Arquitetura & Construção
 
 
 
 









 
Edição de julho de 2004
Alguma coisa está fora da ordem
Um terreno difícil e uma mata nativa de entorno levaram a uma solução nada usual. Quem chega tem essa impressão
"Que casa estranha", foi o que o dono ouviu do moço que vinha trazer a primeira entrega de gás da nova morada. Mas o proprietário, o arquiteto mineiro Carlos Alberto Maciel, sabia muito bem o que estava fazendo quando, em 2001, definiu o projeto onde moraria com a futura esposa. Para fincá-lo no terreno com 8 m de desnível e interferir o mínimo na mata Atlântica do Jambreiro - área de proteção ambiental localizada na serra da zona urbana de Nova Lima, MG -, Maciel inverteu o programa convencional de disposição de ambientes. "Nas construções tradicionais, a área pública, onde chegam as visitas, costuma ficar no nível da rua; já os quartos, em cima", diz ele. Num terreno difícil como este, seria preciso criar estruturas gigantescas e agredir a topografia para reproduzir tal padrão. Aqui, a ordem foi: garagem em cima, sala de estar no meio e quartos por último. A construção, com estrutura de concreto moldada na obra, fica suspensa sobre pilotis. "Elevada do chão, está livre da umidade e preserva a configuração original do lugar", conta. Assim, a mata pode ser vista tanto por quem está dentro da casa como por quem passa na rua do condomínio fechado.

Na mata do Jambreiro, o silêncio é interrompido apenas pelos macacos-pregos que, hipnotizados pelo próprio reflexo, batem nos panos de vidro que fecham a estrutura. "Como é uma zona de preservação, só podíamos desmatar 40% do terreno de 1,2 mil m2. Além disso, no fundo dele passa um córrego e foi preciso deixar 30 m livres em cada margem, determinados pela lei federal", conta Maciel. Cuidadoso, ele levantou apenas 250 m2 de área, derrubando o menor número de árvores possível. A arquitetura surpreendente cria configurações diferentes em cada espaço. Apesar de ter usado módulos econômicos (pilares de concreto a cada 5 m), o profissional procurou trabalhar variações na estrutura. Assim, os pés-direitos têm alturas diferentes em cada ponto e a casa não ficou compartimentada. "Integrados, os ambientes nunca estão ociosos", observa. Uma rampa lateral conduz à entrada principal e denuncia a influência moderna. "Uma forte referência foi a Villa Savoye, projetada em 1929 em Poissy, na França, pelo arquiteto franco-suíço Le Corbusier (1887-1965). Nela, uma rampa central permite apreciar a arquitetura à medida que é percorrida", completa.

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Projeto:
Carlos Alberto Maciel
Construção:
Carlos Alberto Maciel e Sérgio Sebastião Ferreira
Colaboração:
Patricia Naves, Juliana Barros, Silvia Maciel, Felipe Coutinho, Manoela Beneti, André Pitta e Fernanda Faria
Projeto estrutural:
Délcio da Mata
Projeto elétrico:
Senec Engenharia
Projeto hidrossanitário:
Projeta Consultoria e Projetos de Instalações
Serralheria:
Golden Serviços
Reportagem:
Silvia Gomez
Fotos:
Eduardo Eckenfels