Arquitetura & Construção
 
 
 
 









 
Edição de janeiro de 2006
Cuide da casa
Limpeza de caixa-d'água, pedras e calhas, amarração de telhas, pintura das paredes e reparo de trincas.
Esses são os itens de manutenção mais freqüentes em casas e apartamentos segundo os e-mails de 105 leitores que responderam nossa enquete - confira alguns nesta reportagem. Como as tarefas são relativamente simples, há quem relate o gosto por se dedicar de corpo e alma a esses trabalhos periódicos. Outros preferem contratar mão-de-obra especializada. E todos se dizem satisfeitos quando abrem o portão e encontram tudo em ordem. Se você pertence ao primeiro grupo, aproveite para conhecer aqui as regras básicas de segurança nos pequenos afazeres domésticos. Quem não gosta de pôr a mão na massa pode acompanhar as dicas para fiscalizar o serviço.

Limpeza de caixas-d'água
Duas vezes por ano, o reservatório deve tomar uma ducha. Quem oferece esse tipo de serviço garante: contratar empresa especializada evita acidentes como queda (já que ela está sempre em local alto e pouco acessível) e ainda reduz o risco de contaminação da água com resíduos produzidos durante o trabalho. O amianto, por exemplo, material presente em muitos reservatórios, quando esfregado intensamente pode deixar escapar um pó que provocaria câncer, segundo a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (Iarc), da Organização Mundial da Saúde (OMS). "Após a limpeza, recomendo a pintura impermeabilizante nesse tipo de caixa", sugere o arquiteto mineiro Gustavo Dias. A dosagem do cloro é outro item importante, assim como a certeza de que não sobrou nenhuma sujeira lá dentro. Por isso, a contratação de mão-de-obra especializada vale a pena. Mas uma coisa é certa: melhor você mesmo fazer do que deixar a caixa suja. Nesse caso, consulte o site da Sabesp*, companhia de saneamento de São Paulo. E você pode contribuir para preservar o meio ambiente: use a água da limpeza para lavar a calçada. Depois,  feche a caixa e, antes de ligar o registro para enchê-la novamente, aproveite para olhar o relógio - se ele estiver rodando, pode haver vazamentos na tubulação.
* www.sabesp.com.br/pura/dicas_testes/conserve_limpa_cx_dagua.htm

Como se faz:
1. Amarre a bóia e esvazie a caixa (use a água descartada para serviços domésticos). "Feche também o registro de água da rua", ensina Ari Xavier dos Santos, da Zelomax, empresa de São Paulo que executa o serviço.
2. Deixe um palmo de água no fundo.
3. Proteja-se com luvas de borracha e óculos e despeje hipoclorito de sódio com concentração de 12%. Use escova macia para esfregar as paredes e o fundo. E deixe a mistura agir por duas horas.
4. Para enxaguar, abra os registros e desamarre a bóia. Esvazie e encha a caixa novamente.

Empresas especializadas
(valores em reais de novembro de 2005)
Belo Horizonte
O Rei das Caixas, (31) 3371-0028 R$ 65
Curitiba
Rotercano, (41) 3296-2233 R$ 120
Rio de Janeiro
Fonte Nova, (21) 2224-4638 R$ 50
H2O, (21) 2225-6326 R$ 190
São Paulo
Cloroart, (11) 5031-2610 R$ 100
Planalto, (11) 5572-7807 R$ 120

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Pedras
Os leitores citam o limo e o musgo que impregnam revestimentos de calçadas e muros como uma grande chateação. A umidade e a porosidade de pedras como arenito, quartzito, goiás, portuguesa ou miracema são os culpados. Quase sempre, dá para fazer a limpeza sozinho, usando escovão, mas é preciso avaliar se não há risco de danificar o revestimento. As empresas especializadas podem fazer essa averiguação. Como a quantidade de sujeira e o tipo de pedra variam muito, não há um preço fixo para o serviço de avaliação ou limpeza. As empresas costumam usar xampus especiais, detergentes neutros e até mesmo cloro, escovão ou hidrojateamento (máquinas que lançam água em alta pressão). A escolha das técnicas e dos produtos depende do tipo de mineral que você tem em casa. Por exemplo, ardósia e mármore riscam com facilidade, por isso não devem ser escovados. O recomendado seria polir com disco adaptado a enceradeira. A utilização do cloro é discutível em qualquer pedra, mas os técnicos não o descartam quando a sujeira está muito impregnada. Nesse caso, o uso de botas, luvas e óculos é importante e a concentração deve ser respeitada: 1:5 em caso de sujeira pesada e 1:10 em casos mais brandos. Depois de limpar as pedras, você pode pedir a impermeabilização com hidroóleos repelentes, que não alteram a textura de superfícies porosas e diminuem a incidência de sujeira, sem modificar o aspecto natural das pedras.

