"Antes de encomendar o projeto, eu já sonhava com uma casa. Era amarela", lembra a professora Mariana, entre muitas risadas. Afinal, o resultado em nada se aproxima dessa imagem. Freqüentadores de Brotas, Mariana e seu marido, Edvard, colecionavam referências das construções da região quando procuraram os arquitetos Vinícius Andrade e Marcelo Morettin. A dupla entendeu que o desejo do casal não era necessariamente o visual, mas o espírito dos casarões caipiras - traduzido livremente por uma cozinha grande, quartos voltados para o rio e muita informalidade. A interpretação agradou, apesar de ter causado certo choque inicial. "Não era o que esperávamos", admite Mariana. "Mas, quando esmiuçamos a proposta, percebemos que ela reunia todos os nossos pedidos."
Ao ver as fotos desta reportagem, os arquitetos não esconderam a satisfação. "Só dá para saber com certeza se a casa condiz com a família quando está ocupada, mobiliada", diz Vinícius Andrade. "Eles não obstruíram as passagens nem encostaram móveis nas portas de vidro", observa. De fato, os vazios cumprem um papel importante neste projeto: neles se dá a convivência, o encontro de que Mariana e Edvard tanto sentem falta em São Paulo. "Minha filha mais velha, de 3 anos, vira outra criança quando chegamos aqui. Muito mais extrovertida, solta. Não conseguiremos mudar para cá no curto ou no médio prazo, mas esse é, definitivamente, um plano para o futuro", diz ela.
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