cargas que vem da cozinha. Um grande deck de madeira com vista de 180 graus espera os espectadores quando as portas-balcão são abertas para a varanda. Em cima da casa, fica ainda o mirante, lugar de inesquecíveis crepúsculos.
Vantagens do aço
O dono não havia imposto restrições orçamentárias à arquiteta, por isso ela não hesitou em buscar a solução na estrutura metálica. No decorrer do processo, descobriu que, na ponta do lápis, o concreto opção mais barata exigiria reforço nas fundações e causaria uma interferência muito mais radical na casa durante as obras. Ou seja, acarretaria mais custos indiretos. "Com o aço, os espaços continuaram habitáveis, ainda que precariamente", relata. Embora o material tenha sido um dos produtos que mais encareceram no último ano (veja texto na seção Índice, pág. 96), ele ainda representa economia em determinados projetos como aqueles para terrenos muito inclinados e obras que exigem rapidez. Deve-se avaliar as condições do projeto e do terreno para verificar o custo-benefício do material. A parte estética entra como último tópico, já que deixar o metal aparente ou não é opção do arquiteto e do morador.
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