Fiscalize o serviço:
1. "Ao usar hidrojateamento,
o jato deve ser mantido a 25 cm da pedra, pois sua pressão pode arrancar os rejuntes
e até furar o mineral", alerta o técnico da Pedralimp José Dubena, de São Paulo.
2. Antes de utilizar qualquer produto, peça um teste numa pequena área.
3. Detergentes não devem ser aplicados à ardósia, pois desbotam e tiram o brilho da pedra.
4. Muitos removedores de vernizes e resinas são tóxicos. Exija que os aplicadores usem
máscaras e luvas durante o trabalho.

Empresas especializadas
Belo Horizonte
Walblast, (31) 3286-8500
Curitiba
Bella Pietra, (41) 3016-9986
Olinda
Inpermal, (81) 3429-4121
Rio de Janeiro
Marmoglin, (21) 2494-7700
Salvador
Inter, (71) 3377-3962
São Paulo
Pedralimp, (11) 5663-2000
 
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Calhas
A cena parece romântica: folhas secas voando no outono. Mas quando elas vão parar na calha, entupindo as canaletas, surgem as infiltrações em lajes e telhados. Por isso, deixe a passagem livre. E de quanto em quanto tempo se deve fazer esse serviço? Depende. Se ao redor da casa há muitas árvores que deixam cair pequenas folhas e flores, limpe semanalmente nos períodos mais chuvosos. Já em lugares não arborizados, basta uma vez por ano, antes do começo do período das chuvas. O serviço é simples e você mesmo pode executar, independentemente do material de que a calha é feita, mas requer uma escada segura. E, claro, faça isso quando não estiver chovendo. Se optar pela contratação de técnicos, saiba que o serviço é cobrado por metro e algumas empresas podem pedir um adicional se o acesso à calha for difícil. Em sobrados, é possível que ela só seja alcançada caminhando-se pelo telhado. Segundo Gilvan Carneiro, técnico da Ipê Telhados, andar sobre as telhas requer habilidade, sob o risco de quebrá-las. Sua equipe usa tábuas que são alternadas durante o trabalho: enquanto se pisa em uma delas, desloca-se a outra para a frente - e assim sucessivamente. Mas ele alerta: não tente isso sozinho, pois é fácil escorregar e cair. Vale também a orientação do arquiteto Gustavo Dias: "Já que sabemos da necessidade de limpeza da calha, o projeto tem de prever o espaço para facilitar esse serviço".

Passo-a-passo:
1. Apóie bem a escada. Suba levando consigo um par de luvas, uma colher de pedreiro
(que caiba na abertura da calha) e um saco de lixo.
2. Deixe o saco sobre o telhado e vá tirando as folhas e jogando dentro dele.
3. Quando tiver completado a limpeza, desça com o saco e suba com uma mangueira.
Você deve enxaguar a calha com a água.
4. Se sua calha for de aço galvanizado ou alumínio, pinte-a com tinta betuminosa para que permaneça isolada da ação das águas da chuva e tenha maior durabilidade.

Empresas especializadas
(valores em reais de novembro de 2005)
Brasília
Central Mundo das Calhas, (61) 3377-7684 R$ 25 (por serviço)
Curitiba
Calhas Gabardo, (41) 3257-9092 R$ 10 por m
Florianópolis 
Real Calhas, (48) 3346-1774 Não tem preço fixo
São Paulo
Ipê Telhados, (11) 5841-3364 R$ 10 por m
Telhados Alicerce, (11) 3782-9290 R$ 22 por m (casa térrea)
 
