Arquitetura & Construção
 
 
 
 









 
Edição de junho de 2008
Show de luzes
Integrada ao projeto de arquitetura, a iluminação correta proporciona bem-estar e conforto nas tarefas do cotidiano. E cria cenários para os ambientes da casa.
• Sala multifuncional                              
• Banheiro para todas as horas
• Quarto com home office                    
• Cozinha para receber
• Principais dúvidas sobre iluminação

 

Sala multifuncional
Centro social deste apartamento, o home theater foi desenhado para acomodar confortavelmente os amigos da família para uma sessão de cinema. A cena sugerida para receber os convidados antes da projeção emprega todas as luzes acesas, porém dimerizadas. Projeto de interiores de Jóia Bergamo, de São Paulo, e luminotécnico da Puntoluce.

 

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"Natural ou elétrica, a luz é um meio de comunicação. Oitenta por cento das informações que recebemos vêm através da visão", diz o lighting designer Guinter Parschalk, de São Paulo. Devido à sua variação de cor e intensidade ao longo do dia, ela interfere no organismo e garante nossa sobrevivência. "Por tudo isso, a iluminação não é um mero apêndice da arquitetura", constata o arquiteto Nelson Solano Vianna, consultor em conforto ambiental, de São Paulo. O planejamento luminotécnico faz parte do projeto arquitetônico e, para fazê-lo, o arquiteto considera tanto as atividades exercidas no espaço quanto a incidência da luz natural. Nesse processo, ele pode contar com a consultoria de profissionais especializados, que dimensionam a captação e o controle da claridade, estabelecem os pontos e tipos de iluminação artificial necessários e, com isso, garantem eficiência energética e conforto para os moradores. O projeto de luminotécnica compõe-se de desenhos (plantas, cortes, perspectivas e detalhes) e memorial desc tivo com as especificações de lâmpadas, luminárias e demais equipamentos. "Para conseguir instalações flexíveis e bem dimensionadas, a elétrica e a automação devem ser pensadas em conjunto com a iluminação e a arquitetura ou o projeto de interiores", alerta Vanessa Masson, luminotécnica da empresa paulista Wall Lamps.

 

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BANHEIRO PARA TODAS AS HORAS

Esta proposta, assinada pelo lighting designer Guinter Parschalk, do Studio iX, garante boa iluminação tanto para os usos mais práticos do ambiente, como fazer a barba ou a maquiagem, até os mais relaxantes, caso da hidromassagem com cromoterapia. Um sistema de automação controla os circuitos independentes e permite vários cenários e combinações de luz.

 

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O jeito de usar a casa mudou muito nos últimos dez anos. Entraram em cena espaços integrados e com múltiplos papéis, que exigem uma luz mais dinâmica e flexível. Tudo isso aliado às inúmeras possibilidades proporcionadas pela automação. Por isso os profissionais relutam em formular uma regra para cada ambiente. Mas, em linhas gerais, há basicamente três tipos de iluminação (e cada uma pode servir a diferentes funções: leitura, trabalho...). A difusa, que ilumina todo o espaço, é indicada para escritórios, cozinhas e banheiros - locais que também podem beneficiar-se de pontosde luz direta, mais estimulante, para clarear só o plano de trabalho. E, por fim, a indireta com foco rebatido, que, dependendo do caso, gera luz difusa e traz aconchego e intimidade (recomendada para home theaters e quartos). "Além dessas, há ainda a luz de efeito, de caráter mais cênico, que trabalha com fachos e cores, e a de destaque, que focaliza objetos ou elementos arquitetônicos", explica a luminotécnica Vanessa Masson. Como esco er entre tantos recursos? "Tudo depende da necessidade e do perfil dos moradores, dos acabamentos utilizados, das funções que serão cumpridas no ambiente e, claro, de quanto se pretende gastar", alerta Guinter Parschalk.

 

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QUARTO COM HOME OFFICE

Para iluminar a mesa de trabalho nesta suíte de um jovem solteiro, os arquitetos cariocas Paula Neder e Alexandre Monteiro, autores do projeto de arquitetura e iluminação, optaram pela combinação de um rasgo e lâmpadas dicróicas. "É uma luz um pouco dura, mas eficiente, porque gera pouca sombra na bancada", explica Paula. "Se for necessário um foco mais dirigido no computador, o abajur pode ser aceso", completa Alexandre.

