Edição de maio de 2008[img1]
Quem vê o jeito despojado dos proprietários durante os fins de semana que passam em Ubatuba, SP, logo percebe: a construção que acabam de construir tem muito deles. O orgulho pela casa confeccionada artesanalmente e o prazer de receber os amigos revelam o gostinho da conquista. Pudera. A história desta casa remonta à adolescência de Cássio Leitão, desde então um praticante de surfe que cultiva valores de harmonia e simplicidade. "Aos 16 anos, quando conheceu essa praia, o Cássio já queria construir aqui", diz sua mulher, a arquiteta paulista Paula Souza, que desenvolveu o projeto anos depois. Em 2000, eles receberam uma herança e decidiram realizar o antigo plano. Levaram quatro anos para encontrar um bom lote e dimensionar a casa: "Calculei gastar R$ 1 200 por m2", conta Paula. O passo seguinte foi obter as aprovações: e dois anos se passaram até o projeto atender à complexa lei ambiental. "Nesse intervalo de tempo, o vizinho construiu. Tive a chance de mudar a planta para impedir que os quartos se abrissem para a varanda dele", diz a arquiteta. De resto, a empreitada foi uma grande soma de esforços. Um amigo autodidata ajudou a definir a estrutura de madeira, o engenheiro sugeriu pilares de concreto para estabilizar o conjunto, Cássio lembrou-se das paredes com mata-junta, velhas conhecidas de suas viagens ao sul do país... A cada fim de semana a dupla visitava o local, fazia as compras e seguia os avanços de um prendado carpinteiro - artífice de todo o madeiramento. O processo (dois anos) terminou em 2007. "No meio, engravidei e tive o Vicente", fala Paula. Sem problemas. Sob as vistas de Dora, a irmã mais velha, o pequeno hoje engatinha sossegado pelo deck, amparado pelas novíssimas telas de proteção.
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Estrutura mista vence o declive
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