Arquitetura & Construção
 
 
 
 









 
Edição de outubro de 2004
O belo não tem fronteiras
Eis uma casa de campo nada convencional. É branca como as que brilham nas grandes metrópoles e revela, no minimalismo bem calculado, sua alma cosmopolita.
Há pessoas que trazem no rosto traços indiscutíveis de sua nacionalidade. Outras exibem uma beleza quase universal reconhecida em metrópoles como Nova York, Paris ou São Paulo. Na arquitetura acontece algo similar, e esta casa está no grupo das que fazem sucesso em qualquer lugar do mundo. Até mesmo na pequena cidade do interior paulista em que foi construída. Claro que ela não brotou do chão, como um pé de laranja. Ultrapassar os limites do regional, considerando o entorno e enriquecendo-o com exemplos do que se faz nos cinco continentes, está entre os elementos-surpresa da arquiteta Clarissa Strauss. Há no termo contemporâneo uma série de significados. E embora a dona da casa o use para definir seu estilo de morar, decifremos o que isso representa na obra de Clarisse. A chave está em um nome: Rem Koolhaas. Laureado com o prêmio Pritzker (o mais importante em arquitetura), esse profissional, nascido na Indonésia em 1944, tem um portfólio tão internacional quanto sua vida. Em passagens por vários países, dedicou-se à releitura do modernismo, encontrando nos materiais industrializados e práticos o caminho para se expressar com o mínimo. Em seus projetos, detalhes arquitetônicos subjugam-se à elaboração do espaço. Isso encanta Clarisse. O trabalho dos dois não é parecido. Mas há em ambos um olhar sobre o contemporâneo que pisca para o futuro. É como se suas casas dissessem: "Vou onde estiver o novo, nem que precise dar a volta ao mundo".

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Projeto:
Clarissa Strauss
Arquiteta assistente:
Suzana Knobel
Construção:
MFC Construtora
Decoração:
Marco Aurélio Viterbo
Paisagismo:
Gilberto Elkis
Reportagem:
Cristina Bava e Márcia Carini
Fotos:
Luis Gomes