O retorno ao Brasil não representava somente a mudança para um espaço mais generoso. Além da amplidão do imóvel, Marisa foi seduzida pela localização, numa rua tranqüila e arborizada da cidade de São Paulo. Quase perfeito, só havia um porém: a fachada envidraçada do prédio pega inteiramente um dos lados do apartamento, deixando a luminosidade entrar em demasia nos ambientes. Na distribuição original, a suíte ficava resguardada por uma parede mas esse obstáculo formava um corredor de 1,60 x 5 m paralelo ao vidro. Para a arquiteta, isso não fazia sentido: "Era um espaço morto, que deveria ser aproveitado", diz. Para mexer com as paredes, Marisa precisava do auxílio do projeto estrutural. Como ele não foi encontrado, a arquiteta aproveitou a reforma do apartamento de cima e, com permissão do proprietário, abriu-o em alguns pontos, para checar se a localização das vigas e colunas permitiria as modificações imaginadas. A reforma durou só quatro meses e meio porque a arquiteta controlou de perto todas as etapas. Marisa conta que o processo exigiu boa dose de paciência. "Na Itália, poderia tocar umas dez reformas como esta no mesmo período", conta, rindo. Segundo Marisa, aqui a demora se explica por causa da mão-de-obra pouco especializada e a dificuldade para encontrar bons fornecedores. E o teste de paciência se estendeu a outro aspecto: no decorrer da empreitada, enquanto algumas paredes caíam e outras eram levantadas, os móveis da família ficaram empilhados na garagem do prédio, pressionando os prazos. No fim deu tempo também de atualizar as instalações hidráulicas e elétricas, que datavam da construção do prédio, nos anos 50. O projeto de elétrica incluiu alguns interruptores do lado de fora dos cômodos, uma característica das construções italianas que acabou incorporada ao dia-a-dia da arquiteta. Revestimentos novos em todos os ambientes completaram a transformação.
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