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Telhados
Os leitores se queixam de telhas que soltam com o vento, rachaduras que geram infiltração e do aspecto enegrecido causado pelo bolor. O melhor é chamar um especialista para sanar esses problemas - isso porque o risco de queda dos telhados é alto. Em regiões com muito vento, o deslocamento de telhas é o tormento mais comum - principalmente quando as telhas são do tipo capa-e-canal. Para ajustá-las no lugar e afastar a chance de outro deslocamento, convém fazer um trabalho artesanal de amarração, com arame. A substituição de telhas que trincaram envolve a habilidade de encaixá-las - mas quem o faz tem que ser expert em caminhar sobre as telhas sem quebrá-las. Finalmente, a lavagem para retirar o bolor é um cuidado estético que melhora muito o aspecto da casa. Os profissionais costumam lavá-las com máquina de 1 800 libras de pressão de água. Antigamente, usavam-se produtos químicos que escorriam nos jardins e queimavam as plantas. Eles foram substituídos  pelo aumento da pressão da água na máquina. Depois da limpeza, uma boa idéia é pintar e impermeabilizar as peças e, assim, impedir ou retardar a proliferação de bolor. Segundo Gilvan Carneiro, técnico da Ipê Telhados, os impermeabilizantes são os mesmos usados em tijolos e aplicados com uma bomba. Para pinturas, a solução apropriada são as tintas de alta resistência, utilizadas em pisos, já que os telhados são vulneráveis a variações climáticas e água das chuvas.

Fiscalize o serviço:
1. Na amarração das telhas, as peças de uma mesma fileira são retiradas, furadas e unidas
com arame de latão anticorrosivo (misturado com cobre), que não fica aparente e não enferruja.
2. Em telhados de casas litorâneas, aconselha-se o uso de arames de cobre puro, pois resistem mais à ação da maresia.
3. Ao fechar o orçamento, os telhadistas levam em conta fatores como altura do telhado,
inclinação, facilidade de acesso, tipo de serviço a ser realizado durante a manutenção e estado de conservação. Alguns cobram por m2.

Empresas especializadas
São Paulo
Brasitelhas, (11) 3782-5270
Caraguatatuba
Antonio Rodrigues Pereira, (12) 9737-3855
Poços de Caldas
Roberto Batiston, (35) 3712-7516, 9911-1459
Petrópolis
Marcelo Lima Alves, (24) 2245-5507, 9829-4656
Mogi das Cruzes
Edvando Salada, (11) 3694-5903, 9617-1254
 
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Pintura de parede e reparo de trincas
A cada dois anos, em média, o brasileiro renova a pintura das fachadas. Se o ambiente estiver livre das intempéries, a manutenção ocorre a cada quatro ou cinco anos, segundo o coordenador de assistência técnica da Suvinil, Kleber Tammerik. Claro que a qualidade das tintas influencia essa freqüência, mas há também fatores como quantidade de sol e chuva que incide nas paredes ou presença de crianças e animais que, eventualmente, imprimam mãozinhas e patinhas na alvenaria. Se você quer retardar o desbotamento ou a sujeira, precisa escolher bem a tinta. Há os tipos que resistem mais ao sol, alguns são elásticos, outros, laváveis. Um pintor sabe avaliar qual é a melhor para o seu caso e os sites dos fabricantes também dão orientação. O serviço pode ser feito pelo próprio morador - a não ser que ele tenha alergia a produtos químicos. Investigue se há pequenas fissuras, em geral próximas de portas e janelas. Como são superficiais, o pintor abre a trinca com espátula, aplica massa corrida, lixa e repinta. Se ela reaparecer, bata com a mão fechada sobre a rachadura; barulho de parede maciça (não oca) revela leve infiltração de água da chuva ou destacamento de materiais e você precisará aplicar no local uma pequena tela de poliéster, além de nova camada de massa. Quando o toque estiver oco, chame um especialista, pois a trinca pode ter causas estruturais.

Fiscalize o serviço:
1.
Antes da pintura, você só precisa lixar a parede se ela estiver suja, engordurada ou com esmalte. A lixa abre os poros da parede e dá aderência à nova camada de tinta.
2. A diluição da tinta depende da demão que você está passando (a primeira pede concentração maior, as demais podem vir mais diluídas). Nas fachadas opte por deixar meia lata de água para uma lata inteira de tinta.
3. Cubra as esquadrias e os rodapés com fita crepe. O piso deve ser protegido com plástico. Caso haja móveis desloque-os para o centro e cubra-os com lençóis.

Pintores*
(valores em reais de novembro de 2005)
Curitiba
Amarildo Oliveira, (41) 3383-3315 R$ 3 por m2
Valinhos
FGO Pinturas, (19) 3871-0574 R$ 3,50 por m2
Belo Horizonte
Celso Gonçalves, (31) 9905-1446 R$ 3 por m2
Brasília
Juvenal dos Santos, (61) 3399-8546 R$ 4,50 por m2
São Paulo
Jackson Alves, (11) 3946-4729 R$ 5 por m2
 
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Reportagem
Giovanny Gerolla
Ilustrações
Greg