Edição de maio de 2008"A idéia do desenho universal é prever e atender às necessidades dos usuários de maneira mais ampla, sejam ou não deficientes físicos, da infância à maturidade e à velhice", diz a arquiteta paulista Adriana Levisky, diretora do Grupo de Trabalho de Legislação Urbana da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA). Segui-lo não significa ter que equipar os banheiros com as barras de apoio utilizadas na transferência da cadeira de rodas para a bacia sanitária, a banheira ou o boxe. Mas a casa deve prever a possibilidade de sua instalação, com paredes que suportem sua carga - caso alguém precise desses recursos no futuro. Alguns itens não atrapalham quem não tem deficiência, mas auxiliam quem tem - e por isso podem constar de qualquer projeto. É o caso de tomadas mais altas e corredores mais largos (no mínimo 0,90 m), que são confortáveis para pessoas que andam, usam cadeiras de rodas ou mesmo para carrinhos de bebês. Como se trata de um conceito arquitetônico, um projeto baseado no desenho universal não custa mais. Difícil será adaptar uma casa que não o leve em conta. "Quando o projeto não segue essas normas e adota, por exemplo, uma distribuição interna mal resolvida, provavelmente o morador terá de fazer uma reforma grande", afirma o arquiteto paulista Eurico Pizão Neto.
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PROJETO EM FOCO
Veja os principais pontos de uma casa preparada para uma usuária de cadeira de rodas, segundo os arquitetos Eurico Pizão Neto e Silvana Cambiaghi (autora do livro Desenho Universal: Métodos e Técnicas para Arquitetos e Urbanistas, Editora Senac São Paulo).
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As pessoas que desejam comprar um imóvel de condomínio com acessibilidade no interior (nas áreas comuns, ela é obrigatória) ou que siga as premissas do desenho universal ainda têm poucas opções no mercado imobiliário. São raros projetos como os da construtora J. Bianchi, de Mogi das Cruzes (SP), que criou o conceito Lifetime Home (casa para a vida toda, na tradução do inglês). São dois empreendimentos - Olímpia, em Suzano (SP), e Odeon, em Mogi das Cruzes - que seguem alguns preceitos do desenho universal e atendem a alguns itens da norma NBR 9050, com portas de 0,82 m de largura, metais monocomando e piso antiderrapante. Além disso, a planta é flexível. "A idéia foi deixar a casa mais confortável para todos, da criança ao idoso", diz Fábio Bianchi, proprietário da J. Bianchi. Cada unidade, com cerca de 110 m², foi vendida por preços entre R$ 200 mil e R$ 250 mil. Uma alternativa são apartamentos personalizáveis, como os da Klabin Segall, que disponibiliza um serviço chamado Affinity Arquitetura, com kits predeterminados ou personalização total: "No caso de pessoas com necessidades especiais, fazemos sem nenhum custo adicional as adaptações que melhor atendam esse cliente", diz Karina de Sá Braghini, gerente de personalização. Entre os empreendimentos, há desde o Cult (da Klabin Segall, nos Campos Elísios, em São Paulo), com unidades entre 27 e 36 m², ao custo de R$ 70 mil em média, até o Espaço Raposo (na altura do km 14 da rodovia Raposo Tavares), cujos apartamentos de 134 m² chegam a R$ 340 mil. Na área de habitações de interesse social, algumas medidas estão sendo tomadas. Em Porto Alegre, o Departamento Municipal de Habitação entregou seis unidades de 49,50 m² cada uma e está construindo outras 31 com projeto da arquiteta Luciane Tabbal baseado na NBR 9050 - para famílias com renda de um a cinco salários mínimos.
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Em São Paulo, a Secretaria da Habitação do Município reserva de 5 a 10% das unidades de urbanização de favelas para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, desde que haja demanda. A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) disponibiliza 5% dos imóveis para pessoas com deficiência. Em março, a CDHU, a Secretaria da Habitação, a Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência e a AsBEA assinaram um protocolo de intenções. "A idéia é adotar o desenho universal como postura única", diz a arquiteta Adriana Levisky, da AsBEA. Dessa forma, é possível, com um único projeto, atender um maior número de moradores.
PARA SABER MAIS SOBRE O ASSUNTO
Uma boa fonte de informações sobre arquitetura inclusiva é o site do Instituto Brasil Acessível, dirigido pela arquiteta Sandra Perito. O endereço traz dicas para construções que sirvam a todos, como a cartilha feita para uma das edições do evento Casa Cor. Em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi de São Paulo, a organização criou a Cartilha da Moradia Segura, que pode ser solicitada pelo e-mail programaterceira idadedds@sesisp.org.br ou pelo telefone (11) 3146-7415, em São Paulo. O instituto também elaborou um catálogo de produtos inclusivos, que está em http://www.forumdaconstrucao/. com.br/catalogo.
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