 

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A possibilidade de criar diferentes cenas para um mesmo ambiente destaca-se entre as tendências no setor, partindo do princípio de que a f lexibilidade da luz se relaciona com o bem-estar do usuário. Por meio de um dimmer ou um sistema de automação, é possível selecionar o circuito desejado e até programar a ordem de entrada e a duração de cada cena. Tudo converge para a facilidade: enquanto a tecnologia do led (diodo emissor de luz) miniaturizaos equipamentos e propicia até 70% de redução no consumo de energia, o sistema RGB gera até 1 600 cores, o que possibilita vários cenários. "Além disso, a automação está mais acessível graças à radiofreqüência, que permite instalações sem quebradeiras e fios", diz o engenheiro eletrônico Caio Bolzani. Por isso, algumas empresas, como a Philips e a GE, passaram a comercializar sistemas completos de iluminação, e não apenas lâmpadas. Para Guinter Parschalk, os cenários virtuais estão perto de se integrarem à arquitetura. "Um painel de leds poderá repetir as variações d exterior captadas por uma câmera", exemplifica. "A tendência é uma casa que transfira as emoções do dono para a tecnologia", prevê Lamaro Parreira, gerente de marketing da Philips.

 

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COZINHA PARA RECEBER

Este espaço foi pensado para um homem que pouco fica em casa, mas gosta de cozinhar para os amigos. Assim, a designer de interiores Simone Goltcher, de São Paulo, dividiu-oem áreas operacional e social, criando cenários planejados pela La Lampe. Para uso diário, ela recomenda a iluminação completa ligada, que podeer modificada através de um comando de voz. Ambiente da mostra Casa Cor São Paulo 2008.

 

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Principais dúvidas sobre iluminação

Como calcular a quantidade de luz necessária para um ambiente?
Essa tarefa cabe ao arquiteto e ao luminotécnico. Existem programas de computação específicos para isso e normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que indicam a quantidade recomendada para cada tipo de tarefa. O cálculo considera quesitoscomo a necessidade e o perfil do usuário, a área, o pé-direito, os revestimentos e as cores das superfícies e o tipo de mobiliário adotado.

Como iluminar áreas integradas?
A integração é uma tendência da arquitetura que exige cuidados para evitar erros na dose de luz. "Primeiro, deve-se saber que tipos de ambientes são, que atividades serão realizadas neles e de que forma se integram", responde o lighting designer Guinter Parschalk. "Essa iluminação deve ser mais versátil, adotando sistemas flexíveis (com vários circuitos) e possibilitando diferentes cenários que atendam a cada atividade desenvolvida ali", completa o arquiteto Nelson Solano Vianna. Um exemplo de integração são os lofts que unem a cozinha, que é mais clara, e a sala com home theater, que necessita de menos luz. A iluminação deve atendê-los tanto separadamente quanto uniformizá-los quando usados juntos.

Como iluminar um local com pé-direito alto?
Se o objetivo for realçar a altura, recomenda-se iluminar o teto (adote lâmpadas com ciclo de vida longo para evitar trocas constantes). Há lâmpadas específicas para pé-direito duplo, e na maioria dos casos a luz é direta para destacá-lo. Se desejar mais aconchego, use uma luz mais baixa, como arandelas no meio da parede.

Como usar cor na iluminação?
Em primeiro lugar, é preciso considerar os efeitos fisiológicos, psicológicos e emocionais que ela gera sobre as pessoas, e também como irá interferir na atividade executada no espaço. Algumas despertam mais a atenção, como o amarelo. Outras são mais relaxantes, como o verde. "Além disso, a cor também afeta os níveis de iluminação, pois é um dos componentes do cálculo luminotécnico", lembra Nelson. "As claras auxiliam na propagação da luz, já as escuras absorvem-na", ensina Guinter. O efeito pode ser obtido por meio de lâmpadas coloridas,leds ou com a aplicação de gelatina (folha de plástico que lembra o celofane) sobre um refletor ou enrolada em lâmpadas fluorescentes. "Outra opção é rebater a luz na cor da parede", ensina o arquiteto Marco Donini.

Como associar a iluminação externa ao paisagismo e à segurança?
A externa é mais pautada nas aberturas e na fachada da edificação. A de paisagismo, pontual, varia de acordo com cada vegetação. Já a luz de segurança deve ser difusa para não ofuscar e gerar boa visibilidade. "Os sistemas de automação acendem a luz em horas programadas na ausência dos moradores, o que traz mais segurança",diz Alessandra Friedmann, gerente geral da La Lampe.

Lâmpadas pequenas são mais econômicas?
"A economia de uma lâmpada não está necessariamente ligada a seu tamanho", afirma Nelson. Ela é avaliada pela eficiência luminosa - a relação entre a quantidade de luz que oferece e quanto de energia consome. Mas lembre-se: "Toda lâmpada é econômica se usada na função correta", ensina Guinter.

Quais as vantagens do led sobre as lâmpadas convencionais?
Dimensões reduzidas, vida útil de 50 mil horas, baixo consumo de energia, pouca manutenção, alta eficiência luminosa, variedade e controle de cores são algumas delas. Além disso, o led não emprega mercúrio, não irradia ultravioleta nem infravermelho. "São características encontradas separadamente em outras lâmpadas e reunidas em um só produto", diz Nelson.

 

 

 

 

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Reportagem:
Eliana Medina, Silvana Maria Rosso e Simone Raitzik
Fotos:
Carlos Piratininga
Ilustrações:
Fabio Flaks